ENTREVISTA COM NUNO BASTOS

ENTREVISTA MAIS QUE ACTUALIZADA E OPORTUNA COM UM DOS MAIORES EXPOENTES DO SAMBA EM PORTUGAL- NUNO BASTOS-

Nome e idade?
Nuno Bastos! 30 anos.


Como foi o teu inicio nestas andanças pelo samba?
Posso dizer que o meu inicio nas andanças do samba deu-se com a entrada do meu Pai para a Vai Quem Quer em 1988, pois desde essa altura comecei a frequentar os ensaios e a crescer a vontade de batucar. No entanto, apenas ingressei oficialmente em 1993 na escola, fazendo o meu primeiro desfile de carnaval em 1994.


Qual o teu trajecto como sambista?
De 1993 a 1997 fui ritmista da bateria, tocando caixa (malacacheta). Em 1998 passei a desfilar como interprete e cavaquinista da Escola, acumulando apartir de 2000 igualmente a função de ensaiador e Diretor de Bateria.

Quais as maiores dificuldades sentidas pela tua escola de samba ou/e em geral pelas escolas de Estarreja?
As dificuldades podem variar consoante os momentos e necessidades. Creio que o mais difícil é manter a afluência e a atividade de grande parte dos desfilantes e sócios das colectividades, pois muitos ainda apenas no período de Carnaval se interessam pelo samba e pelas Escolas de Samba, e no restante período não são tao activos, dificultando de certa forma a obtenção de receitas extra para o desenvolvimento e crescimento das mesmas.


Que alterações e melhorias desejavas que acontecessem no Carnaval de Estarreja?
Resumidamente, acho que tanto as Escolas de samba como os restantes grupos de Carnaval (apeados e passerelle) do Carnaval de Estarreja têm registado uma melhoria significativa, apresentando um nível qualitativo geral muito bom, e trabalhando quase de uma forma semi-profissional, onde se denota um grau de exigência elevado por parte de todos os seus componentes. As melhorias, na minha opinião creio que se prenderiam mais ao nível da estrutura do carnaval, tal como a criação de uma “passerelle-sambódromo”, com condições para os desfilantes e para os espectadores, que assim poderiam desfrutar dignamente do espetáculo que lhes é proporcionado. Uma das melhorias que defendia até a uns tempos atrás era a “profissionalização” da Associação de Carnaval, mas que eventualmente nos dias de hoje talvez não se justifique. Mas esse é ponto que na minha opinião deve ser melhorado, mas digo isto sem queres desrespeitar os atuais dirigentes.

Como ves o actual momento do Carnaval de Estarreja relativamente as escolas de samba ?
Creio que o Carnaval de Estarreja deve muito à evolução das Escolas de Samba, pois o crescimento das mesmas atingiu, na globalidade, níveis elevados, fruto da dedicação e empenho dos componentes das mesmas. Essa qualidade tem sido reconhecida, tanto pelos espectadores como pelos próprios desfilantes, assim como por elementos de outros carnavais. Creio que, ao nível das escolas de samba, atualmente será o carnaval mais rico, mais excitante e equilibrado do País. São 5 Escolas que de ano para ano crescem, apresentam excelentes desfiles e entram na disputa pela vitória.


Realativamente ao concurso em Estarreja no Carnaval que opinião tens sobre os criterios de avaliação, dos jurados e votação e justificativas dos mesmos?
Este é um assunto sempre difícil de abordar e que gera sempre controvérsia. Quanto aos critérios considero ajustados. Quanto aos jurados, a questão ainda piora, pois é difícil encontrar pessoas capazes e com conhecimentos justificados para tais avaliações, e isso pode-se comprovar pelas tais justificações que muitos dos jurados dão aquando das suas atribuições de notas. Sobre esta situação tenho a minha opinião e a minha sugestão, que em local próprio quando tal me for permitido irei expor.

Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal?
Como amante do samba, primeiro registo o crescimento de Escolas de Samba, sinal de expansão dessa arte que amamos. De resto, é notório o crescimento e evolução de muitas das escolas de samba em Portugal, apresentando excelentes enredos, desfiles e espetáculos de Palco em eventos por todo o País. É importante que outras, que estando no seu início se inspirem nos bons exemplos existentes e se estruturem como tal, assim como outras que se apelidam como tal, sigam os critérios e “regras” das nossas co-irmãs do Brasil.
 
Para ti quais as escolas que mais tem evoluído em Portugal no geral de todos os quesitos?
Num nível acima, coloco Vai Quem Quer, Trepa de Estarreja, Sócios da Mangueira e Bota no Rego, no que diz respeito a evolução, e por serem as que mais se têm destacado. Não posso esquecer igualmente a evolução das Escolas de Samba Novo Imperio e Unidos de Matogrosso, por em poucos anos terem atingido níveis elevados de qualidade. Outras surgirão e aparecerão nestes níveis, e o samba só tem a ganhar com isso.

A nivel de bateria quais as que mais tem evoluido na tua opinião?
Destaco Sócios da Mangueira, Trepa de Estarreja, Costa de Prata e Juventude Vareira.


A nível nacional que mudanças ou evoluções gostarias de ver acontecer para melhorar o nível das escolas de samba e dos seus desfiles ?
A esse nível, creio que os organizadores têm que ver e pensar o desfile como um espetáculo, e proporciona-lo da melhor forma ao espetador. Aí acho que todos devemos tentar seguir o exemplo do Carnaval de Ovar, que “criou” um sambodromo, com bancadas que dão um maior conforto e visibilidade aos espectadores, permitindo-lhes desfrutar daquilo que as escolas de samba proporcionam, e que em muitos carnavais passam despercebidos, devido as dificuldades de visibilidade dos corsos de carnaval pelo País fora.  

Concordas com os moldes em que é realizado é disputado (quesitos e jurados que estão a concurso) o TROFÉU Nacional em Estarreja?
Este é outro assunto sensível… Primeiro quero referir uma situação para esclarecer algumas pessoas que me interpelam com comentários que são desnecessários. Muitos dizem que ganha sempre uma Escola de Samba de Estarreja, por ser a da casa, e que ta tudo feito, enfim… Há que perceber que os jurados são indicados pelas escolas participantes, portanto sem hipóteses de “usar influências” pela escola anfitriã. É dada a possibilidade das Escolas participantes escolherem uma pessoa avalizada para o efeito, esperando que a mesma, no exercício das suas funções, faça uma avaliação justa e correta. A escolha de jurados contratados pela Organização irá levantar sempre a questão da competência dos mesmos para avaliarem. Aqui o que interessa reter é que as Escolas de samba evoluíram para patamares que as estruturas adjacentes não souberam acompanhar. Quanto aos quesitos, tratando-se de escolas de samba, estes devem ser os mesmos que os utilizados no Brasil, pois se eles já levam dezenas de anos de experiencia a este nível, e são os criadores de tudo isto, só temos que os seguir igualmente a esse nível, e não complicar.
Como analisas as rivalidades existentes entre as escolas de samba em Portugal? E como gostaria que fosse a ideal convivencia entre elas ?
Eu defendo um princípio que é o Respeito, e é isso que deve imperar sempre em tudo. Vejo muita gente preocupada em dizer que é melhor que o outro, em menosprezar o trabalho do outro, enfim. Creio que tem havido uma maior aproximação das escolas em termos gerais, e esse respeito entre todos tem aumentado. E esse é o caminho a ser seguido. Entendo que o samba foi uma paixão que todos abraçamos, e que paralelamente ao ambicionarmos a nossa evolução nessa arte, a mesma deva ser obtida sem pisar o próximo, dar a mão a quem tem mais dificuldades, ao mesmo tempo que se ouve o mais experiente. Estamos em constante crescimento diário, seja com quem for.

Como tem sido essa experiencia de compores os sambas de enredo para o Fura Samba da Ilha da Madeira ?
Tem sido uma experiência muito positiva claro. Devido ao que me era solicitado, tive que mudar a minha forma de compor e estruturar os sambas. Confesso que essa necessidade de alteração de estrutura me preocupou um pouco, pois não saberia se o resultado iria ao encontro do que o Presidente Nicolau imaginaria. Felizmente, que pelas suas palavras, tem superado as expectativas, e que tem acontecido o mais importante, que é a satisfação dos componentes do Furasamba, assim como o reconhecimento dos dirigentes do Carnaval da Madeira.


Já que estamos falando de sambas de enredo como tens visto o nivel de sambas de enredo e até de compositores das escolas de samba em Portugal nestes ultimos anos ?
É com agrado que registo que o nível de composições tem melhorado, assim como tem crescido o número de compositores de sambas, muitos deles ainda jovens. Exemplos são o meu irmão André Bastos e Renato Guimarães do Trepa de Estarreja, que conseguiram obras de elevada qualidade, com resultado igualmente em desfile, e estreando nesta arte. Contudo, neste campo, não devem ser esquecidas nunca referências como Ricardo Mira, Alexandre Camões e Xando Lopes, impulsionadores da composição de samba em Portugal, e da mesma com qualidade. Quero destacar igualmente a qualidade das gravações de sambas de 2012 de Trepa de Estarreja, Sócios da Mangueira e Unidos Matogrosso.

Tem algum (ou alguns) samba(s) nacional(is) ( originais ) que queiras destacar ?
Pode não parecer correto, mas na verdade, destaco 2 sambas nacionais que até aos dias de hoje ficaram na minha memória, que são o do Carnaval de 2009 e de 2011 da Vai quem quer, compostos por mim, e cujo resultado me encheu de orgulho.


E do Rio e São Paulo quais os que mais te agradaram até hoje ?
É me difícil destacar, pois entendo que foram muitas as obras que me agradaram nas diversas épocas pelas quais já passei e que já ouvi, desde que estou no Mundo do Samba. Mas vou mencionar uma… O Dono da Terra, Unidos da Tijuca 1999.

Fala-nos do projecto para o Carnaval 2013 que tens juntamente com esse enorme sinonimo de Carnaval, o talentoso e consagrado Carnavalesco - Raul Diniz - para o Fura Samba ?
Bem, foi um desafio que me foi lançado pelo Nicolau, que passa por preparar o Carnaval de 2013 do Fura Samba da Madeira. Tendo em conta o que será necessário desenvolver, a primeira necessidade foi contratar um carnavalesco. Felizmente, sou amigo de alguns carnavalescos, e todos de enorme qualidade, mas devido a alguns fatores que tive que ter em conta, a escolha recaiu em Raul Diniz. Pela amizade criada e admiração nascida aquando da sua passagem pela Vai Quem Quer, e perante o desafio, o Raul aceitou ser o Carnavalesco. Eu terei as funções de Diretor de Carnaval, tratando de conceber, estruturar e preparar a escola da melhor forma possível para o desfile e futuro, juntando algumas surpresas e novidades, aproximando-a o máximo possível das Escolas de Samba brasileiras a nível estrutural e qualitativo, libertando o Raul apenas para que se concentre no processo criativo e execução, onde é um Mestre.

Paralelamente as tuas funções na Vai Quem Quer tens vindo a desenvolver uma carreira a solo no mundo do samba em Portugal . Como tem corrido ?
Sim, após muitos anos no grupo de pagode 7e1, decidi abraçar uma carreira a solo, e o balanço considero positivo. Os espetáculos que tenho realizado tem se baseado mais na qualidade do que na quantidade. Felizmente nos últimos anos tenho conhecido pessoas e músicos fantásticos, com quem tenho partilhado o palco, com quem tenho aprendido imenso, e isso tem me permitido um crescimento e amadurecimento como cantor e artista. Tenho atuado preferencialmente a norte do País, regularmente, mas em breve pretendo chegar aos outros pontos do País. Algo que me deixa imensamente satisfeito é ouvir desse conjunto de músicos e amigos: “Nuno, podes contar comigo sempre que precisares!”. Há coisas que não se pagam…

E sobre o tão aguardado CD como estão a decorrer as gravações e se já tens alguma data prevista de finalização ?
Esse é outro desafio, mas que está demorado, embora possa adiantar que não falta muito para apresentar os 3 primeiros temas do CD. Devido a exigência pretendida, as gravações já foram reiniciadas por 2 vezes, onde tudo foi regravado, mas agora creio que está a ir no caminho pretendido. Outro fator que tem adiado também é o aumento de gravações nos Estúdios Rewind, pelo que tem sido complicado conciliar os dias e horas de gravação, assim como conjugar com a agenda e disponibilidade dos músicos que darão o seu contributo no CD. Os 3 temas encontram-se numa fase final de gravação, daí dizer que não falta muito a serem divulgados. Neste projeto, não posso deixar de mencionar a importância e dedicação de 2 pessoas: Bruno Violas, Produtor Musical e Vander Jeronymo, Diretor Musical e parceiro de composição.



É um CD só de originais ou vai outras musicas de outros compositores ?
Embora tenha sido discutido, e me tenham sido mostradas outras músicas que poderia eventualmente gravar, assim como músicas de amigos compositores, a aposta para este primeiro trabalho será ter temas todos eles originais, e compostos por mim, em parceria com Vander Jeronymo. No futuro, logo se verá.

Quais os teus momentos mais felizes no samba ? E os menos felizes?
No samba, passei possivelmente os momentos mais felizes da minha vida. Sou feliz ensaiando, sou feliz desfilando e cantando pela minha Escola. Sinto-me realizado quando subo a um palco, por mais pequeno que seja. Isso me deixa feliz. Os menos felizes esqueço facilmente, pois trata-se de situações momentâneas, como um desfile que não me correu tão bem, ou uma vitória que não foi alcançada. Estou no samba porque me dá felicidade, e assim me manterei enquanto me sentir feliz.


Gostarias de deixar algumas palavras para os sambistas portugueses em geral ou até para Estarreja em particular ?
Em geral, gostaria de deixar umas palavras de incentivo a todos os sambistas, para que cultivem essa paixão que têm pelo samba. Semeiem o gosto pelo samba. O crescimento do samba em Portugal não se atinge só olhando para o nosso umbigo e na busca apenas do nosso desenvolvimento. O crescimento está igualmente em escutar o outro sambista, absorver os seus conhecimentos, assim como lhe transmitir o nosso conhecimento obtido. O segredo está na partilha, no respeito pelo próximo. Só assim cresceremos.

Obrigado pela sua colaboração . Muitas felicidades para ti e para a VQQ. Obrigado também por ter a tua sincera e fiel amizade de muitos anos.
Obrigado eu Guerreiro, e que continues a dar o teu contributo pelo samba em Portugal por muitos e longos anos, pois o segredo do crescimento do samba também está na divulgação que fazes.

ENTREVISTA COM DANIEL OLIVEIRA

ENTREVISTA COM O DIRECTOR DE BATERIA DO GRES JUVENTUDE VAREIRA- OVAR- DANIEL OLIVEIRA

Nome e idade ? Daniel Oliveira, 28 anos

Como foi o teu inicio nestas andanças pelo samba?
Eu cresci num quarteirão com 4 escolas de samba,  o gosto do samba esteve sempre presente.

Qual o teu trajecto como sambista ?
Desde sempre tive o desejo de fazer parte de uma bateria de escola de samba mas foi só em 2002 que isso aconteceu, entrei para escola de Samba Kan Kans onde comecei por tocar malacacheta. Apos o carnaval de 2003, a direcção da escola resolveu criar um pequeno grupo de trabalho para dirigir a bateria, e fez-me o convite. Em 2005 assumi a direcção da bateria onde estive ate 2010. Meses mais tarde,   surgiu o convite da Juventude Vareira, e eu aceitei o desafio...

Quando assumiste a direção da bateria da Juventude Vareira ?
  Em 2010.

Como vês o actual momento da bateria da tua escola ?
A bateria da Juve é como uma família que trabalha em prol da sua bandeira. Por isso à evolução da bateria é uma constante...  Por isso aos nossos olhos qualquer momento é sempre bom!! no link abaixo está um pouco do nosso trabalho.http://www.youtube.com/watch?v=fcCSa-uLy2A

Quais ou qual a caracteristica mais marcante da bateria da Juventude Vareira ?
A nossa bateria é sem duvida uma bateria segura, equilibrada e experiente.


És "adepto" de que tipo de paradinhas em uma bateria ?
Qualquer tipo... Paradinha, Vossa, Convenção... Para mim o importante é que se enquadre no samba.

O que é para ti uma boa bateria de escola de samba ?
Uma boa bateria tem que ter, cadencia, andamento uma boa afinação,etc. etc. ... Qualquer bateria que respeite estes princípios "básicos", toca bem. Mas eu gosto de baterias que saiam da zona de conforto, que arrisquem que sejam ousadas que inovem, estas caracteristicas demonstram trabalho empenho dedicação. São qualidades às quais eu dou muito valor.

Normalmente em que altura iniciam os ensaios com vista ao Carnaval ?
Depende dos outros trabalhos da escola, mas normalmente no inicio de setembro.

Durante o período pós Carnaval ensaiam com que regularidade ?
Após a quaresma fazemos um ou dois ensaios por semana, a partir de setembro todas as sextas e sábados...

Quais as maiores dificuldades sentidas pela tua escola de samba ou/e em geral pelas escolas de Ovar ?
Julgo que no momento a crise é a maior preocupação das escolas em geral, o futuro é um pouco incerto no que diz respeito a apoios.

Que alterações e melhorias desejavas que acontecessem no Carnaval de Ovar ?
Alterar o percurso seria opitimo...

Como ves o actual momento do Carnaval de Ovar relativamente as escolas de samba ?
Nota-se trabalho no sentido de melhorar o Carnaval, mas nem todas as iniciativas são boas, este ano ouve alterações no percurso e acho que nenhuma escola ficou satisfeita.


Relativamente ao concurso em Ovar no Carnaval que opinião tens sobre os critérios de avaliação, dos jurados e votação e justificativas dos mesmos ? Eu tenho uma visão muito particular, eu faço o espectaculo para o publico, não para os juris. Até à bem pouco tempo as escolas eram avaliadas em apenas 4 critérios, o que é impensável.
Apesar de por vezes concordar com as posições gerais e sem querer meter em causa o trabalho das pessoas envolvidas, gostava de ser avaliado por pessoas que realmente percebessem do assunto, é com justificativas que não fossem vagas.
Só assim poderia dar credibilidade ao concurso.

Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal ?
Nos últimos anos as escolas evoluíram a olhos vistos. Umas por iniciativa outras por "arrasto". algumas alas que actualmente, fazem parte com toda a logica dos itens de avaliação a 6 ou 7 anos atrás, não existiam. Mesmo no que diz respeito a fantasias, samba no pé das passistas. no que diz respeito as baterias gostava de ver um trabalho diferente, principalmente nas caixas e no andamento.


Para ti quais as escolas que mais tem evoluído em Portugal no geral de todos os quesitos?
Não tenho opinião formada, para alem de acompanhar mais as escolas do norte por questões geográficas, normalmente presto mais atenção as baterias, no resto sou um mero espectador. =)

A nível de bateria quais as que mais tem evoluído na tua opinião? E quais as que mais admiras ?Existe por ai muita bateria a crescer de dia para dia. A minha preferida? Claro e que é a Bateria da JUVE

No Brasil quais são as tuas preferidas ?Pergunta complicada :) São tantas...
O meu coração é da Mocidade, mas no momento, Grande Rio e Vila Isabel, são das baterias que mais gosto.

A nível nacional que mudanças ou evoluções gostarias de ver acontecer para melhorar o nível das escolas de samba e dos seus desfiles ?
Mais devulgação mais iniciativas, e até quem sabe um evento que junta-se todas as escolas do pais.


Concordas com os moldes em que é realizado é disputado (quesitos e jurados que estão a concurso) o TROFÉU Nacional em Estarreja?
Participei da 4ta edição e adorei o convívio e o desfile, mas para se poder chamar trofeu nacional, teria que ter outro tipo de estrutura. Um juri tem que conseguir chegar ao detalhe, não me parece certo um juri avaliar todos os quesitos,  duas escolas podem até merecer nota máxima num quesito, mas o sistema de avaliação não permite... (são apenas alguns exemplos).
Não deixa por isso de ser uma boa inciativa.
E quem participa sabe para o que vai.


Como analisas as rivalidades existentes entre as escolas de samba em Portugal? E como gostaria que fosse a ideal convivência entre elas ?A rivalidade faz parte, de qualquer competição. Tem é que haver respeito.

Quais os teus momentos mais felizes no samba ? E os menos felizes?
O samba é dois em um, fortalece o corpo e alma:), os únicos momentos menos felizes é quando não há samba...


Gostarias de deixar algumas palavras para os sambistas portugueses em geral ou até para Ovar em particular ?
Um abraço forte a todos os sambistas.

Obrigado pela tua colaboração . Muitas felicidades para ti e para a Juventude Vareira.
Muito sucesso para si e para o seu blog.

ENTREVISTA COM GUILHERME SALGUEIRO

PARA NÃO SER SÓ DEDICADO AOS NOVOS TALENTOS DO RITMO EM PORTUGAL AQUI VAI UMA EXCELENTE E MUITO ESCLARECEDORA ENTREVISTA COM UM DOS NOVOS TALENTOS DO RITMO NO RIO DE JANEIRO- O ACTUAL DIRECTOR DE TAMBORINS DO GRES VILA ISABEL: GUILHERME SALGUEIRO


Começo por lhe agradecer a disponibilidade para esta pequena conversa sobre samba.
- Nome ?
Guilherme Salgueiro
- Idade ?

28 anos

- Onde nasceu e onde vive actualmente ?

Nasci e moro em Vila Isabel, bairro que deu origem à escola de samba do mesmo nome.

- Como e quando, ou através de quem, você entrou para o mundo do samba?

Sempre gostei de samba, fico lembrando os desfiles de blocos na avenida principal daqui de Vila Isabel. Quando a bateria passava, eu me debruçava para ver e ouvir os ritmistas. Comecei a ensaiar em 1998. Um professor meu era ritmista e eu insisti para que ele me levasse para a Vila. Mas meu primeiro desfile foi só em 1999, não pela Vila, mas pela Acadêmicos do Sossego, escola do grupo B, até então.

- Nesses seus primeiros tempos tinha alguem como "idolo" ou alguem que lhe servisse como exemplo ?

Meu professor era meu espelho, eu sempre olhava para ele para copiar seus movimentos e entender a mecânica do tamborim. Mas ídolo no sentido grandioso da palavra eu nunca tive no mundo do samba.

- Qual o seu percurso como ritimista ?

Bom, como disse anteriormente, meu primeiro desfile foi na Sossego, em 1999, depois disso, ingressei na Estácio de Sá, Unidos da Tijuca, Vila Isabel e a partir daí comocei a abrir meu leque de possibilidades, já que o samba é um mundo que tem uma rede de contatos muito grande. Passei por Mangueira, Beija-Flor, São Clemente, Cabuçu, Lins Imperial, Arranco do Engenho de Dentro, Viradouro e por aí vai... Mas nunca deixando de desfilar na Vila.

- E quando você assumiu pela primeira vez o cargo de diretor de tamborins da Vila Isabel?

Em 2009, a pedido do Mestre Mug, eu dividi o cargo com o João, que vinha da Imperatriz. Eu sou músico e os ensaios são justamente no dia em que eu trabalho mais, sábado, por isso pedi para o João vir ao meu lado auxiliando o Mug e a mim. Ele é um excelente diretor, aprendi muito com ele.


- O que é para si estar como director nessa gloriosa escola de samba ?

É uma honra e uma responsabilidade enorme, pois a Vila é a minha escola e me pressiono muito. Sou extremamente autocrítico. Fora que já sou ritmista da casa há 12 anos e todos me conhecem como o ritmista, mas como diretor há de ser um pouco mais sério, cobrar mais dos ritmistas. É complicado.

- Em que mês começam os ensaios da bateria da Vila Isabel ?

Geralmente em junho, mas é relativo. Dependendo de quando começa o carnaval, iniciamos nossos ensaios ora em maio, ora em junho, ora em julho.

- Os ensaios tecnicos só da bateria são quantas vezes por semana ?

1 vez, depois, ao se aproximar o carnaval, ensaiamos 2 vezes por semana.

- Que tipo ou estilo de desenhos de tamborim mais gosta ?

Gosto de simplicidade, mas com efeito. Não tenho um padrão, eu acho, encaixo com a métrica do samba enredo. O desejo depende muito da ala que se tem, não se pode inventar e complicar se você não tem um naipe de ritmistas bom. E outra, na minha visão o ritmista tem que curtir o desfile, aproveitar, uma vez que ele só tem aquele momento, ele passou o ano inteiro se preparando para aquilo. Ele deve aproveitar. Assim como na música, o menos é mais, a pausa também conta, também é nota musical. Devemos respeitá-la.

- Espera pela eleição do samba de enredo campeão para fazer os desenhos ou já vai tendo alguns preparados para depois encaixar no samba eleito ?

Geralmente sim. Há algumas figuras que crio antes, uma subida, um pedaço de segunda (parte), mas no total, aguardo a escolha do samba.

- Qual a melhor ala de tamborins no Rio em sua opinião ? E em São Paulo ?

Tamborim hoje é uma ala rara de se encontrar, vemos muitos ritmistas que desfilam em muitas escolas. Gosto muito da ala da Tijuca, Mocidade, Portela. No Grupo A tem a Tuiuti, Viradouro. Em são Paulo, confesso que não estou inteirado sobre as escolas, mas gosto da Mocidade Alegre, X-9, Império de Casa Verde.

- Como tem analisado as justificativas dos jurados relativamente ás notas dadas á bateria da Vila ?

Algumas notas são contestáveis, até pelo fato de o mesmo jurado descontar ponto durante 2, 3 anos seguidos. Das duas uma: ou ele não gosta da escola, ou repetimos o erro reincidentemente. Outras notas servem como lição para que no ano seguinte aprimoremos nossos fundamentos. O jurado tem uma audição diferente da que nós temos, estamos no meio, dentro da bateria, e ele está em cima, ouve mais os detalhes que nos escapam.


- Que planos tem para futuro como director na bateria ?

Melhorar cada vez mais e fazer da ala de tamborins uma ala cada vez mais coesa, uma segunda família, na qual nos conheçamos pelo olhar. Não tenho grandes pretenções, a bateria da Vila já veio completa!

- Como vê o actual momento das baterias no Rio de Janeiro ?

Acho que há muitas paradinhas, bossas, convenções, diga como quiser, sem propósito, sem identificação com o samba enredo, são gratuitas, têm notas demais, parece uma prateleira de instrumentos caindo no chão. Parece que há uma competição para ver quem consegue fazer a bossa mais complicada. Por outro lado, há escolas que aprimoraram seu ritmo, sua cadência, mantendo a essência de uma bateria de escola de samba. Há novos mestres surgindo, em evidência, que são competentíssimos e que valorizam a cadência.

- Qual as principais diferenças entre as baterias do Rio e de S.Paulo ?

O ritmo, o Rio possui uma cadência que nenhuma outra escola do mundo terá. Aqui somos amigos, visitamos as escolas co-irmãs e somos bem recebidos. Já ouvi relatos de que em São Paulo não é bem assim, é mais parecido com o futebol, são rivais, não apenas adversários.


- Qual o tipo de paradinhas e bossas que mais aprecia ?

Gosto das paradinhas feitas pelo repique, de pergunta e resposta, gosto também das bossas que apresentam uma característica do enredo, ou uma levada afro, ou uma salsa, ou um funk. E gosto das paradinhas de impacto, quando os instrumentos silenciam ao mesmo tempo, como uma explosão!

- As paradinhas são mais para colocar nos refrões ou em outra parte do samba ?

No início era sempre antes do refrão de baixo, o chamado refrão principal, mas agora fazemos nos refrães, logo no início do samba, o que chamamos de cabeça do samba, e em outras partes. A criatividade é quem dá o tom, mas que seja de bom senso.

- O mais correcto é serem colocadas nos compassos ou nos desenhos melodicos ?

Não existe o mais correto, existe o bom senso, se ficar legal, ótimo, se não, não se coloca.


- Que acha das paradinhas longas que a maior parte das baterias esta adotando ?

Acho que prejudica outros quesitos, como harmonia, evolução, pois os desfilantes param de cantar o samba e evoluir para prestarem atenção na bossa. E uma bossa muito longa faz os integrantes da escola pararem por muito tempo, comprometendo o canto, a dança e o próprio samba enredo.

- E sobre o andamento das mesmas qual a sua opinião ?

Acho que tem melhorado, estamos voltando a um andamento gostoso de se tocar. Para onde estávamos indo não tinha mais jeito, não tinha mais como acelerar. É claro que o número de componentes aumentou e para que todos desfilassem em um certo tempo, foi necessário aumentar o andamento, mas seria como pegar uma valsa e aumentar o bpm (batidas por minuto) porque tem mais casais na pista de dança. Nossa essência é a cadência, o ritmos gostoso de se cantar um samba, de sambar. Acho que vamos voltar a ter andamentos mais lentos, respeitando a característica de cada escola.

- Actualmente qual é para si a melhor bateria do Rio de Janeiro ? E quais as razões para ter essa opinião ?

Não tenho a melhor, pois cada uma possui uma característica única, admiro e gosto muito da Unidos da Tijuca, Mocidade, União da Ilha, Mangueira, Portela e minha Vila Isabel.


- Da nova vaga de directores de bateria qual o que está mostrando melhor trabalho e até surpreendendo mais ?

Sou suspeito para falar, pois tenho hoje em minha bateria um diretor novo, com sangue da dinastia Amaral, que é Vila Isabel e que mescla a tradição do ritmo da locomotiva do samba, como a criatividade e ousadia da juventude, que é o Mestre Wallan Amaral. Outros mestres como o Thiago Diogo (Porto da Pedra), Marcão (Salgueiro), Chuvisco (Estácio de Sá) são mais do que promessas, já são realidade no mundo do samba. Não só na bateria, mas na escola em si, como a nova safra de intérpretes, como Igor Sorriso (São Clemente), Leandro Santos (Estácio), são gratas revelações.

- Tem algum conhecimento do trabalho ao nivel de samba que é feito na Europa e mais em particular Portugal ?

Em Portugal conheço pouco, tenho mais conhecimento do que é feito na Inglaterra, Alemanha, Áustria, França, pois todo ano pessoas desses países vêm fazer um intercâmbio e levar às suas escolas o que de mais novo temos aqui no Rio. Mas gostaria muito de conhecer mais, assim como estar presente nessas escolas e difundir nosso samba em Portugal.


- Deixe um recado aos sambistas em geral e em particular aos de Portugal.

Samba é uma filosofia de vida, é um sentimento, é mais do que os quatro dias de desfile. Muito mais coisas acontecem para que durante os oitenta e dois minutos aconteçam mágicas, sorrisos, lágrimas e suor. O samba é capaz de contar histórias, mudar vidas, de unir pessoas, de diminuir diferenças, de fazer a dor passar por pelo menos alguns momentos. Seja como ritmista, como passista, compositor, diretor de harmonia, ou desfilante de ala, respeite, ame, viva o samba.

Um grande abraço e obrigado pela oportunidade de expressar meus poucos anos de experiência dentro desse mundo.

Guilherme Salgueiro.