ENTREVISTA COM DOIS COMPOSITORES DE SAMBA DE ENREDO DESTA NOVA GERAÇÃO QUE VAI CONTRIBUINDO PARA O ENRIQUECIMENTO DO SAMBA EM PORTUGAL. TRI-CAMPEÕES ESTE ANO NAS DISPUTAS. RODRIGO VENTURA E MIGUEL BRUNO





- Quando começaste a compor samba de enredo ?
 Quando começou a vossa parceria ? De quem foi a ideia ?


RV - O meu primeiro samba foi com o meu parceiro Miguel Bruno em 2010 para a escola de samba kan-kans, a primeira escola por quem desfile no Carnaval.

MB - A primeira vez que surgiu a possibilidade de fazer um samba de enredo para Carnaval foi no ano de 2009. Na altura a convite de uns amigos meus que seriam a harmonia da escola de samba kankans, optei por fazer uma adaptação da letra de um samba concorrente, sendo a única até hoje.
Curiosamente o primeiro original que fiz foi com o meu parceiro Rodrigo, no ano em que ele se estreou no samba pediu me ajuda para fazer o samba que ele iria representar também na escola de samba Kankans.

- Vocês compõe em cima do estilo de cada escola ou tem um estilo proprio? Como funciona isso?



RV - Inicialmente, nas primeiras parcerias, tentávamos encontrar um equilíbrio entre o nosso estilo e o estilo da escola em questão. Nos últimos sambas essa "preocupação" foi esquecida, surgindo as letras e melodia naturalmente.

MB - De facto deixamos de nos preocupar com isso. No ano anterior, em estreia no concurso do Trepa, tivemos preocupação para com o samba, até porque a nós se junta o Renato Guimarães na criação, para não fugir aos padrões daquilo que achamos ser uma identidade da escola. Agora fazemos samba como nós gostamos, sempre tentando ser criativos.



- Qual foi o melhor( ou que mais gostaram ) samba que vocês composeram ?


RV - Um samba que por acaso não foi vencedor, Charanguinha 2014.

MB - Por estranho que pareça mas o que mais gostamos e reconhecemos qualidades é ao primeiro que apresentámos na Charanguinha mas que infelizmente não passou na direção da escola. Os sambas que o Alexandre Camões me convidou para participar, sendo com ele e para escolas em França, em francês quase totalmente, foi uma boa experiência e um gozo especial.



- Em quanto tempo vocês já composeram um samba?


RV - O tempo Record foi 45 minutos.

MB - Em menos de duas horas já fizemos dois. Este ano tivemos o inverso e para finalizar um dos sambas foi preciso cerca de 2/3 semanas.



- Como funciona a vossa parceria? Cada um escreve uma frase ou as idéias vão surgindo naturalmente?

RV - O Miguel explica isso melhor que eu!

MB - Para ser sincero já o fizemos de várias maneiras, sendo que cada uma tem o seu sentido. Já fizemos melodia primeiro e encaixamos letra, já fizemos frase a frase, mas geralmente temos letra primeiro e vamos adaptando e reescrevendo consoante as nuances que queremos de melodia.
A nossa parceria funciona na perfeição porque falamos a mesma linguagem, sendo que eu escrevo e corrijo melodias, ele mete melodias e corrije letras.


- Tem encontrado enredos mais delicados parta compor o samba ?

RV - Na verdade sim. Existem temas mais complicados para compor mas normalmente até são esses mesmo que nos dá mais gozo, devem ao facto de serem mais desafiantes.


MB - Sim claramente há enredos que dão mais trabalho, que nos dá mais interesse, uns que se tornam mais desafiantes que outros. Isso é normal de acontecer. Por exemplo o enredo "Celebração da Vida" é um tema que é fascinante para escrever, assim como o oposto é um aniversário de uma escola por exemplo, pelo significado do mesmo.

- Qual a sensação de ter vencido este ano já em 3 Escolas de Samba ( Trepa- Charanguinha e Costa de Prata ) ?

RV - É extremamente gratificante. E a melhor sensação de todas é a de ver as pessoas entusiasmadas a cantar os nossos sambas.

MB - É uma sensação de pura satisfação. Quando nos propomos a fazer é óbvio que queremos o melhor, e neste caso queremos o melhor para estas 3 escolas. Sendo nas que mais admiro, que frequento, que desde miúdo acompanho é um orgulho enorme.O ano anterior já tivemos esse prazer no trepa e Charanguinha a diferença neste ano foi participar no concurso da Costa de Prata e também vencer, voltar depois de 2013 a ter essa honra de poder desfilar com uma criação nossa.


- Tem sido cansativo participar de todas estas disputas ?

RV - Não necessariamente. Até porque quem corre por gosto não cansa não é? Além disso os nossos encontros são sempre motivo para brincadeira , alegria, muito samba bom e claro uma cachaçinha para dar aquela inspiração kkk

MB - Gostamos disto, não nos devemos é envolver demasiado.



- Como gostarias de ver a evolução dos compositores de samba de enredo em Portugal ?


RV - Penso que o nível evolui bastante. E toda está qualidade entre os compositores tornam ainda mais saborosas as nossas vitórias.

MB - Cada um evolui ao seu ritmo, e cada qual sabe de si e o que quer para si.O que eu desejo aos meus é evolução e tenho ajudado com o pouco que sei,os que sabem como eu sou e penso estas coisas, no final saímos todos a ganhar.

- Com tens visto a evoluçao de sambas de enredo no samba em Portugal ?


RV - No que fiz respeito aos concursos penso que é muito positivo e enriquecedor pois traz mais diversidade e qualidade a todos os amantes do samba. Com tudo isto as escolas têm assim muito a ganhar com todo o leste de oferta, nesta difícil missão de escolher qual o melhor samba para levar no Carnaval na avenida.

MB - Cada um evolui ao seu ritmo, e cada qual sabe de si e o que quer para si.O que eu desejo aos meus é evolução e tenho ajudado com o pouco que sei,os que sabem como eu sou e penso estas coisas, no final saímos todos a ganhar.
Gostava que pelo menos os que não sabem ou que nunca fizeram, deixa sem de opinar o trabalho dos outros, muitos desses profetas do samba influenciam, com as suas opiniões(opiniões são válidas quando bem redigidas)nas redes sociais, os mais jovens e os outros sambistas em geral, com comentários infelizes onde desvalorizam os seus trabalhos,para enaltecer só de um ou outro amigo, e na verdade nem toda a gente gosta de arroz. A mim não me afeta, conheço muita gente assim, embora sei que para alguns isso sim é o que interessa. Porém os compositores como tenho visto nestes últimos tempos não é por participarem ou encomendar músicas a outros para participar que são melhores ou mais sambistas por isso, para mim deixam de o ser quando vejo tanta falta de humildade e no meu caso inveja de quem vence, podia dar exemplos, mas de certeza que não ia valer de muito, agora se for um dos profetas, aí sim kkk

Que tens achado das disputas de samba nas nossas escola? Que gostarias de ver mudado ou que gostarias de ver acontecer nessas disputas ?

MB - Os sambas estão bons e recomendam se. Temos rapaziada muito boa aqui em Portugal a fazer sambas muito bons também. Claro que cada vez há mais gente a participar e em alguns casos isso não se verifica, mas os "mesmos" de sempre,que já o fazem há anos estão aí de boa saúde.
Nas escolas em que participamos todas têm diferenças nos seus concursos, de um modo geral, a sua forma de votação varia assim como a sua apresentação num dos casos.
A nível da votação são eleitos ou pelo voto dos associados no total, um júri nomeado pela escola ou ainda uma votação tripartida.
Na minha perspetiva qualquer que seja o molde do concurso ele nunca vai agradar a todos, podemos pensar que um é mais imparcial que outro, mas no fim o que tem que ganhar é o melhor, quando isso não acontece é sinal que poderá haver ainda algumas alterações a fazer. Falando dos que já vi de fora acho que tem vencido o melhor em quase, senão todos os casos.
Quando digo melhor, será naturalmente no meu entender!


Obrigado pela vossa colaboração para esta pequena conversa. Tudo de bom pra vocês e continuação de muito sucesso e felicidade naquilo que fazem pelo samba.

RV-Valeu Guerreiro!

MB- Obrigado pela oportunidade de dar um pouco a conhecer o nosso trajeto e algumas opiniões nossas em relação a estes assuntos. O samba é parte de nós e não a nossa vida.
Espero que seja duradouro este seu trabalho de divulgação do samba em Portugal, sempre de forma imparcial e com brio. Um abraço companheiro, e já agora um bom Carnaval para si e para a comunidade em Portugal :)
Abraços



PEQUENO BATE-PAPO COM JUAN RODRIGUEZ


Conversa que já se justificava na actualidade com um dos melhores " fazedores de sonhos " em Escola de Samba portuguesa. CARNAVALESCO DA ESCOLA DE SAMBA VAI QUEM QUER DE ESTARREJA : JUAN RODRIGUEZ


Bem vindo Juan....
Como foram estes últimos Carnavais na VQQ em que participaste ?


Em 2013 o Nuno Sardine pediu-me para desenhar umas fantasias de carro alegórico para seu enredo dos Super-Heróis, eu achava o tema super louco e  aceitei logo. A ideia dele era Sobre X-MAN e seriam para quatro destaques femininos representando  Walverine e Storn. Eu já estava mesmo com muitas saudades da minha escola e pouco a pouco fui voltando e ganhando o carinho da minha verde e branco novamente. Lembro-me perfeitamente nessa altura ver como a escola estava diferente e para melhor, pensei, cresceram bastante J
Em 2015 O Nuno Teixeira e eu assinamos um projecto juntos, para uns era um sonho da escola, para outros os comentários eram de que as diferenças de estilos de ambos não eram compatíveis, eu pessoalmente acho e hoje em dia sei que essas diferenças nós completavam e isso era visível no resultado final.
Quando realizamos um Carnaval a solo, as ideias por vezes ficam limitadas sempre dentro de um mesmo circulo, em 2015 e pela primeira vez vi e tive a certeza que o Sardine é mesmo louco J e nas nossas conversas para a realização do projeto sobre “Experimenta o Futuro” davam-se verdadeiros brainstormings  onde de uma ideia surgiam outras e outras, era mesmo viajar na imaginação sem limites. O mesmo acontecendo para o Carnaval de 2016 com “GAME OVE TRY AGAIN”.
Algo muito importante a salientar é a importância da equipa por detrás dos carnavalescos, já que sem eles nada somos. Pessoas como Anabela Arrojado, Joana Miranda, Débora Arrojado, (eu não vivo sem elas J) Rui Marques, Nuno Duarte, Andre Bastos,  Amandina Marques,  Vitor Bastos, Celeste Carvalho, Conceição Pessoa, Ana Gomes, Susana Temudo, Vasco  Rocha, Barbara Coutinha, Ricardo Ferreira, Roberto Oliveira,  Costureira Lurdes e Vitoria, etc, etc , etc. Eles fazem acontecer e se esforçam bastante para tudo estar como planeamos e é de louvar a capacidade que eles tem de aturar o nosso stress constante, ja que fazer carnavais megalíticos é de uma responsabilidade e dificuldade  incrível, tem muita coisa que falha e é normal o por orçamento ou por tempo e isso não é nada fácil de gerir. Mas no geral tem sido muito bom independentemente classificações.



- Como tens visto a evolução das escolas em Portugal a nível de fantasias e adereços?


Olha, eu sou uma pessoa que acompanha muito  o Carnaval e as tendência dos melhores no rio de janeiro, tanto no trabalho de carnavalescos e figurinista, por isso que é lógico eu fazer comparação com o que vejo em Portugal, sinceramente  não acompanho todas as nossas escolas, mas tem algumas que aprecio muito  como é o caso do Bota no Rego onde o trabalho plástico é maravilhoso.
- Como vai ser o projecto para a VQQ no Carnaval 2017 agora que embora havendo muita hesitação acabaste por assumir ? E que foi que fez com que te decidisses em avançar ?


2017 não estava mesmo dentro dos meus planos, foi tudo muito rápido e digo-te que  a decisão foi no sábado passado a tarde, muita gente ao longo do tempo estava a pedir ao  Nuno Sardine e a mim para avançarmos com um projeto e  por muitos motivos para nós era impossível. Toda esta situação e ao longo do tempo estava-me a custar muito e ver que a VQQ não conseguia arranjar ninguem para nós substituir estava-me a consumir a alma e às únicas pessoas que poderiam levar um projeto seriam a Joana Miranda, Rui Marques ou Anabela Arrojado, mas eles também por fortes motivos não lhes era possivel comandar o “barco”.  A Débora e a minha filha Iara forçaram-me muito para aceitar, não sei se tomei a decisão correta, meu coração diz que sim o meu corpo vai-se queixar, minha familia terá saudades minhas e também, depois de ter feito dois temas com o Sardine, uma parte de mim não se sente fortemente seguro em ideias e assusta-me um pouco não conseguir superar as expectativas. Hoje em conversa com o Sardine disse-lhe que ja estava a espera de uma certa pessoa chegar perto de mim e dizer “esperava mais”

Em relação ao enredo de 2017, a simplicidade será importante ja que por vezes o pouco é muito e a luta contra o tempo será algo muito dificil de gerir sozinho... A lei de MURPHY estará sempre presente o que me vai obrigar a arriscar pouco. Pretendo algo bonito para agradar toda escola, público e Juri e que todos se divirtam em primeiro lugar.
Pouca coisa está esboçada e algumas ja estão minimamente pensadas, o carnaval nesta altura ja tinha de ter arrancado por isso a minha preocupação triplica.
O título do enredo será divulgado em breve e espero ter todos disponível para a elaboração do mesmo ja que
TODOS JUNTOS SOMOS A VQQ

Obrigado pela tua disponibilidade para esta" pequena conversa. "

MAIS UMA ESCOLA DE SAMBA EM PORTUGAL ( Porto Alto )


ENTREVISTA COM MARCO SILVA director de bateria da Escola ( responsável pela parte musical e a função de ensinar a tocar instrumentos de uma bateria ) de Samba UNIDOS DA AREPA ( Porto Alto )



- Seu nome e que cargo ocupa na escola ?



O meu nome é Marco Silva , sou a pessoa que está entregue á parte musical deste nosso projecto , com a função de ensinar a tocar alguns dos instrumentos que compõem uma bateria .


- Como foi e de quem foi a ideia de criar esta escola de samba ?


A ideia de formar esta escola de samba ,é algo que tem estado guardado dentro de uma gaveta ,já vai para uns 12anos. Vive-mos numa terra com forte tradição de carnaval , embora muitos digam que o nosso carnaval é mais um carnaval trapalhão, a verdade é que desde que tenho memória sempre foram apresentadas escolas de samba no desfile de carnaval aqui na nossa terra. Estes últimos anos a qualidade desse mesmo desfile tem vindo a decair imenso e já não vemos tanta afluência de gente como se via antigamente, daí termos decidido que seria este ano que iria-mos dar o nosso contributo e conhecimento da grande festa que é o Carnaval,e assim nasceu a Escola de Samba Unidos da Arepa. A Arepa é uma colectividade que tem pouco mais de 20 anos ,se não estou em erro vai celebrar 23 no próximo dia 18, e tem várias secções desportivas e culturais.

- Já receberam muitas inscrições ?


As inscrições estão abertas a todos que tenham interesse em participar deste novo projecto , a partir dos 8 anos sem limite de idade, e tanto para a parte da bateria ,como para a parte da dança. Já contamos com uma dezena de elementos e com a participação da secção das danças de salão da Arepa ,á qual ficará muitíssimo bem entregue a comissão de frente da nossa escola.


- Que apoios vos são fornecidos para ajudar no projecto ?


Neste momento não temos qualquer ajuda ou apoio das entidades da terra, contamos com a boa vontade e disponibilidade financeira de conhecidos e amigos e claro dos membros participantes da Escola de Samba .

- Alguns dos vossos elementos que vão desenvolver este projecto tem experiencia de algo no samba ?



No que toca a experiênçia e conhecimento da causa, posso lhe adiantar que eu mesmo tenho 6 anos como percursionista de escola de samba , foi o inicio de tudo e foi em Genéve , estive emigrado cerca de 10 anos na Suiça e foi lá que entrei no mundo do samba pela mão do Mestre Israel Tavares , o nome da bateria era  "Bateria Cachaçamba". Depois disso e já em Portugal estive ligado a projectos mais pequenos. a nossa professora de samba , a minha excelentíssima esposa, lol , Aurea Stella, também têm muitos anos de participação como passista em diversas escolas aqui da região.


- Vão procurar sair já no proximo Carnaval com Enredo proprio ?


2017 será a primeira participação dos Unidos da Arepa, iremos fazer um cover de um enredo de 1995 apresentado pela Portela mais precisamente, ligeiramente alterado a nivel da letra , esperamos conseguir ter a parte da bateria a desfilar na avenida, se tal não for possível, não faz mal, estaremos lá na mesma e iremos gritar bem alto: " Abram alas, deixem a Arepa passar, somos voz que não se cala, somos canto de alegria no ar".

Visitem a pagina da Escola no Facebook em : Escola de Samba Unidos da Arepa


Desde já o nosso grande obrigado, da parte dos Unidos da Arepa para si e todos os que vivem e vibram com o samba em Portugal e arredores, Saudações Sambistas.

ENTREVISTA COM RUI VIEIRA ( BATERIA DA SFRUA )

                                                    





     ENTREVISTA  COM RUI VIEIRA ( Bateria da SFRUA)- Alhos Vedros.



Nome e idade ? –
Rui Vieira, 41 Anos



Como começou o projecto da bateria da SFRUA em Alhos Vedros ? –
A bateria da SFRUA pela 1ª vez fez parte do nosso corso carnavalesco em 2005 com outras pessoas embora não fosse a sua prioridade que a bateria fosse apenas uma bateria de samba, a partir de 2008 a direção decidiu mudar os responsáveis pela bateria e apostar na vertente do samba tendo convidado o meu pai a chamar pessoas ligadas ao samba para iniciar o projeto ao qual aderi prontamente tendo depois ficado como um dos responsáveis pela bateria até hoje.



Como e quando começou esta tua historia com o samba e qual o teu trajecto? –
Bem, o meu Pai sempre foi um amante de música brasileira e por isso era frequente na nossa aparelhagem tocar Beth Carvalho, Alcione, Martinho da Vila entre outros e por isso desde muito novo que o samba fez parte da minha vida.
Mais tarde o meu Pai esteve envolvido na organização dos primeiros corsos de carnaval de Alhos Vedros e na altura não havia bateria, o corso era alimentado musicalmente através de cd’s e a música difundida para o corso através de um emissor de rádio e de vários recetores que estavam colocados em cada carro alegórico e o meu pai incumbiu-me da tarefa de a partir de uma cabine de som por os cds a tocar para que não houvesse quebras, no fundo mais papel de Dj. E durante alguns anos essa foi a minha função no Corso de Carnaval de Alhos Vedros.



Quais as maiores dificuldades sentidas pela vossa Escola ? –
São várias, mas talvez a principal seja a falta de pessoal para ajudar na concepção do corso de carnaval e claro está as dificuldades financeiras que neste momento todas as escolas enfrentam.



Que apoios tem para suportar os custos do material e trabalhos para o Carnaval ? –
Temos os apoios da Câmara Municipal da Moita e da Junta de Freguesia de Alhos Vedros que desde o primeiro corso tem ajudado a SFRUA e algum dinheiro que fazemos com iniciativas e angariações de fundos e publicidade.



Quais o(s) mestre(s)- directores de Bateria que admiras e te servem de exemplo ? –
Em Portugal as primeiras pessoas que nos deram as bases para podermos iniciar a bateria e que me mais influenciaram foram o Reinaldo Nunes de Sesimbra e o diretor de bateria do GRES Bota no Rego de Sesimbra Ricardo Alves “Chora”.
No Brasil tenho uma profunda admiração pelo trabalho do Mestre Ciça atualmente no GRES União da Ilha do Governador do Rio de Janeiro.



Teu instrumento preferido numa escola e por quê ? –

Talvez o tamborim, não só por ser o instrumento que toco na bateria, mas porque é um instrumento que nos permite uma certa liberdade de criar toques e variações de ritmos e isso motiva-me bastante.



Quais as caracteristicas que admiras numa bateria ? –
A cadência, a definição de todos os instrumentos, ou seja, conseguir ouvir distintamente tudo o que cada instrumento está a tocar e as paradinhas desde que não sejam muito longas.



Como esta o actual momento do Carnaval em Alhos Vedros ? –
Neste momento vai bem, já estamos a organizar o corso de 2017 e contamos que o corso 2017 seja ainda melhor que o corso de 2016. Gostaríamos de ter mais pessoas envolvidas na organização do corso mas felizmente que as que estão envolvidas são pessoas que se dedicam de corpo e alma.

VEJA VIDEOS SOBRE O CARNAVAL DE ALHOS VEDROS: Carnaval de Alhos Vedros 2016
Como esta o momento actual da bateria da SFRUA ?
Neste momento estamos numa fase de renovação uma vez que saíram alguns membros que já estavam na bateria há algum tempo e estamos num processo de integração de novos membros o que nos têm criado algumas dificuldades na consistência no andamento e cadência da bateria, no entanto não viramos a cara perante as dificuldades e em breve com muito ensaio, dedicação e humildade de certeza que estaremos melhor.




Elementos novos a entrarem ? –
Sim felizmente entraram alguns membros novos e estamos a integra-los a pouco e pouco.



Que progressos tens verificado na escola ? –
Essencialmente a nível da organização e concepção do corso de carnaval tem havido melhorias substanciais.



Como ves o actual momento do Carnaval em Portugal relativamente as escolas de samba? –
Infelizmente vejo as escolas a lutarem arduamente para terem financiamento para fazerem os seus carnavais e os apoios a serem cada vez menores devidos á crise que atravessamos. Gostava também que houvesse um maior intercâmbio entre as escolas do Norte do país e as do Sul, acho que todos ganharíamos com isso.



A nivel de baterias como vês o actual momento das escolas de samba em Portugal ? –

Penso que existem baterias com muita qualidade e que já atingiram um patamar elevado, mas como disse anteriormente, o intercâmbio entre escolas é fundamental para ajudar na evolução das baterias em Portugal, principalmente para as baterias que surgiram há pouco tempo como nós por exemplo. Se não fosse a saudável relação que temos com varias escolas nomeadamente de Sesimbra e da Quinta do Conde não poderíamos ter evoluído.



E a nivel nacional qual a tua opinião sobre as baterias que estão mais evoluidas ? –
Aqui no sul talvez O GRES Bota no Rego e o GRES Trepa no Coqueiro de Sesimbra e no Norte acho que o GRES Costa de Prata foi aquela que mais impressionou.




Que projectos futuros para a bateria da SFRUA ? –
Tentar consolidar o que já aprendemos e evoluir sempre mais e se possível tentar ampliar o nosso grupo., arranjar um cavaquista que toque exclusivamente para a nossa escola para que possamos tocar o samba ao vivo no corso de Alhos Vedros e tentar formar um grupo de roda de Samba. Temos tido muita dificuldade em encontrar alguém que toque cavaquinho e que não esteja comprometido com alguma escola.



O que achas mais necessario para melhorar o samba no nosso país e a actividade das escolas de samba ? –
Principalmente as escolas terem mais apoios e as pessoas terem a noção do trabalho que é preciso fazer para por o corso na rua.
São muitas horas de dedicação, de privação da nossa vida familiar e penso que a população não têm dado muito valor ao esforço enorme que as pessoas fazem para por cerca 400 pessoas na rua todos os anos e tudo o que isso envolve e fazer as pessoas entenderem que a atividade do carnaval não se esgota na altura do corso e que dura durante todo o ano.



Quais os seus momentos mais felizes no samba ?
Sempre que atuamos e vemos que o nosso trabalho está a dar frutos e quando a SFRUA põe o desfile na rua depois de meses e meses de trabalho árduo é uma alegria e um orgulho imenso.



E os menos felizes?
Quando não conseguimos alguns dos objetivos a que nos propomos e quando oiço as pessoas criticarem o corso de carnaval da SFRUA sem terem a mínima noção do esforço e da dificuldade que as pessoas fazem para por o corso na rua ano após ano.



Obrigado por esta pequena sobre samba. Felicidades para ti e para a Bateria da SFRUA.

ENTREVISTA COM JOANA MIRA - Gres Capricho de Abrigada


               ENTREVISTA COM JOANA MIRA




- Nome e idade ?

Joana de Castela e Mira / 28 anos


- Como e quando começou esta tua historia com o samba e qual o teu trajecto?


A minha história? Penso que começou ainda na barriga da minha mãe… (risos) Sinceramente, não sei…. Desde que me lembro de ser gente que o samba faz parte do meu dia-a-dia! Até a música “Come a papa Joana” virava samba acompanhado de violão sempre que fazia cara feia à sopa da minha mãe….
O meu trajeto como sambista começa, como é óbvio, em Abrigada. Apesar de não me lembrar, bem cedinho integrei a ala mirim. O meu trajecto passa por esta escola toda a minha vida apesar de não sair sempre na Avenida (durante algum tempo integrei apenas a comissão de apoio). Desde o ano de 2009 que fiz parte da Comissão de Carnaval, tendo-me mantido como Gestora do espólio da escola até a Abril deste ano (ao ser eleita a nova Comissão). Desde o ano em que a escola fechou funções, aproveitei para me envolver em novos projectos. Desta forma, participei durante um ano na Escola de Samba Sócios da Mangueira (desfiles de Carnaval, espectáculos de palco e participação no concurso de destaques) e organizei em conjunto com a ARCAS um projecto de passistas em Samora Correia denominado Passerelle Sambista durante os últimos 2 anos.


- O que levou a escola a ter interrompido de novo as suas actividades depois de um ano muito intenso como foi esse último em 2014?


Não foi nada que já não previsse…. Aliás, penso que haja um filme seu no dia da Festa Tropical em que refiro exactamente isso! Abrigada não tem Carnaval próprio…. Esse é o principal ponto! O facto de não termos uma ajuda certa da nossa Câmara ou Junta de Freguesia torna tudo muito mais complicado! Todos os anos estamos à procura de contrato. Seja manter o anterior ou arranjar um novo. Com esta crise financeira torna-se muito difícil, cada vez mais difícil arranjar um contrato que seja…. Quanto mais o valor que precisamos para pôr a escola na rua com o brilho que ela merece!
O segundo ponto, Abrigada é uma aldeia pequena… Tem muito pouca gente… Com a falta de tempo e de dinheiro é complicado manter as pessoas… A maioria de nós trabalha longe… Trabalha muito… Pessoas que movimentavam imenso a escola de samba não estão cá… Antigamente… Quase todas as noites o pessoal estava na sede…. Hoje? Bem numa terra com tão poucos habitantes existem 5 cafés abertos à noite…. As pessoas dispersam…. A mentalidade é outra….
O terceiro ponto, está muito próxima do Carnaval de Torres Vedras… Como devem calcular a cultura da nossa região baseia-se mais nas “Matrafonas” do que na arte do samba! Tenho plena noção que a maioria das pessoas que nos vêm nas ruas da nossa terra vão mais pela beleza do que pelo show que lhes estamos a prestar!
O quarto e último ponto… A dura realidade é que não soubemos manter a Capricho de Abrigada…. Nem eu sei dizer o porquê… Talvez a culpa nem seja nossa… Talvez seja… Talvez sejam os pontos acima referidos…. Mas a chama ia-se apagando… Eu que vivi todas as fases da escola… sinto isso… e sei que outras pessoas também o sentem….


- Nestes dois anos estiveste inserida em outra realidade...outro Carnaval...como foi a tua experiencia nos Sócios da Mangueira e que obtiveste dessa experiencia?


Neste momento sinto que sem samba é difícil estar… É algo de que preciso para o meu bem estar… Ao levar com a notícia arrebatadora que não havia Comissão para dar continuidade a Abrigada… Pensei logo nos Sócios da Mangueira… Bem, eu poderia enumerar mil e uma razões para ir para lá… Mas palavras para quê? Já alguma vez os ouviram? Quem os viu sabe do que falo… é impossível ficar indiferente!! E depois era o facto de defenderam as cores verde e rosa, de conhecer alguns dos constituintes e de me identificar muito com a filosofia deles! Só havia um problema no meio disto tudo… A distância… Pensei muito nisto… Mas não me arrependo nem um bocadinho de cada tostão gasto e de cada quilómetro feito! A experiência enriqueceu-me em todos os aspectos! As pessoas são maravilhosas, acolheram-me todos de braços abertos (sim, eu tinha receio de ser vista como forasteira…)! Fiz muitos amigos… E tenho tantas saudades deles!! Tantas saudades dos ensaios… Tantas saudades de dormir cedo (Sim toda a gente brincava comigo... Mas era apenas cansaço) no sofá da Inês mais o gato dela! Souberam respeitar a distância e o meu trabalho! Sim, porque estava muito ausente! Não podia estar em todos os ensaios… Em todas as saídas! Mas não era porque não queria! Ou estava a trabalhar ou era o dinheiro que não esticava… E acima de tudo… aprendi muito! Sobre regras, sobre samba, sobre fantasias! E vi um espelho em muitas pessoas que estavam lá…. Vi a mesma paixão… a mesma “maluqueira”! Juro! Pensei…. “Tchiiii! Afinal não sou a única!!” Cantarei sempre… “Nessa vida, serei sócios da mangueira”
Outro Carnaval… Parece-me haver alguns conflitos de interesses entre quem organiza e quem avalia o Carnaval na Mealhada. Mas gostei do facto de haverem mais escolas perto e de haver uma competição saudável entre elas… Lá respira-se samba, sem dúvida!


- Como foi a ideia da concretização do renascimento da Escola?


Como se deve calcular, eu tentei inúmeras vezes… Mas desta vez foi o contacto que me chegou a mim… Após mais um Carnaval em Abrigada sem samba… E com um baile de carnaval quase vazio, um grupo de sambistas juntou-se e começaram a fazer uma Comissão. A notícia chegou através do Duarte Santos… E apesar de não poder estar tão presente como em anos anteriores…. Aceitei claro!



- Como esta a aderencia de novos sambistas? Os antigos regressaram também ? Estão entusiasmados e acreditam nesta nova fase ?


A adesão de novos está excelente! Temos tido imensas pessoas novas numa fase que para muitos pode parecer muito antecipada mas que é imprescindível para conseguirmos alcançar o nível que tínhamos.
Relativamente aos antigos… Temos 3 tipos de ex sambistas…. Os que estão super entusiasmados e estão envolvidos no projecto, os que ainda estão a ver se a ficha entra e apesar de estarem presentes ainda não estão envolvidos e os que ainda nem apareceram.
Apesar de tudo, penso que é normal isto acontecer… já contava que o arranque fosse complicado e que a altura não é a melhor…. Em meados de Setembro/ Outubro… Quando já tivermos feito algumas iniciativas…. E quando começarmos a preparar o Carnaval, penso que será diferente.



- Quais as maiores dificuldades e maiores necessidades sentidas pela Escola de Samba de Abrigada nestes últimos anos?


Nos últimos anos? Dinheiro acima de tudo! Mas, na minha opinião faltam mais coisas… Não à escola… Mas às pessoas… Não a todas… Nem à maioria (e ainda bem!)… Mas a algumas… Altruísmo, capacidade de entreajuda e camaradagem, espirito de sacrifício e humildade! São bens essenciais para que os trabalhos corram sobre rodas e a Comissão se sinta minimamente motivada. Estou na esperança que com esta paragem as coisas tenham mudado…. Até agora está a correr tudo lindamente!


- Que apoios tem para suportar os custos do material e trabalhos para o Carnaval ?


Neste momento? Absolutamente nenhum! Partimos para o abismo… Temos um pequeno pé de meia que conseguimos manter desde o último ano… e a ajuda dos sambistas que aceitaram o pagamento de uma quota anual (que até agora não existia)… e que sugere a abertura e a vontade de erguer a escola! Assim como a Assembleia…. Estava cheeeeia! Foi tão bom! Agora estamos a organizar eventos para ver se conseguimos angariar fundos e vamos procurar patrocínios na esperança que alguém nos ajude. Qualquer ajuda é bem vinda!


- Como esta o momento actual da Escola de Samba de Abrigada ?


Actualmente estamos a preparar a escola para espectáculo de palco. E estamos a tentar regressar às raízes… Samba no pé, instrumento a instrumento… Tudo do início. Até porque o facto de termos muitos sambistas novos o exige. Já temos 2 eventos agendados. Em Maio o Jantar do Sambista e em Julho uma festa. Relativamente ao Carnaval 2017 já temos tema para samba enredo, sinopse e rascunho das fantasias.


- Que projectos futuros para a Escola de Samba de Abrigada ? Esta em vista também o regresso daquela que era a maior festa de samba do país ... a vossa Festa Tropical ?

Temos muitos projectos em vista… Mas vamos um de cada vez… Temos que ir devagar conforme o orçamento permita. A Festa Tropical é, sem dúvida, um dos nossos projectos mais ambiciosos! Quase de certeza será garantida, mas não este ano… Queremos estar no nosso melhor ao subirmos ao palco!


- Como ves o actual momento do Carnaval em Portugal relativamente as escolas de samba?

Enquanto tive na Mealhada tive o prazer de assistir ao carnaval de Estarreja e Ovar. Penso que as melhores escolas se encontram sem dúvida a Norte. É o nível, a originalidade e a consistência… Todas nós evoluímos bastante, sem dúvida!


- O que achas mais necessário para melhorar o samba no nosso país e a actividade das escolas de samba?


Gostava de uma maior aceitação por parte da população portuguesa e das organizações. Que percebessem os gastos que temos e que nos dessem mais visibilidade. Já se começam a ver algumas evoluções nesse aspeto também… Principalmente em Ovar. E isso é muito bom! Também penso que o maior contacto entre as escolas é essencial. Mais coisas com a Mega Bateria ou o Troféu Nacional! A troca de experiências é essencial assim como o convívio.


- Quais os seus momentos mais felizes no samba? E os menos felizes?


Mais felizes – Sempre que a minha escola sai.
Menos felizes – Sempre que fico parada no Carnaval.


Obrigado por esta pequena sobre samba. Felicidades para ti e para a Escola de Samba Capricho de Abrigada.

Obrigada por tudo! beijinho.


ENTREVISTA COM JOTA CHARANA


                                   ENTREVISTA COM JOTA CHARANA



Nos últimos anos algo foi mudando desde o teu começo no samba em Portugal. Onde começaste e como foi o teu trajecto?


Não é uma resposta fácil até porque já passou algum tempo. Lembro-me dos corsos carnavalescos que participava em criança, isto nos anos 90.O início das baterias de samba na Figueira. O primeiro Grupo teve por nome “Os Marrriates” (com três “R”). Foi neste meio que cresci.
Em Outubro de 1995 dá-se a fundação da Escola de Samba de Buarcos, que posteriormente em 2000 viria a chamar-se escola de samba A Rainha, saindo à rua em 2001 pela primeira vez com este nome, fiz parte até Fevereiro de 2002.


Abril de 2002 nasce a Associação Unidos do Mato Grosso por minha mão e de mais seis amigos. Aí permaneci presente até 2013

2014 e 2015 rumei a Estarreja onde tive o privilégio de participar através da verde e rosa Trepa Coqueiro.

Os últimos anos tiveste a experiencia no Carnaval de Estarreja. Que opinião tens sobre esse Carnaval e sobre o nível das Escolas de Samba?


Actualmente e no que diz respeito a qualidade de escolas de samba é o melhor carnaval do país, bem organizado e com infra-estruturas bem pensadas, escolas com muita qualidade e uma massa humana que sempre aparece para encher as bancadas participando efusivamente.
No entanto acho que pecam no momento do julgamento das escolas. Seria melhor tentar arranjar júris com conhecimento para o efeito e que estes estivessem presentes no momento do lançamento de notas ao vivo.

Devia ser obrigatório também a comparência dos mesmos nos barracões das escolas com vista a conhecer melhor os enredos, sambas, fantasias, ensaios…de modo a facilitar o julgamento. Com isto não ponho em causa classificações. É a minha opinião baseada no que vi e nas consecutivas ondas de contestação na apuração de resultados.

A qualidade das escolas aliada a qualidade de julgamento daria um carnaval total.



Porque decidiste este ano não voltar a participar do Carnaval de Estarreja com o Trepa Coqueiro ?


Por opção de ambas as partes e para que a escola saísse favorecida. No entanto continuo afecto à escola desejando o melhor para o futuro

Como foi o teu Carnaval 2016 ?


Diferente e atípico. Vivi de fora pois este ano não participei em nenhum corso.
É complicado vir do Rio e encontrar a nossa realidade, a “pica” desaparece.
Parece estar quase tudo errado. No entanto acho que foi a melhor opção.


Tens ultimamente participado de vários concursos de samba de enredo?
Como tem sido e que opinião tens deles?


Na minha opinião o concurso só faz sentido quando o colectivo fica a ganhar. É minha convicção que através de um concurso haverá mais possibilidades de obter um melhor samba, no entanto acho que 90 % das escolas ficam prejudicadas no resultado obtido, ou por má organização e falta de regulamentos credíveis ou por falta de coragem de quem vota, que não consegue separar as amizades dos sambas, ficando a escola sempre a perder. O resultado tem sido visível ate nos resultados de carnaval, é só ver as notas dos sambas e respectivas harmonias e comparar com o resultado das escolas e avaliar a prestação global das escolas ao som de sambas sem power, sem picos e vibrações, contudo há escolas que têm uma matriz de concurso em que isto não acontece.

Como tens visto a evolução do samba de enredo em Portugal ?


Noto que todos os anos aparecem dezenas de compositores novos, que é de salutar o seu aparecimento mas que todos deveriam de ter noção da qualidade apresentada. Fazer um samba não é só colocar uns acordes e ir buscar a uma sinopse as palavras mais apaixonadas e apresenta-lo.
Gostos não se discutem, mas aprecio com alguma perplexidade a opinião dada por pessoas com muita sabedoria e posição, a alguns sambas que surgem e são conotados como espectaculares com base não na qualidade do samba mas sim pelos seus autores. Acho que vivemos numa nova fase onde queremos seguir aquilo que se faz no outro lado do oceano mas onde se tenta encaixar isso a ligações de amizade e interesse onde por vezes as escolas ficam a perder.
Acho que ainda não conseguimos eternizar sambas nossos no entanto todos os anos surgem grandes sambas, a meu ver construídos sempre pelos mesmos.


Como vês o actual momento do Carnaval em Portugal relativamente as escolas de samba?


Vejo com alguma preocupação pois todos os carnavais passam por dificuldades derivado ao estado do pais e à redução de orçamentos. Havendo escolas que trabalham muito bem durante o ano com vista ao encaixe de verbas e massa humana que possam ser postas em prática em Fevereiro.
Acho também que as escolas não se devem fechar ao carnaval e devem manter a actividade sambista durante todo ano. As que isso conseguem fazer, normalmente na avenida fazem a diferença.

Relativamente aos concursos nas várias cidades e até no Troféu Nacional que opinião tens sobre os critérios de avaliação, dos jurados e votação e justificativas dos mesmos?



A minha opinião dada sobre o carnaval de Estarreja é igual para todas as cidades e para o trofeu de samba.
Júris credíveis e com conhecimento, obrigatoriedade de acompanhar a preparação dos desfiles de todas as escolas. No dia, justificações dadas com seriedade e que estas possam ser objecto de correcção das escolas nos itens penalizados. Divulgação de notas ao vivo como no rio mas com o corpo de jurados presente de forma a responsabiliza-los pelo seu trabalho, pois julgar o trabalho de mais de cem pessoas e de um ano de trabalho de uma escola não pode ser de ânimo leve.
Critérios à Rio e notas à décima.


Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal?


Sinceramente acho que tem havido uma estagnação relativamente à qualidade das escolas muito devido a uma evolução repentina à uns anos das mesmas. Isto aliado a sucessivas diminuições de orçamentos camarários

Para ti quais as escolas que mais tem evoluído em Portugal no geral de todos os quesitos?


Indo critério a critério seria mais fácil no entanto no geral tenho para mim  que a escola que mais evoluiu e isso deveria ser objecto de mais divulgação foi a escola Amigos da Tijuca. Têm-se apresentado no carnaval de uma forma muito interessante. E em palco tentam sempre ir para a inovação não caindo no marasmo de outras.


A nível de bateria quais as que mais tem evoluído na tua opinião?


Acho a evolução da bateria da Costa de Prata espectacular, mostrando muito trabalho não só em palco mas em desfile, muito organizados com preocupação em abordar todo o tipo de instrumentos, com uma qualidade acima da média, conseguindo ganhar um swing muito bom. Acho também quando tentando reproduzir um samba de escolas cariocas, o conseguem fazer melhor que qualquer outra escola lusa. Muitos parabéns a todos os directores de bateria da vermelho e branco, este resultado para mim demonstra muitas horas de trabalho e saber estar.


A nível nacional que mudanças ou evoluções gostarias de ver acontecer para melhorar o nível das escolas de samba e dos seus desfiles?


Cada carnaval tem o seu ambiente e tradição local e aí não tenho conhecimento aprofundado para opinar, mas no geral se houvesse um trofeu de samba mais completo e mais intercâmbios de escolas em desfiles acho que todos ficaríamos a ganhar.

A criação de uma Associação de Carnaval de Portugal constituída por elementos de todas as escolas a meu ver seria um passo importante, não só em termos institucionais, de transparência, de apoio a todas as escolas, mas também seria um meio de se trabalhar no alargamento da divulgação do samba. Fazer chegar o samba a locais do país onde ele é desconhecido. Esta associação seria uma ferramenta única que poderia reforçar o papel das escolas não só no seu concelho, mas no país, projectando as mesmas para o exterior com fim na divulgação. Sendo uma utopia não deixa a meu ver de fazer sentida e de ter muitos pontos positivos.


Como analisas as rivalidades existentes entre as escolas de samba em Portugal? E como gostaria que fosse a ideal convivência entre elas?


Na minha óptica se todos gostassem mais do Samba do que das próprias cores as rivalidades desapareciam, ganhava-se muito mais respeito, desapareciam hipotéticos estatutos bem como faltas de humildades que em nada favorecem o meio. Acho contudo que há muito mais abertura ao diálogo entre “rivais “do que outrora, mas ainda há carnavais onde direcções “puxam a brasa à sua sardinha” mesmo sabendo que o global ou geral do carnaval fica a perder, a meu ver isso não é correcto.
A cultura do saber perder e reconhecer mérito no adversário deveria ser imposta de cima, e isso em muitos casos não se verifica.


Conta-nos um pouco de como foi a tua experiencia das tuas idas este ano ao Rio de Janeiro e mais propriamente a esse mundo do samba?




Muito haveria para contar. Efectivamente é tudo muito diferente. A escala ultrapassa os limites. As escolas estão num nível surreal. Tive a dádiva de estar em quase todas quadras das escolas do grupo especial. Assisti a ensaios, gravações de maquetes e vinhetas para a globo, tive com figuras que eu pensava que não eram reias. É mesmo outro mundo. Da Grande Rio de Caxias, à União da Ilha do Governador, à quadra da Unidos da Tijuca, a da Vila, Mangueira, Salgueiro, Estácio, Viradouro por ali vivi coisas que jamais esquecerei. Ali conheci “monstros” do samba onde muitos deles ainda mantêm contacto comigo.


Tive a oportunidade de assistir no “ chão que floresce a nobreza para o samba passar” um “templo sagrado à luz do luar”, que é “apoteose de todo o sambista” aos ensaios técnicos do Salgueiro Unidos da Tijuca , Viradouro, Grande Rio, Tuiuti, Portela. Para isto não há adjectivos.


Ficou a faltar ver o ensaio técnico da minha Beija-flor. Escola que me recebeu de braços abertos, tanto na quadra como no barracão, onde criei laços de amizade que jamais desaparecerão e que se mantêm vivos, longe de apadrinhamentos forçados e para a fotografia.


O início de muitas amizades, de um simples pintor do barracão ao lendário Neguinho passando pelo Laíla, Claudinho, Selminha, Betinho do Cavaco…Tive a dádiva de conhecer o Braço direito do Senhor Anísio, pessoa que me apresentou a todo mundo azul e branco como o sobrinho dele de Portugal e dai virou meu Tio Zé António, responsável pela Beija flor internacional departamento financeiro, logística, barracão, quadra… ele é o “cara”, e esse ”cara” realizou o sonho de uma pessoa que vive carnaval e isso não se paga nem se compra.


Muito mais haveria a contar, mas valeu a pena ir ver o Rio bem lá de cima do Cristo. Esse cristo que me abençoou e me fez multiplicar a paixão que já sentia por aquele chão, que me fez realizar um sonho pela mão do meu Tio. Tio esse que proporcionou tocar na melhor bateria do Rio que até ganhou o estandarte de ouro deste ano. Enfim estas coisas são destinadas por alguém, e o que é nosso a nós vem. Em breve lá estarei de novo.



Quais os teus momentos mais felizes no samba? E os menos felizes?


Cada carnaval é um momento especial, tal como cada show de palco ou desfile. Felizmente tenho muitos e bons momentos para recordar.
 Mas sem dúvida que dos melhores momentos senão o melhor foi num ano no festival da Mealhada onde eu festejava os meus 25 anos e no fim da actuação da Unidos do Mato Grosso a festa parou com a entrada em palco de enumeras pessoas amigas, umas de escolas, outras sem ligação nenhuma ao samba, subiram ao palco para me dar a prenda mais sentida que já tive.


No verão de 2009 em pleno arranque da minha escola de então no trofeu de samba presenciei outro momento relevante que nunca mais esquecerei, estava eu testando o som e aproveitando para dar aquele esquenta à escola, por motivos de feedback encostei-me à lateral do carro de som devidamente concentrado no que estava a fazer e totalmente abstraído do que me rodeava, ali permaneci uns bons minutos até ao momento do meu grito de guerra. Ai desloquei-me para junto da bateria e eis que me apercebi que enumeras pessoas choravam de emoção, muitos deles me ladearam e abraçaram enquanto dava o arranque do samba. Um momento indescritível e emocionante.


Outra coisa que jamais vou esquecer foi a receptividade no barracão e quadra de ensaios da Beija Flor, era como se tivesse a pisar em nuvens. Estar por dentro daquela inigualável instituição que é tão fechada como bonita, tão restrita como forte onde força vem da união e humildade de cada um que lá trabalha transmite. Ali o tempo pára, o coração palpita de maneira diferente.

Sem dúvida que sendo a primeira de muitas idas de minha parte a tão restrito espaço ficará registado tal vivência de uma maneira muito especial.

Obrigado pela tua colaboração . Abraçaço e muitas felicidades.

Obrigado pelo convite como sempre estou disponível no que for preciso.


Abraço e parabéns pelo teu esforço na divulgação do nosso trabalho.

ENTREVISTA COM RUI MANÉ ( Director de Bateria da Costa de Prata )



ENTREVISTA COM RUI MANÉ- DIRECTOR DA BATERIA DA BI-CAMPÊA DO CARNAVAL DE OVAR. ( Escola de Samba COSTA DE PRATA )






Nome e idade ?

Rui Miguel Rodrigues Mané, 35 Anos.

Como foi o teu início nestas andanças pelo samba?

Em terra de carnaval como é Ovar, inevitavelmente participei nos desfiles em grupos infantis desde muito cedo, mas o que realmente me atraia e fascinava era o som das baterias das Escolas de Samba. Desde muito cedo demonstrei interesse em participar, tinha familiares na E.S. Costa de Prata, aos quais pedi para poder ingressar, mas só me foi possível ingressar em 1994.

Qual o teu trajecto como sambista ?

Como referi anteriormente, comecei na E.S. Costa de Prata em 1994 (onde ainda permaneço). Comecei por tocar caixa, e fi-lo durante 10 anos! Ainda em 2003 a escola forma o Grupo de Pagode Costa de Prata, do qual fiz parte e onde toquei tan-tan. Em 2005 assumo o comando da bateria e passo para o surdo de terceira. Em 2010 ainda vou a tocar repique, mas a partir de 2011 passo apenas a dirigir a bateria.

Como vês o atual momento da Costa de Prata como bicampeã do Carnaval de Ovar e vencedora do Trofeu Nacional de Samba?

Vitórias trazem motivação, reconhecimento mas acima de tudo responsabilidade!
Como já referi em entrevista anterior, os títulos não são o meu foco principal! São sem dúvida o reconhecimento da dedicação e trabalho realizados pela direção, grupos de trabalho e de todos os elementos da escola, mas não são eles que definem a evolução da escola. Dou sempre como exemplo o ano de 2014, em que a escola não ganha o carnaval, fica em 3º Lugar, mas ganha sem dúvida o grupo, pois a escola uniu-se mais que nunca e até tem 40 novos elementos que entram para o ano seguinte.
A escola teve uma “injeçao” de sangue novo, com a entrada de uma nova direção, com um misto de juventude e experiência, com novas ideias e com muita vontade de fazer! Temos crescido nos últimos anos tanto quantitativa como qualitativamente! A abertura da escola à comunidade com a realização do concurso de destaques, o concurso de samba enredo, a Summer Week e agora também o concurso de maquetes, tem permitido a escola crescer. Crescemos como grupo, como escola e como associação! Atravessamos um bom momento, com um grupo bastante unido, somos uma verdadeira família e isso torna-nos ainda mais fortes. Vencemos o Troféu Nacional de Samba e sagrámo-nos bicampeões do Carnaval de Ovar, ambos marcos importantes para a escola, uma vez que foi algo nunca antes alcançado pela Costa de Prata. Mas isso não nos retira o foco nem a humildade! Cabe-nos a nós Direção, manter o crescimento sustentável da associação e o bem-estar de todos os nossos associados, para que possamos continuar a ser a grande família Costa de Prata. São as pessoas e o seu bem-estar que nos movem.


Quando assumiste a direção da bateria da Costa de Prata?

Assumi a direção de bateria da E.S. Costa de Prata em 2005.

Como vês o atual momento da bateria da tua escola?

Tal como toda a escola, também a bateria tem evoluído e atravessa um bom momento! Não é por acaso que vencemos o quesito bateria há três anos consecutivos! Temos evoluído tecnicamente a nível da execução, cadência e afinação. O aumento do número de elementos na bateria tem contribuído para que possamos consolidar os naipes existentes e também para a introdução de novos naipes como o chocalho e o agogô. Temos um misto de pessoas já experientes com pessoas muito jovens e que entraram para a escola sem saber tocar nenhum instrumento, o que tem sido um desafio para nós. No entanto, a amizade existente, a coesão do grupo, a vontade de aprender, de fazer mais e melhor tem-nos permitido superado todas as dificuldades. Somos um grupo de amigos e isso facilita em muito o nosso trabalho.

Quais ou qual a característica mais marcante da bateria da Costa de Prata?

Penso que a característica mais marcante da bateria da Costa de Prata é a sua coesão, uma bateria sem grandes individualidades, sem nenhum destaque em particular, mas forte como um todo. Admiro a evolução feita pela bateria na cadência, afinação e precisão na execução. Não posso deixar de destacar os chocalhos e os agogôs que muito influenciam a sonoridade da bateria no momento.


És "adepto" de que tipo de paradinhas( bossas ) em uma bateria ?

No geral gosto de paradinhas, desde que encaixem no samba e que não sejam demasiado exageradas, têm que permitir que o samba respire. É um gosto pessoal, mas não sou muito adepto de bossas com muitas batidas diretas de pergunta resposta, gosto mais de bossas cadenciadas, com variações rítmicas, com evidenciação do surdo de terceira e tamborins.

O que é para ti uma boa bateria de escola de samba?

Olho para uma bateria de escola de samba como uma orquestra, onde todos são importantes e onde cada um tem a sua função bem delineada. Gosto de sentir todos os naipes sem atropelos e com sonoridade suave. Para mim uma boa bateria é aquela que respira, que tem boa afinação, que executa na perfeição e sem agressividade e de preferência que arrisca no grau de dificuldade das suas bossas.

Normalmente em que altura iniciam os ensaios com vista ao Carnaval?

Os ensaios para o carnaval começam no início de Setembro, numa primeira fase para a preparação dos concursos de destaques e sambas enredos. Após os concursos, Outubro, ensaiamos todas as semanas até ao Carnaval.

Durante o período pós Carnaval ensaiam com que regularidade?

Logo após o Carnaval, se não existirem atuações agendadas, ensaiamos uma vez por mês. Entre Abril e Julho ensaiamos de 15 em 15 dias à sexta à noite e/ou sábado à tarde.



Quais as maiores dificuldades sentidas pela tua escola de samba ou/e em geral pelas escolas de Ovar?

Falando apenas pela minha escola, acho que a maior dificuldade é a disponibilidade da maioria dos elementos da escola para estarem presentes o ano inteiro. Muitos elementos apenas vivem a escola com intensidade nos meses pré carnaval, esmorecendo o interesse nos meses seguintes.
Em relação às escolas em geral, e dando apenas a minha opinião pessoal, a grande dificuldade está em captar os jovens para as escolas de samba. Ovar é uma cidade que respira carnaval, mas aqui o samba é uma parte muito pequena. O forte continuam a ser os grupos carnavalescos, onde a sua grande maioria apresenta qualidade, o que desperta o interesse dos mais jovens, aliado á maior descompressão existente, pois desfilar numa escola de samba exige mais esforço, muito mais ensaio, maior responsabilidade e muito menos “brincadeira”.

Como ves o actual momento do Carnaval de Ovar relativamente as escolas de samba ?

Neste momento vejo com alguma preocupação o panorama das escolas de samba em Ovar, pelo que já referi anteriormente e também por alguns acontecimentos que tem marcado algumas escolas em Ovar. A saída de muitos elementos das escolas faz-me temer a sua redução de qualidade ou até mesmo a sua extinção. Isso não seria bom nem para o samba nem para o Carnaval.


Relativamente ao concurso em Ovar no Carnaval que opinião tens sobre os critérios de avaliação, dos jurados e votação e justificativas dos mesmos?

Ser jurado é muito ingrato, não existe a figura daquele que irá conseguir agradar a todos, pois nunca será unânime, a opinião é sempre muito pessoal. É um pouco como as leis, se ela for clara e exata, é muito fácil, é só olhar e julgar de acordo. Mas não é assim, e em Ovar existe a agravante de não ser dada a justificativa da nota. Já foi sugerida inúmeras vezes mas não foi aceite.

Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal?

Bem, não posso fazer juízos de valor sobre a evolução das escolas de samba em Portugal, pois não faço o acompanhamento de todos os carnavais do País para o poder fazer. No entanto, e dos poucos que acompanho, como escola de samba no seu todo, acho que todas elas têm evoluído positivamente, mas na minha opinião, as escolas de samba de Estarreja são as que têm dado passos maiores na evolução como escolas de samba, isto no aspeto de maior parecença com o Rio de Janeiro. Em Ovar, as escolas de samba apresentam uma evolução significativa nos vários quesitos, mas no que se refere a fantasias apresentam uma evolução diferente, pois não seguem tanto a linha do Carnaval Carioca, mantendo as linhas carnavalescas locais.



Para ti quais as escolas que mais tem evoluído em Portugal no geral de todos os quesitos?

Na minha opinião, Sócios da Mangueira, Vai Quem Quer, Trepa Coqueiro e Costa de Prata.

A nível de bateria quais as que mais tem evoluído na tua opinião? E quais as que mais admiras?

Para além da Costa de Prata, que tem apresentado uma evolução significativa, para mim a bateria que mais tem evoluído é a dos Sócios da Mangueira, sendo uma das que mais admiro, juntamente com a Vai Quem Quer e o Trepa Coqueiro.

No Brasil quais são as tuas preferidas?

No Brasil gosto de todas, cada uma com a sua característica. No entanto consigo destacar claramente das restantes a Salgueiro, Portela, Ilha, Grande Rio e Estácio de Sá.

A nível nacional que mudanças ou evoluções gostarias de ver acontecer para melhorar o nível das escolas de samba e dos seus desfiles?

Penso que a criação da Liga das Escolas de Samba de Portugal era de extrema importância para a evolução do samba em Portugal, existir um denominador comum entre todas, alinhar ideias e traçar o caminho para que todas possam evoluir e caminhar no mesmo sentido. Criar sistemas de votação iguais para todos os carnavais, para que todas as escolas possam seguir as mesmas diretrizes. Criar um evento nacional, à semelhança do Mega Samba, mas não virado só para as baterias, tentar a presença de personalidades do Carnaval Carioca e proporcionar workshops em várias áreas, por exemplo costura, alegorias, adereços, samba no pé, etc.

Concordas com os moldes em que é realizado é disputado (quesitos e jurados que estão a concurso) o TROFÉU Nacional em Estarreja?

Não concordo por vários motivos. O principal é sem dúvida as votações, não é por ter ganho o troféu no último ano que a minha opinião vai mudar! E aqui a criação da Liga das Escolas de Samba teria um papel fundamental conforme referi na questão anterior. Não devem ser as escolas participantes a escolher os jurados. Porque não pegar em pessoas de outras escolas que não estão a concurso e com conhecimentos em cada quesito e colocá-las como juradas?
Outra das injustiças prende-se com a realização do troféu sempre na mesma cidade, não estando à partida todas as escolas em pé de igualdade, pois estando mais perto é muito mais fácil colocar um número maior de elementos a desfilar, e isso faz toda a diferença.


Como analisas as rivalidades existentes entre as escolas de samba em Portugal? E como gostaria que fosse a ideal convivência entre elas?

Hoje em dia considero que já não existe rivalidade. A rivalidade que tem que prevalecer é aquela que considero saudável, nos dias dos desfiles onde todos querem dar o seu melhor. Passando a linha do fim de desfile, todos devemos ser amigos e respeitar o trabalho de cada um. A partilha de conhecimento é cada vez mais uma constante, o convívio entre escolas e a participação nos festivais de samba cultiva a aprendizagem e sobretudo a camaradagem entre todas as escolas. Se assim não for, não estamos cá a fazer nada.

Quais os teus momentos mais felizes no samba ? E os menos felizes?

Felizmente é muito difícil escolher os momentos mais felizes no samba, pois para mim todos os momentos passados no samba são momentos felizes. Consigo destacar o meu primeiro desfile, em 1995 e a minha entrada para a direção de bateria da Costa de Prata em 2005! Destaco também, talvez por ser o meu maior desafio e por isso também um dos momentos mais felizes, que foi pegar em 23 mulheres da escola e formar uma bateria feminina para fazer a abertura o espetáculo de apresentação dos sambas enredos no Espaço Tenda em Ovar (2010).
Momentos menos felizes, não me consigo recordar de nenhum.

Obrigado pela tua colaboração .Abraçaço e muitas felicidades para ti e para a Costa de Prata