ENTREVISTA COM CARLA SOFIA- JUVENTUDE VAREIRA-OVAR

ENTREVISTA COM CARLA SOFIA-MADRINHA DE BATERIA DA JUVENTUDE VAREIRA de OVAR

Olá Guerreiro, parabéns pelo excelente trabalho que tens feito na divulgação do Samba em Portugal. Sei que estou um pouco em falta para contigo… mas cá estou eu…
“TEM CANDOMBLÉ NO MEU TAMBOR
KIZOMBA E ANGOLA EM SEU EXPLENDOR
CONTAGIAR NESSA CADÊNCIA EU VOU
E A BATERIA PRA MOSTRAR O SEU VALOR”

COMO FOI O ÍNICIO DESSE TEU AMOR PELO SAMBA E EM PARTICULAR POR ESCOLAS
DE SAMBA?

Sempre gostei dos ritmos brasileiros, e o Carnaval era a época do ano com que eu mais me identificava. Surgem as escolas de samba no Carnaval de Ovar, e foi aí onde eu descobri o verdadeiro amor pelo samba e escolas de samba.
QUAL O TEU TRAJECTO COMO SAMBISTA ATÉ AO MOMENTO ACTUAL?
Comecei por desfilar num grupo de carnaval “Barulhentas”, em 1981. Em 1987 fui para um grupo de samba “Os Mangueiras”, que passaria a escola de samba no ano seguinte com o nome “Mangueira”, ano onde foi feito pela primeira vez o desfile nocturno das Escolas de Samba em Ovar. No final do ano de 1991 entrei para a Juventude Vareira efectuando o primeiro desfile com a verde e rosa em 1992 e onde até hoje permaneço.
TIVESTE ALGUÉM COMO MODELO OU ALGUÉM QUE TE FOI ENSINANDO A SAMBAR?
Nunca tive ninguém como modelo, como digo muitas vezes eu sambava á minha maneira, mas quando entrei para a Juventude Vareira, 2 primas que já pertenciam à escola acompanharam-me na minha aprendizagem. Foi uma batalha, mas acho que cheguei lá.
ERA TEU SONHO SER MADRINHA DE BATERIA? COMO FOI ESSE PRIMEIRO MOMENTO?
Nunca tive o sonho de ser madrinha de bateria. Mas por outro lado desfilar perto da bateria tem uma magia contagiante… é simplesmente fantástico. O primeiro ano que fui madrinha de bateria da Juventude Vareira foi em 2004, foi um momento agradável e por outro lado bastante difícil.














QUE MAIS TE AGRADA VER EM UMA MADRINHA DE BATERIA?
Humildade, naturalidade, expressividade, a capacidade de transmitir o que está sentir na execução, samba no pé, cumplicidade com a bateria e com o público.
QUAL A FREQUÊNCIA OU MÉDIA DE ENSAIOS QUE REALIZAS COM A BATERIA?
Quando tenho disponibilidade 2x por semana.
SEM ELA TAMBÉM ENSAIAS MUITO?
Por motivos profissionais não tenho disponibilidade. Por vezes surgem uns pagodes, e damos um gostinho ao pé.
TENS ALGUMA PREPARAÇÃO OU CUIDADOS ESPECIAIS PARA OS DESFILES?
Muito sinceramente não… mas gostava… Hoje em dia a vida profissional / pessoal e os próprios trabalhos que antecedem o Carnaval não permite despender de muito tempo… Mas confesso que adoro estar bronzeada…
MOMENTOS MAIS FELIZES NO SAMBA ATÉ HOJE?
O Samba é felicidade, todos os momentos são vividos de corpo, alma e dedicação.
Com a minha ida ao Rio tive a oportunidade de ter estado na Cidade do Samba,entrei no barracão da Mocidade, tive um cheirinho do que envolve todo o trabalho que vimos deste lado pela TV.
O ter estado nas quadras da Portela e Salgueiro, foi fantástico. Mas confesso que ter estado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí e ter assistido aos ensaios técnicos da Imperatriz, Salgueiro e Beija – Flor foi o auge.
E OS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS, MENOS FELIZES?
O Samba por si só não tem momentos difíceis nem menos felizes. Os preparativos, os desfiles é que podem não correr tão bem. Considero como momento difícil e por outro lado gratificante o ano de 2003, não ter desfilado, pelo facto de ter sido mãe. O menos feliz, depois de tantos meses de trabalho e dedicação em prol da nossa escola, chegar á hora do desfile e não ter a fantasia para desfilar… É Frustrante!
COMO TENS VISTO A EVOLUÇÃO DAS ESCOLAS DE SAMBA EM OVAR?
Na minha opinião, vão evoluindo positivamente dentro das capacidades e meios de cada uma, tem factores bastante importantes e determinantes para se atingir um certo patamar, mas infelizmente não estão ao alcance de todas.










COMO TENS VISTO A EVOLUÇÃO EM TODA A SUA ESTRUTURA DAS ESCOLAS DE SAMBA EM PORTUGAL?
Depois do que vi no Rio de Janeiro, ainda temos muito que batalhar, acho que a criação da Liga das Escolas de Samba em Portugal seria um factor determinante para uma evolução significativa de todas.

E A NÍVEL DE DANÇA COMO TENS VISTO ESSA EVOLUÇÃO?
Acho que se tem evoluído muito. Actualmente existem meios para que possam evoluir e atingir um patamar bastante satisfatório. Lógico que não é só, é preciso gostar, batalhar, dedicar… acima de tudo sentir…
QUAIS AS MADRINHAS DE BATERIA QUE MAIS ADMIRAS?
Viviane Araújo, corpo, sensualidade, Raissa, corpo, bronze e sensualidade
desfila com alma





QUE MUDANÇAS OU EVOLUÇÕES DESEJAVAS QUE ACONTECESSEM
COM O CARNAVAL DE OVAR E EM PARTICULAR COM O DESFILE DAS
ESCOLAS DE SAMBA?

Da Aldeia do Carnaval está tudo à espera, a nível de convívio vai ser certamente muito importante para todos, grupos e escolas. Segundo o projecto teremos um espaço para podermos organizar algumas festas, pagodes…
É inadmissível que numa cidade como esta, onde temos muitas pessoas ligadas ao samba e pessoas que não estão ligadas mas que também gostam, não seja permitido fazer pagodes nas sedes de cada colectividade. Antigamente era permitido, de há dois anos para cá simplesmente não autorizam… Não temos um espaço nem condiçoes para se organizar um pagode, para se organizar uma festa que envolva escolas.
Com o desfile das escolas de samba, tenho uma opinião diferente do actual. Achava que as escolas deviam desfilar no Sábado, no Domingo só os grupos e terça-feira escolas e grupos.
A nível de votação algumas coisas têm que ser corrigidas. Actualmente temos um conjunto de itens que não eram avaliados e agora passaram a ser. Sou de acordo, mas quem vota tem que ter capacidade de avaliar os respectivos itens e muitas vezes não me parece que saibam o que estão a votar, depois de ter analisado as votações ao pormenor, leva-me a pensar que há júris que votam sem ver o desempenho da escola. Os júris têm que acompanhar o trabalho de cada escola, não é só nos dias dos desfiles, mas também acompanharem o trabalho que é feito para dignificar o nosso Carnaval.
QUE GOSTARÍAS DE VER ACONTECER COM O SAMBA EM PORTUGAL E EM PARTICULAR COM AS ESCOLAS DE SAMBA?
Como já referi anteriormente a Liga das Escolas era importante para todas. Deviam haver encontros a nível nacional, intercâmbio com outros países onde se faz Carnaval, demonstrações das diversas técnicas de confecção, os diferentes materiais utilizados nos adereços, alegorias, etc…
….
Pois o samba marca como um giz
É eterno porque é raiz
Pois o samba marca como um giz
É eterno porque é raiz
Não quero dizer que viver é só sambar
Mas sambar é viver
É saber se encontrar
Só o samba faz a tristeza se acabar
Só o samba é capaz desse povo alegrar
Ser sambista é ver com olhos do coração
Ser sambista é crer que existe uma solução
É a certeza de ter escolhido o que convém
É se engrandecer e sem menosprezar ninguém
Aconselho a você que seja sambista também
Aconselho a você que seja sambista também…
Valeu Carla. Muitas felicidades e muito samba.

ENTREVISTA COM ANDRÉ BASTOS



ENTREVISTA com ANDRÉ BASTOS- Ritimista/compositor, co-responsavel com seu irmão Nuno Bastos da bateria da VAI QUEM QUER e CAVAQUINISTA/INTERPRETE DO GRUPO DE SAMBA " NA CONTRAMÃO "



O meu obrigado pela disponibilidade para esta pequena " conversa " sobre samba companheiro
- Como e quando foi o teu começo no samba ?
Bem, eu praticamente nasci no samba como sabes, porque o meu Pai é do vai quem quer quase desde o seu inicio e logo o meu berço foi pintado de verde e branco. (risos). Mas oficialmente entrei para o VQQ no Inverno de 1992 para desfilar no Carnaval de 1993. Nesse carnaval fui numa mini ala mirim, e no Carnaval seguinte em 1994 fui no carro alegórico. Pois ainda era muito pequenino para ir na bateria mas o gosto pelo o som da nossa bateria já era quase um batimento fundamental do meu coração.
- Como foi a tua evoluçao como ritimista na Vai Quem Quer ?
Foi então no inverno de 1994 que comecei a ir a todas as actuações da bateria do VQQ , com um chocalhozinho, logo me tornei numa “mascote” da nossa bateria.(risos). Mas a minha vontade de aprender sempre mais, quis que eu aprendesse, o meu instrumento preferido no samba, e o teu também, (risos) o tamborim.
Então no carnaval de 1995, o mestre de bateria, na altura era o mestre “Pato”, decidiu que eu iria na bateria sim, mas no tamborim, instrumento que já dominava minimamente apesar de tão novo.
Fui assim me mantendo no tamborim, ate o carnaval de 2000.
Mas nessa altura já era o meu irmão director de bateria, e havendo já alguma evolução no samba, ele notou que necessitava-mos de mais surdos de 3ª na escola, até porque so tínhamos uma pessoa que tocava, que era o Ruizinho, mas tendo pouca disponibilidade para acompanhar a escola durante o ano, era complicado! Eu fui evoluindo com o tempo, ouvindo sempre muito samba, tentando tirar a batida de surdo de terceira, ate que um dia pedi ao meu irmão para me deixar tocar num ensaio, para experimentar, e pronto a partir dai fiquei nesse instrumento, desfilei no carnaval de 2001 no “corte”, até os dias de hoje, no qual me dedico tanto, e transformo-me cada vez que o toco!!

- Como foste sentindo a responsabilidade de seres o " braço direito " de teu irmão Nuno Bastos na bateria da VQQ ?
Bem, nem sei bem quando isso aconteceu, apenas me dediquei sempre muito, aprendi muito com o meu irmão, sempre vivemos juntos, e então era muito mais fácil pra mim acompanhar as suas ideias, a sua evolução, do que os outros.
Acho que deus me deu o dom de conseguir fazer muita coisa ao mesmo tempo, desde conseguir fazer o meu papel no “corte”, cantar, saltar, avisar os outros na bossas da bateria, apitar, corrigir…bem foi quase natural, daí se calhar despertar a atenção das pessoas, e do meu irmão, e então assumindo esse papel na bateria do VQQ. Mas não sou só eu, o meu irmão tem ali um núcleo de pessoas que consegue transmitir aquilo que ele pretende adquirir da restante bateria e isso faz com que tenhamos um grupo forte e unido e isso é que importa.
- Actualmente qual o teu papel na bateria da VQQ ?
Toco surdo de terceira, e sou juntamente com o Nuno sardine, Madaleno, e o Pato, um “responsável”, que tenta organizar a bateria, em suas bossas, cadencia, entre outras coisas que são necessárias visto que o meu irmão toca cavaco e é o interprete da escola e não pode estar dentro da bateria.


- Quais são para ti as principais qualidades que uma bateria deve ter ?
Ora, havendo vários gostos, o samba pra mim não é como a matemática que se tem que seguir aquilo e aquilo mesmo. É sim um gosto, um estado de espírito, e tenho que sentir a batida de uma bateria como se fosse um beijo da minha mãe ou do meu pai, com orgulho e paixão.
Mas indo ao assunto (risos), pra mim uma bateria tem que manter uma cadencia certa, sem oscilações, com um balanço agradável dos surdos de terceira que quase embala , mas com uma batida forte e pujante dos surdos de primeira e segunda.
Claro, caixas com um swing cheio, não muito requebrado. Boas bossas de tamborins mas sem perder o enrolado perfeito….
Ou seja pra mim uma bateria tem que funcionar como um bloco interligando todos os instrumentos num só.

- Quais as principais caracteristicas que se possa dizer que são marca da bateria da Vai Quem Quer ?
Bem, a bateria da VQQ tem varias marcas que a caracterizam na minha maneira de ver…acho que o rigor em termos de disposição no modo como desfila é uma grande característica na nossa bateria. Agora a nível técnico, acho que a firmeza e “pujança” na batida dos surdos , e os desenhos de tamborins são a grande marca. Mas acima de tudo a bateria da VQQ funciona como um bloco, com todos os ritmistas a um bom nível, e com um balanço “gostoso” e cadencia sem oscilações. Como gosto de ouvir.

- Tens alguma personagem do samba que admires e que tenhas como "inspirador ".... "idolo " ?
Como interprete, “Wander Pires” pela sua maneira de interpretar todos os sambas e claro a sua voz que é inconfundível e Como director de Bateria “Mestre Ciça” pela maneira como gere suas baterias e bossas.
- Momentos mais felizes no samba até hoje ?
Graças a Deus tive muitos (risos). Claro, todos os troféus ganhos, mesmo dando mais valor ao próprio samba e todos os conhecimentos que vou ganhando ao longo do tempo, acho que é sempre um momento de grande euforia e ao mesmo tempo uma alegria muito grande por ver o nosso trabalho reconhecido, mas, o melhor momento, foi em 1997, em que alguns elementos da bateria na altura se juntaram e compraram um tamborim para me oferecer, visto que na altura já tocava e tinha um tamborim muito velho. E então ofereceram-me num ensaio em frente a todo mundo. Guardo esse tamborim ate hoje. Foi um momento magico que jamais esquecerei.
- E os momentos mais dificies ?
Sem duvida que foi quando vi o meu pai na bancada a ver o desfile, por ter falecido o meu avo dias antes. Não desfilou mas fez questão que os filhos desfilassem. Partiu me o coração.
- Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal ?
É de louvar haver cada vez mais pessoas a entrarem no mundo do samba, a amarem o samba como os seus familiares, e a vibrarem com tudo aquilo de bom que o samba nos trás. Felizmente somos cada vez mais e com mais qualidade e estamos no bom caminho.
- E a evolução das escolas em Estarreja ?
A meu ver, o samba esta cada vez melhor em Estarreja. Nota se uma aproximação muito boa a nível de fantasias em relação ao Brasil, porque são eles os nossos inspiradores, e a nível de sambas e bateria tambem. Vemos o Trepa de Estarreja, que evoluiu muito e está a muito bom nível principalmente este ano, e confirmou se isso neste troféu Nacional, Os morenos que passaram um momento difícil mas que agora estão num rumo certo e certamente irão evoluir cada vez mais, Os independentes apesar de muitas dificuldades, penso que vira ai uma nova era e que darão ainda muito que falar no Carnaval em Estarreja. E claro a minha querida Verde e Branco que apesar de as coisas não terem corrido tão bem este ano como por exemplo nos dois anos passados que foram muito bons para a escola, vira ainda com mais força e mantendo o bom nível que já nos habitou a ver e ouvir. Estamos no rumo certo.
- Quais são para ti as escolas que em Portugal melhor tem apresentado as suas baterias ?
Já há muito boas baterias em Portugal pra mim, no que tenho acesso. Vejo Vai Quem Quer, Charanguinha, Trepa de Estarreja, Costa de Prata, com grande qualidade, e grandes evoluções na Bota no Rego, Mato grosso, Amigos da tijuca…. Mas pra mim a maior evolução neste ultimo ano, foi sem duvida Os Sócios da mangueira, estão com um nível bom e certamente estarão cada vez melhor de ano para ano, graças ao grande trabalho feito pelo Xandinho.
-E no geral de todos os quesitos quais as escolas que mais te agradam no país ?
É claro que acho a minha escola muito completa (risos), mas excluindo um pouco a VQQ, acho a Bota no Rego é a que mais se tenta assemelhar ao rio, mas também acho que o Trepa e o UMG estão também muito próximos.
-Que gostarias de ver acontecer com o samba em Portugal e em particular com as escolas de samba ?
So acho que falta mais apoio para que as escolas se possam expandir cada vez mais e melhorarem, e claro adorava que fosse criada a Liga de Escolas de Samba Portuguesas, para que pudesse projectar e unir ainda mais o samba em Portugal.

- E que alterações e melhoramentos gostarias que acontecessem no Carnaval de Estarreja ?
Que fosse criado um “mini sambodromo” em Estarreja, para que as escolas melhorem as suas qualidades em termos de desfile e para quem nos visita e vê o nosso Carnaval, esteja em melhores condições.
E também acho que em termos de votações deveria ser o mesmo sistema como no Rio, que todas as pessoas deveriam assistir e acompanhar todas as notas em cada item, e poder ver a cara dos jurados .
- Concordas com o ENCONTRO NACIONAL de SAMBA ( Estarreja ) a realizar-se nos moldes em que se realiza e com os criterios de avaliação em que se baseia ?
Bem, acho que é de louvar todas as organizações de samba como estes e que é muito bom para o samba em Portugal. Mas a minha opinião é que em termos de avaliação, deveria ser como os critérios do próprio Carnaval de Estarreja, os mesmos itens e com júris neutros, que tenham conhecimento de causa. Acho que não é pedir muito!!
Gostava também que este troféu pudesse ser alargado para outras cidades, para que todas as escolas pudessem conhecer a realidade de todas as escolas nas suas terras!!!
- Agora falando do teu Grupo de Samba/ Pagode. Como e quando surgiu essa ideia de formar o grupo ?
Ora bem o nosso grupo nasceu oficialmente a 25 de Fevereiro de 2009, após o carnaval desse ano. Mesmo antes de ser-mos um grupo de pagode, éramos também um grupo de amigos, então estávamos juntos num bar a tomar um cafezinho e a “reinar” um pouco quando o João (pandeiro) falou na possibilidade de formar-mos um grupo, logo fiquei com aquilo na cabeça ate que decidimos andar pra frente e ver a melhor maneira para compor o grupo. Os primeiros elementos eram o João no pandeiro, Bruno Madaleno no surdo, Sérgio no rebolo, eu no Cavaco e voz principal, e Alex na bateria. Mas, faltava-nos mais harmonia então procuramos alguém que pudesse tocar violão, mas tinha de ser alguém como nos, novo, com humildade, e dedicado. Encontra mos o Pedro que nunca tinha tocado samba na vida e nem sequer ouvia, pois neste momento o gosto dele é tanto que já é um dos compositores do grupo. Por falta de disponibilidade o Madaleno e o Alex não puderam continuar conosco. Logo tivemos de partir pra outras opções, e logo surgiram muito naturalmente, o Kinho e o Fabinho. E pronto é mais ô menos esta a nossa pequena historia.
- Que mais dificuldades sentiram ou sentem ?
Principalmente foi conseguir um espaço para podermos ensaiar, e ter o material necessário para podermos tocar. Mas foi se conseguindo, a VQQ disponibilizou-nos a sede para ensaiar e alguns instrumentos, e necessitámos da algumas pessoas e grupos. Deixo um agradecimento enorme, a pessoas como o meu irmão Nuno Bastos, Pedro Mendes, Luciano Oliveira, Martinho Almeida e o grupo Axé Brasil, porque sem a boa vontade deles não seria possível a nossa continuação. E claro, neste momento agradecemos ao nosso agente Dinis Pinto que acreditou em nós e nos lançou para uma nova etapa na nossa vida.
- Qual a composição do Grupo ( nomes dos elementos e a que escola de samba pertencem ) ?
Cavaco e voz : André Bastos (Vai Quem Quer)
Violão: Pedro Pereira ( Trepa de Estarreja)
Pandeiro: João Orlando (Vai Quem Quer)
Rebolo: Sérgio Chipelo ( Vai Quem Quer)
Surdo: Marco Silva (Trepa de Estarreja)
Bateria: Fábio Miguel (Vai Quem Quer)
- Que linha musical vão procurar seguir ?
Nós achamos que o samba é de todos, então tentamos agradar todo o mundo, com axé, forro, tudo com o samba de raiz por perto. E assim vamos seguindo um caminho muito próprio e tentando acompanhar a evolução de quem realmente percebe.
- Como tem sido a aceitação do publico sambista ?
Não podia ser melhor, todos sabem que ainda somos muito novos, que temos ainda muito que aprender mas já nos respeitam e muitos já vêem em nós um exemplo a seguir.
- Depois do lançamento do Cd que projectos futuros tem o grupo ?
Bem, só nos resta continuar a trabalhar no duro como sempre fizemos, poder alargar o nosso gosto pelo samba pelo país, manter os pés no chão, e continuar com humildade, só assim chegaremos longe.
- Como vês o panorama musical de Grupos de Samba em Portugal ?
Não conhecendo todos os grupos, vejo o samba lele como o grupo que mais se destaca. Mas é claro que há outros com grande qualidade, como Papo de Samba, e outros também começando como, Bagunço no Boteco, Toque de Samba, Monovolume, cada um com o seu estilo e isso é bom…Espero que surjam cada vez mais grupos e que todos façamos com que o Samba engrandeça em Portugal.
Obrigado companheiro . Muitas felicidades para o Grupo e para a tua Vai Quem Quer.
Obrigado eu, por esta conversa, e deixa me felicitar por todo o esforço que tens feito pelo samba em Portugal, e sei que és daqueles que o faz de coração. Considero o teu blog como “a biblioteca” do samba em Portugal, pois tenho tudo o que necessito para me manter informado e evoluir mais como Sambista. Muito Obrigado.
Aquele ABRAÇO companheiro.