ENTREVISTA COM EUGÉNIO MARTINS- UNIDOS DO MATO GROSSO ( Figueira da Foz )

ENTREVISTA COM EUGÉNIO MARTINS O IMPULSIONADOR.... O "RESPONSAVEL POR HAVER" ESCOLAS DE SAMBA NA FIGUEIRA DA FOZ



Antes de mais as minhas saudações e os meus agradecimentos por me ter convidado para esta entrevista.

- Amigo Eugénio você é parte da história das Escolas de Samba e do Carnaval da Figueira da Foz. Conte-nos como foi o início de tudo isso.

Amigo Guerreiro, tenho muito mais a ver com a história das Escolas de Samba do que própriamente com o Carnaval local, e isto porquê? Porque o Carnaval para mim é Samba e o Samba apareceu pela minha iniciativa com o começo em 1987. Habituado já a tocar clássicos da música brasileira, abracei com a maior dedicação a criação de uma Bateria de Samba que passou por várias fases até à presente data. Como não haviam instrumentos de percursão, a minha bateria depois de devidamente desmembrada serviu para os ensaios na minha garagem, local este que considero ser o berço do samba na Figueira.
À data, a primeira formação com 8 elementos designou-se chamar "MARRRIATES". Feito o primeiro desfile houve necessidade de "muscular" a bateria com a integração de mais elementos.
Os "MARRRIATES" deram origem à "ESCOLA DE SAMBA DE BUARCOS" que anos depois passa a denominar-se "GRES A RAINHA".

- De lá para cá, como foi essa tua trajectória no Samba?

Pegando na sua palavra trajectória, o Samba tem a ver com uma mescla de influências que de forma alguma poderiam ser indiferentes a quem teve um percurso musical como eu tive. Toquei em boas bandas e com excelentes músicos. O samba vem pela afinidade que tenho pelos ritmos pois fui Baterista. Surgiu a ideia ensinar, divulgar e transmitir os meus conhecimentos.
A 25 de Abril de 2002 Nasceu a "ASSOCIAÇÃO UNIDOS DO MATO GROSSO", tendo como única actividade a escola de samba. Com objectivos bem definidos e com um projecto ambicioso.

- Actualmente que funções desempenhas na ASSOCIAÇÃO UNIDOS DO MATO GROSSO?

A 25 de Abril de 2010 serei Presidente da Assembleia Geral da A.U.M.G.

- Momentos mais felizes no Samba até hoje

O facto de Deus me ter dado a possibilidade de ter vivido o dia 25 de Abril de 2002 - data da Fundação da A. UNIDOS DO MATO GROSSO.
A honra de ter sido distinguido publicamente com o título de sócio Honorário no passado mês de Janeiro.

- Momentos mais difíceis

Sou um SAMBISTA de alma e coração, vejo o samba como um estado de alma onde o protagononismo é desprezado. O mais difícil no Samba, não é tocar, comandar... difícil é ensinar a sentir...

- Como tens visto a evolução das Escolas de Samba em Portugal?

Acompanho com bastante atenção a prestação das escolas de samba Portuguesas e verifico uma notória evolução, embora reconheça também que há desníveis acentuados que só com bastante trabalho e formação técnica e infra-estruturas associativas devidamente apoiadas poderão criar condições para uma evolução mais notória.

- E a evolução das escolas de Samba na Figueira da Foz

Relativamente a esta questão vou responder com a frontalidade que é apanágio da minha pessoa, só quando sou "obrigado" a ver e ouvir é que tomo conhecimento da realidade destas bandas.

- Quais as razões que levaram à formação da Unidos do Mato Grosso?

Por incompatibilidade de ideias e objectivos, saí da GRES A RAINHA, naturalmente que não poderia, nem me sentiria bem sem o Samba. Existindo um grupo de pessoas que tinham em comum os mesmos ideais; surge a UNIDOS do MATO GROSSO.

- Que rescaldo fazes destes 8 Anos de vida da Unidos do Mato Grosso?

O balanço é extremamente positivo e a palavra de ordem é trabalhar, trabalhar, trabalhar!

- Quem objectivos têm para a Unidos do Mato Grosso? Que sonhos?

Como fundador poderei ter alguns objectivos e ambições, no entanto esta questão deverá ser colocada a quem dirige e lidera a Associação.

- É bom para o Carnaval da Figueira ter ainda mais escolas de Samba ou as 3 actuais está de bom tamanho?

Sempre que surge mais uma escola de samba, o samba sai vitorioso.

- Para quando concurso como já é feito em Ovar, Estarreja e Mealhada?

A tendência será para isso, agora, para quando? Vamos ver...

- Quais são para ti as Escolas que melhor têm apresentado as suas Baterias?

Embora já existam Baterias com grande qualidade e acentuados níveis de execução, para mim a Bateria que continua a encher o ouvido é a da GRES CHARANGUINHA de Ovar.

- E no geral de todos os quesitos, quais as escolas que mais te agradam no país?

Só poderia responder a esta questão de uma forma justa se houvesse nivelamento de avaliação. Neste momento cada região tem a sua característica, sendo impossível ter a percepção do que é ou poderá ser o melhor!

- Que gostarias de ver acontecer em Portugal e em particular com as escolas de Samba?

O surgimento da Liga Independente de Escolas de Samba Portuguesas.

- Concordas com o encontro Nacional de Samba (Estarreja) a realizar-se nos moldes em que se realiza e com os critérios de avaliação em que se baseia?

Concordo na generalidade pois foi uma boa iniciativa, as arestas continuaram a serem polidas. Acredito que os responsáveis estão atentos e tencionam melhorar de ano para ano.

- Que recados gostarias de deixar para quem faz parte da comunidade de Sambistas do nosso País?

Apelar a todos os sambistas que se identifiquem com as escolas, que as ajudem a divulgar as suas actividades e colaborarem nos intercâmbios que se fazem.

Obrigado companheiro por me dares o prazer de ser meu amigo. Muitas Felicidades.

Eu é que agradeço. Um grande Abraço

ENTREVISTA COM JOÃO OLIVEIRA- SÓCIOS DA MANGUEIRA ( Mealhada )


ENTREVISTA com JOÃO OLIVEIRA - Baluarte do CARNAVAL da MEALHADA


- Começo por lhe agradecer a disponabilidade para esta pequena conversa de samba.
-Sr João Oliveira você é parte da historia da Escola de samba Socios da Mangueira e até do Carnaval da Mealhada.
Conta-nos como foi o inicio de tudo isso ?
No que diz respeito à questão de pertencer à história do carnaval da Mealhada, de facto, e sendo filho daquele que foi verdadeiramente o fundador, António José, meu pai, conhecido pelo MACÁCÚ, não poderia ficar de fora das primeiras manifestações de Entrudo da Mealhada. Fui sócio fundador, e se a memória não atraiçoa, com o número 74, por imposição do meu pai já que eu tinha então 10 anos de idade.
- De lá para cá como foi essa tua trajectória no samba ?
Participei sempre como actor no teatro de rua que o meu pai criava, momos e entremezes de piada e crítica social, de costumes, que lhe granjearam fama para além do seu trabalho noutras criações dramáticas. Aí por 1978 adiantei-me na ideia de criar um grupo de samba para ocupar a ausência de uma série de estudantes brasileiros que por uso desfilavam no corso de carnaval tocando e sambando. Os meus companheiros de então gostaram da ideia, apoiaram-me e nascem os Sócios da Mangueira fazendo jus a uma saudação que tínhamos entre nós ex. «Eh sócio, vamos ao baile?», e à Estação Primeira de Mangueira, escola do meu pai e referência para mim e para os meus colegas do mundo do samba da altura. Dei nome, dirigi, fui instrumentista, cantor, ensaiador, estilista, cenógrafo, enfim, tudo o que se pode dizer de um história à volta dos Sócios teve a minha presença até à data de hoje, e ainda tem.
- Actualmente que funções desempenha nos Sócios da Mangueira ?
Sou hoje um simples associado, colaborador, e funcionário se as circunstâncias assim o exigirem, mantendo para as minhas gentes associativas o lugar de sócio com mais experiência e portanto credível de opinião e conselho sempre que necessário.
- Quais os momentos mais felizes no samba que recorda até hoje ?
Tenho muitos momentos de satisfação no exercício da minha qualidade de membro da Sociedade Mangueirense, mas, sem dúvida alguma que as vitórias nos concursos de carnaval me deram muito gozo. Para além disso foi a visita ao Brasil e à Mangueira que marcou a minha maior emoção, estar com Dona Zica, Jamelão, Carlinhos, e muitas outras figuras marcantes da escola matriz, deram-me uma alegria mais no meu historial.
-E os momentos mais dificies ?
O momento mais difícil foi suportar a arrogância do poder político autárquico que, à força de GNR, nos expulsou de uma sede, a nossa estação primeira, para fazer valer a estupidez do exercício da opressão. No entanto por triste e difícil que tenha sido abriu asas e fez voar a associação cultural que hoje somos, e quase independente, para uma nova vida e uma nova consciência. Eu diria que já faltou mais para ela se tornar absolutamente autónoma. É o meu desejo.
-Como tem visto a evolução das escolas de samba em Portugal ?
É claro que é de notar uma evolução, não muito acentuada, mas pormenorizada, a meu ver. A preocupação pela imagem, pela confecção, trouxe mais requinte para a passarela do samba, melhor tratamento, mais enredo. Ao mesmo tempo e por simpatia a musicalidade procurou acompanhar este sintoma evolutivo, o que tem sido tela para boas produções de samba-enredo e harmonia de bateria.
-E a evolução das escolas de samba na Mealhada?
O que referi antes tem acontecido com as escolas de samba na Mealhada mas, por serem em maior número do que noutros locais do país e tendo menor apoio financeiro da Associação Carnavalesca, num carnaval já em decadência, sem regras nem respeito por elas, salvo excepções, poucas, a ordem e o progresso das mesmas não se efectiva como seria desejável.
-Que rescaldo faz destes já longos anos nos Sócios da Mangueira ?
Ao fim de 31 anos de existência, numa luta contra muitas adversidades, Mostrengos, velhos do Restelo, Caciques Indianos, e outros bichos que por cá andam, mais do lado de fora do que do lado de dentro, dou-me por satisfeito de nos termos conseguido adaptar, saindo vencedores desta luta, mas ainda não totalmente convencidos de que a ganhámos.
- Que objectivos tem para a Escola ? Que sonhos ?
O meu sonho, já por duas vezes apresentado aos meus associados, é o de adquirirmos um terreno e criarmos a nossa Casa Cultural, livre e independente, onde a instituição só responda perante si e o estado sem se sentir algo dependente de estratégias e eventualidades terceiras. Assim poderemos fazer instituir actividades na área cultural, desportiva e recreativa, que me são caras e necessárias até para a mudança para mais e melhor da condição associativa e social da nossa instituição e do espaço territorial que habitamos.
-No geral de todos os quesitos quais as escolas que mais lhe agradam no país ?
As escolas que me mereceram alguma atenção maior ao longo do tempo, ou por contacto ou por tratamento de amizade foram e são, A Charanguinha de Ovar e a Rainha da Figueira da Foz.
-Que gostaria de ver acontecer com o samba em Portugal e em particular com as escolas de samba ?
Gostaria que existisse o que já foi pensado em outros tempos, uma Fundação Nacional do Samba, para a qual fui chamado a intervir, em reuniões e debates algumas vezes. Uma fundação que pudesse defender o nosso mercado no que diz respeito a tudo o que honra e preenche as nossas necessidades nas áreas da cultura e do recreio a que nos propomos. Permitiria uma itinerância de realização, por exemplo, de um evento maior, entre outros que já acontecem, de diferentes formatos, do Grande Desfile Nacional de Escolas de Samba, para além de instituir um caderno representativo da nossa actividade no mercado da exibição.
-E no Carnaval da Mealhada que evoluções gostaria de ver realizadas ?
A maior evolução que eu poderia ver no carnaval da Mealhada era aparecer alguém que a dirigisse mais ou menos como eu a dirigi em 1990, com independência, sentido organizativo, respeito pelas classes, criatividade, e acima de tudo com a honestidade e a integridade que se exigem a uma instituição deste calibre, favorecendo o bem público, principalmente aquele que lhe dá vida, as escolas de samba, que sem elas ele não é nada que se aproveite e mesmo assim…
-Concorda com o ENCONTRO NACIONAL de SAMBA ( Estarreja ) a realizar-se nos moldes em que se realiza e com os criterios de avaliação em que se baseia ?
É um bem aceitável enquanto não existir outro mais audaz e mais abrangente. Não conheço com rigor de pormenor os critérios de avaliação em que se baseia mas do que me têm referido são de respeito pela apresentação das escolas. Nisso tenho uma visão muito própria ao ponto de alterar substancialmente o que há a respeito dos quesitos e critérios de concursos, por exemplo na Mealhada. Precisaria portanto de informação mais detalhada para opinar sobre o que se passa em Estarreja. Nunca presenciei o concurso nem acedi ao seu regulamento daí as minhas limitações em fundamentar qualquer ideia.
-Que recados gostaria de deixar para quem faz parte da comunidade de sambistas do nosso país ?
O recado fica dado, visitem a Sociedade Mangueirense, Os Sócios da Mangueira, visitem o nosso Bar, poderemos trocar pontos de vista e poderemos ver pontos de troca entre nós. Temos a melhor caipirinha do país, nossa opinião e sem ofensa, para quem vai fazer 32 de existência merece ser tema de enredo carnavalesco. Estava a brincar… ou não…

-Obrigado companheiro por me dar este contributo para ficarmos a saber mais sobre a história do carnaval da Mealhada. Muitas felicidades

Saudações Joaninas
Saudações Mangueirenses

ENTREVISTA COM JOÃO FERNANDO- CHARANGUINHA DE OVAR


ENTREVISTA COM UM DOS BALUARTES DO SAMBA EM OVAR.

JOÃO FERNANDO- CHARANGUINHA ( Ovar )
( foto- Comissão de Frente- Charanguinha 1998)

Começo por lhe agradecer a disponabilidade para esta pequena conversa de samba.
- Amigo João Fernando você é parte da historia da Escola de samba Charanguinha e até do Carnaval de Ovar.
- Conta-nos como foi o inicio de tudo isso ?
O Samba em Ovar nasceu nos finais da década de 70 como força de apoio ao Basquetebol da Ovarense. Foi uma boa novidade no meio Ovarense e , a partir daí foi só trabalhar para melhorar tudo que envolve o Samba, quer a nível masculino, quer feminino.
- De lá para cá como foi essa tua trajectória no samba ?
Como baterista ,que ainda sou (apesar dos 68 anos),a trajectória passou pela evolução em todas as vertentes, com a ajuda de pessoas mais jovens, mas com vontade de dinamizar o Samba e de o melhorar em termos de ritmo,cor,dança, evidenciando esse percurso através do Carnaval de Ovar e do trabalho anual que passa por actuações por todo o país.
- Actualmente que funções desempenhas na Charanguinha ?
De momento continuo a desfilar e a incentivar os mais novos para que continuem o meu trabalho.
- Quais os momentos mais felizes no samba que recordas até hoje ?
A alegria da Minha Charanguinha ter pisado os melhores palcos do país e de ter levado o nome da Escola de Samba e de Ovar além fronteiras até países como Espanha, França e Suíça. E, posteriormente, receber a Medalha De Mérito Da Cidade De Ovar.
- E os momentos mais dificies ?
Poucos, mas sem significado por oposição a tudo que de bom se tem vivido no seio desta colectividade.
- Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal ?
Penso que em termos de evolução as Escolas de Samba em Portugal poderão ser agrupadas em dois segmentos: aquelas que, dentro da linha do Samba e respeitando a sua origem, criaram nuances próprias que as individualizam e , por outro lado, aquelas que, com a qualidade que as caracteriza, se mantiveram fiéis à raíz do Samba sem introduzir uma marca própria. Quero aqui também aproveitar para dizer que toda a evolução se ficou também a dever a essa figura impar do nosso Carnaval - Xando.
Foi o grande responsavel pelo desenvolvimento ritmico tanto em Ovar como em outras localidades como Mealhada , Estarreja e Figueira da Foz .
- E a evolução das escolas de samba em Ovar ?
As Escolas de Samba em Ovar evoluiram naturalmente de acordo com uma mesma permissa: dar ao Samba a cor e o brilho dos temas de origem nacional e regional. Canta-se a Ria, canta-se o Fado, canta-se a Raça Negra tudo com o carisma do ritmo vareiro do Samba.
- Que rescaldo fazes destes já longos anos da Charanguinha ?
Qualquer rescaldo realtivo à Charanguinha só pode ser positivo.
- Que objectivos têm para a Charanguinha ? Que sonhos ?
Dentro dos objectivos /sonhos para a Charanguinha penso que a apresentação no Brasil seria sem dúvida aquilo que qualquer elemento desta Escola de Samba sonhará poder um dia concretizar.
- No geral de todos os quesitos quais as escolas que mais te agradam no país ?
A qualidade rítmica é o elemento que singulariza qualquer Escola de Samba, como tal todas as Escolas que pautem o seu trabalho por este quesito serão dignas de registo.
-Que gostarias de ver acontecer com o samba em Portugal e em particular com as escolas de samba ?
Gostaria de ver acontecer um verdadeiro Encontro Nacional de Escolas de Samba, e por “nacional” entende-se com todas as escolas do país e não apenas com as vencedoras dos carnavais, onde o objectivo fosse a troca de experiências e a divulgação desta forma única de cultura e não o escrutínio da melhor.
- E no Carnaval de Ovar que evoluções gostarias de ver realizadas ?
No Carnaval a evolução passa pela apologia na qualidade, o que obriga a pensar naturalmente nas condições que temos para oferecer qualidade. Para que as condições sejam propiciadoras será necessária a concretização por exemplo da infra estrutura da Aldeia do Carnaval.
- Concordas com o ENCONTRO NACIONAL de SAMBA ( Estarreja ) a realizar-se nos moldes em que se realiza e com os criterios de avaliação em que se baseia ?
Não, não concordo, uma vez que apenas reúne as escolas vencedoras e não a totalidade das escolas do País.
-Que recados gostarias de deixar para quem faz parte da comunidade de sambistas do nosso país ?
Continuar o trabalho no Samba e zelar pela concretização da Reunião Anual de Escolas de Samba, onde todas as formas de Samba estejam presentes.
-Obrigado companheiro por me dares o prazer de ser meu amigo. Muitas felicidades