ENTREVISTA COM RICARDO ALVES ( CHORA )




- Como e quando foi o teu começo no samba ?

Antes de mais queria dar um abraço a todos aqueles que lutam pelo samba em Portugal e os parabéns em especial por todas estas entrevistas, que são a meu ver indispensáveis como meio de conhecimento deste nosso “mundo” sambista Português, se assim se puder chamar.

Entrei na Escola de Samba Bota no Rego (Sesimbra) em 1994, os meus colegas de turma eram na sua grande maioria da Bateria do Bota e depois de muitas perguntas e depois de tentar entender o funcionamento da própria escola de samba, lá fui me inscrever. Já tinha aprendido em casa a tocar o tamborim (trazido pelo meu pai do Brasil) e depois de ter ouvido centenas de vezes cd´s de samba-enredo do Rio tomei coragem e fui me apresentar ao Mestre Miguel, então director de bateria e até hoje amigo e companheiro destas andanças na escola.

- Em que ano assumiste a direção da bateria do Gres Bota no Rego?

Foi no carnaval de 1999 salvo erro, por isso comecei a dirigir os ensaios ainda em 1998 há 11 anos.

- Como te sentiste com essa responsabilidade mas ao mesmo tempo certamente grande orgulho ?

Foi uma passagem de testemunho normal, partiu mais do Mestre Miguel, ele é que incentivou a mudança devido ao cansaço e falta de tempo, e progressivamente essa passagem de funções foi se efectuando com o conhecimento de todos e com grande naturalidade, respeito e aceitação dos meus colegas de Bateria, mas a mudança era para mim e para o Hugo Andrade (nosso Presidente ahaha). Iríamos dirigir em conjunto a direcção de bateria, mas o Hugo nunca ligou muito a isso (ainda bem pois deu um percussionista com uma capacidade técnica e de aprendizagem muito acima da média, toca tudo) e ele queria era tocar e vai daí eu tentei sempre mais sentir a responsabilidade e inteirar-me do que realmente era preciso fazer para ser um bom director. O orgulho vamo-nos apercebendo ao longo dos anos, penso que é um cargo que ninguém se apercebe da responsabilidade e do peso que tem, não falo só da bateria mas sim do nome Bota no Rego, principalmente aqui em Sesimbra, mas como é óbvio hoje em dia tento transmitir isso mesmo aos mais novos, dando a conhecer a história da escola e a responsabilidade e o respeito que se deve ter ao envergar a nossa camisola (com todo o respeito para com todas as outras).

- Que alterações fizeste e que linha procuraste seguir para com essa bateria ?

Para dizer a verdade ao longo dos anos fomos cometendo por falta de informação e formação nossa, erros nas formações desequilibradas da bateria, na distribuição de elementos por naipes, nas afinações e mesmo no aperfeiçoamento técnico de muitos instrumentos ao longo dos anos. O primeiro passo foi aperfeiçoar a técnica em todos os instrumento, mas todos mesmo, com o mesmo gosto e dando a mesma importância a todos eles. Agora olho para traz e percebo que foi uma fase dura de aprendizagem (que ainda continua ), uma fase que passou pelas primeiras montagens de peles e feitura de aros de madeira para cuica e surdo também (tudo á mão), desmontagem de instrumentos para entender a sua montagem e afinação, feitura de baquetes para todos os instrumentos (á mão, inclusive retirando madeira das árvores, entender que tipo de materiais são apropriados, etc..

Comecei por introduzir malacachetas na bateria (em Sesimbra ainda se usava tarolas e ainda em alguns casos se usa), a montagem de peles naturais em vez das sintécticas nos surdos, agora já muitas baterias seguem esta tendência, a criação de uma ala de cuícas que embora não estivesse totalmente extinta, não tinha os elementos necessários conseguindo desfilar com 9 elementos (hoje em dia são 7) graças ao empenho do amigo e companheiro Paulo Soromenho (Mané Paulo), fazer discursos próprios para a ala dos chocalhos nos samba-enredo ao contrário de outros anos em que tocavam durante todo o desfile (coitados ahah), a introdução dos agô-gôs de 4 com um discurso próprio no samba embora fosse o primeiro ano de todos os 4 elementos foi uma surpresa saudada por todos e nunca vista aqui na vila, amplificamos uma lira este ano para o desfile parecido com um xilofone e não é que a portela tambem levou uma ala com 10 deles, etc.



- Quais são para ti as principais qualidades que uma bateria deve ter ?

Eu vejo uma bateria até pela formação cívica e social dos seus integrantes por isso…não vou só quantificar as qualidades que acho principais pois para mim seriam muitas, vou apenas designar algumas que me salta á vista quando ouço uma bateria, passaria pela sustentação do andamento, uma marcação bem definida não muito rápida (gosto pessoal) e o equilíbrio entre alas, ousadia na apresentação de paradinhas, convenções entre naipes, a intensidade que cada integrante dispensa a nível técnico no seu instrumento, disciplina, afinações (muito importante), entre muitas.

- Tens alguma personagem do samba que admires e que tenhas como "inspirador ".... "idolo " ?

Cartola (para mim o maior), não só pela obra mas pela sua postura na vida e no samba, e todos aqueles que de uma maneira ou de outra me ajudaram e ajudam e não pedem nada em troca. Há muita gente que aprende tudo sozinho é impressionante, nunca viram nada, ouviram nada, perguntaram nada e nunca leram nada, são os chamados “galácticos” do samba ahahahah, dá vontade de rir a falta de humildade, enfim

- Momentos mais felizes no samba até hoje ?

As minhas duas viagens ao Rio de Janeiro, foram uma experiência do outro mundo, falar com Dona Zica e estar na casa do Cartola, andar onde muitos que admiro andaram, cheirar o samba naquela cidade é impressionante, mas há muitos mais. Podia dizer que foi aquele ou o outro carnaval, o vice-campeonato em Estarreja (2008), o desfile na expo (2000); não sou muito de mostrar sentimentos ou reacções, mas há muitos momentos em que me sinto feliz pelo nosso trabalho, principalmente quando toda a escola está envolvida.

Á também o aspecto que me deixa bastante contente é quando visito uma escola de samba onde entro como um estranho e saiu com um monte de amigos, isso é o que o samba sinceramente significa para mim, união.

Tanto aqui, como em Penafirme, Sacavém, Mealhada, Ovar, Estarreja, Figueira, Brasil…

- E os momentos mais dificies ?

Sempre que alguém do Bota ou familiar de alguém da escola falece, sente-se que algo na “família” não está como deveria de estar, mesmo que por vezes não tenhamos tido muita ligação com a mesma.

Mas o samba é feito de vitórias e derrotas a cada actuação ou desfile, é mesmo assim.

- Paralelamente também começaste a compor os sambas para o Gres Bota no Rego.

Como começou acontendo essa faceta ?

Comecei como todos a compor quadras e rimas e quando soube que se poderia concorrer, concorri e fiquei em 2ª (1999) com a ajuda do Franklim no cavaco. Daí até hoje continuo a concorrer e já tive 8 vitórias, 3 ou 4 segundos lugares pois por vezes concorro com dois sambas e um 3ºlugar. Destas vitórias tenha a agradecer a co-autoria em 2006 da Marta Andrade e em 2004 do Mané Paulo. Para alem do Bota também componho para a Paraíso Tropical de Penafirme da Mata (Alenquer) á 3 ou 4 anos.

Compor originalmente, tentando dar um cunho pessoal e criar uma tradição de composição que desde logo toda a gente associe á tua pessoa, é motivo de orgulho e é isso que tento fazer, mas é um processo de evolução muito difícil e também de aprendizagem, mas compor um samba é fácil, um samba bom é difícil, e um samba bom e diferente de tudo aquilo que ouviste ainda mais difícil é pois o que não falta aí é samba com harmonias e letras bastantes semelhantes ás do Rio e S. Paulo (até eu por vezes tenho dificuldade em sair do “feijão com arroz”, é preciso é ser diferente e original)

-Juntando a tudo isto ainda cantas e tocas cavaquinho em pagodes e rodas de samba.

Acho que é normal, para alem de aulas de musica há 8 anos com o musico e amigo Prof. Luís Taklim a nossa escola de cavaco e canto são nos pagodes de mesa, rodas de samba de improviso dentro da escola, em outras escolas e a nível pessoal também em outros projectos de samba, que me proporciona uma outra visão do samba, pois tenho a oportunidade de por vezes ir tocar á capital onde existe também muito samba e onde o conhecimento do nosso trabalho ainda é muito reduzido. É um trabalho de encurtar distâncias entre amantes do mesmo género.

De todas estas actividades qual a que te dá mais prazer te sentes melhor ?

O que gosto mais e que é mais abrangente é a roda de samba, aprendi a tocar cavaco apenas e só com essa intenção, na roda tu tens oportunidade de cantar, tocar, compor, mostrar o que compuseste, sambar, beber uma cervejinha (ahahha) falar, rir com os amigos, confraternizar, eu sei lá é mais directo, mas para além disso gosto muito de compor e trabalhar diferentes harmonias e gosto bastante de tocar e cantar, enfim gosto de tudo, até de fazer baquetes á mão, gosto de tudo, ler sobre samba, biografias de compositores, bem é melhor parar ahahahha.

- Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal ?

Bastante mas bastante positiva, desde a Figueira até Estarreja, inclusive Sesimbra também. A Mealhada também evoluiu e o seu Festival de Samba é muito importante neste aspecto, tem de haver uma montra nacional, um site, um encontro, um festival de uma semana, enfim existe a meu ver muita falta de informação por parte de muita gente que anda no samba que por e simplesmente desconhece da existência de escolas de samba nesta ou em outra localidade, se tem samba original ou não…

- Quais são para ti as escolas que melhor tem apresentado as suas baterias ?

Gosto de falar em baterias no seu todo e formou-se á anos esta opinião que quem toca bem em palco é uma grande bateria. Não sou de acordo pelo simples facto de que existe escolas que não tem onde ensaiar, não tem sede, espaço, som, acústica, enfim estão a meu ver em desvantagem para poder apresentar um bom espectáculo em palco mas isso não é desculpa para não aperfeiçoarem o seu nível técnico e hoje em dia as escola estão a melhorar a olhos vistos as suas condições de trabalho e de ensaios.

Vou então falar de baterias em desfiles ou ensaios que tive oportunidade de ver ou visionar mas poderia criticar alguns naipes de instrumentos que estão em falta, ou mal aproveitados dentro de uma bateria como os chocalhos, cuícas e agô-gôs, pois uma bateria não é só surdos, caixas, tamborins e um repique… (quem me conhece sabe que tenho o maior respeito por todos aqueles que trabalham nas escolas e para as escolas de samba e suas baterias) gosto bastante da Charanguinha, penso apenas que poderia ser mais ousada pois tem elementos que tem capacidade para o fazer (um abraço ao Zé Armando, ao Sérgio e ao Xando), a Vai Quem Quer do Nuno Bastos está mais disciplinada e bastante ousada com um nível altíssimo muito bom mesmo, o Trepa Coqueiro sempre teve e terá uma bateria nota 10 também (um abraço ao Camões e ao grande Pirussas), o Mato Grosso está a evoluir em todas a alas, está a ir num bom caminho (um abraço ao Jota e família), bem como a Rainha mas num degrau atrás a meu ver (um abraço ao Paulo Ferreira e esposa e obrigado pela visita a Sesimbra), o Batuque do Pinho e do Ricardo sempre em grande também (um abraço amigos, grande batuqueiros), Os Sócios da Mangueira do Tomané (obrigado mais uma vez Sr. Presidente dos Sócios) agora com o Xandinho vai de certeza evoluir mais, a Costa de Prata sempre esteve a um grande nível e com muita força (um abraço ao Paquete ao pessoal cinco estrelas), Penafirme está em outras instalações agora e mudou grande parte dos elementos mas já deveriam estar a nível técnico bem melhor Sr. José!!! (estes então nem vale a pena dizer que são nossos amigos e companheiros de férias, aniversários e jantaradas, simplesmente…. Grandes amigos) as outras conheço apenas de palco ou de vídeos e não acho justo falar quanto mais opinar sobre actuações de palco.

A nível de Sesimbra pode ser que alguma coisa mude pois sempre fomos muito egocêntricos e nunca vimos muito os exemplos a norte e mesmo no Rio de Janeiro. No que toca ao Bota é lógico que não vou salientar nada quero apenas advertir que por vezes vamos ao norte participar em Festas Tropicais com 10/11 elementos e não é justo julgar uma actuação de palco com uma bateria de 55 elementos (equilibrada), se calhar é melhor fazer como muitas baterias que ficam em casa!!! Mas isso é a minha opinião. (peço desculpa não ter falado em todas)

-E no geral de todos os quesitos quais as escolas que mais te agradam no país ?

Vou falar mesmo de desfile de escola de samba, ai sou obrigado a falar da nossa, penso que muita gente nutre da mesma opinião inclusive temos desfilado com 200 / 230 desfilantes só prova que as pessoas têm gostado. Vou falar da Vai Quem Quer que como é óbvio tem tido um trabalho também exemplar, o Mato Grosso tem estado também muito coesa e equilibrada mas é complicado falar de mais escolas que têm diferentes visões de desfile que nós aqui no sul, dai não referir mais nenhuma, mas penso que a evolução tem sido uma constante em todos os carnavais, umas mais acentuadas outras nem tanto, as de Sesimbra penso que estão num bom caminho a todos os níveis deixando aqui apenas uma chamada de atenção ao pouco trabalho desenvolvido na pesquisa (a meu ver) e no aperfeiçoamento técnico dos seus integrantes.

-Que gostarias de ver acontecer com o samba em Portugal e em particular com as escolas de samba ?

Uma escola de samba é uma escola de artes, de musica, de canto, de design, de carpintaria, de soldadura, de costura, de pintura, de dança, de letras, de tanta coisa e é um espaço comum de actividades culturais que envolve crianças, jovens, adultos e os mais velhos também, por isso e por muito mais, se deveria lutar ainda mais dentro das mesmas para que mais escolas de samba usufruam das condições que por exemplo muitas escolas do norte têm, isto é, grande barracões com espaço para poderem desenvolver estas actividades, como graças a deus a nossa também agora possuí. Parece conversa fiada mas não é, não tendo bases tudo o resto se torna mais difícil, depois disso haverá mais projecção, mais qualidade no que é feito, mais tempo para organização de festivais e o tão almejado Desfile Nacional que Estarreja está a tentar implementar á sua maneira.

- Concordas com o ENCONTRO NACIONAL de SAMBA ( Estarreja ) a realizar-se nos moldes em que se realiza e com os criterios de avaliação em que se baseia ?

Concordo com a iniciativa mas mudaria alguns critérios, nunca uma madrinha de bateria irá a votação e um samba-enredo ficar excluído, tirando isso e outros detalhes penso que é uma boa iniciativa embora não me importe de ficar de fora os anos que for necessário, não tenho ambição de ganhar. Como nós aqui nunca tivemos concurso não nos faz muita diferença participar ou não, e depois tem também o critério de escolha das escolas que não possuem concurso!!!! Ninguém da Associação de Carnaval de Estarreja nos explicou o porque de ter sido outra escola de Sesimbra a ser convidada e na Figueira escolher a mesma para participar no Encontro Nacional de 2009 ?? (com todo o respeito ao Mato Grosso, Rainha e N. Império). Não ando no mundo do samba com interesse nisto ou naquilo mas gosto de justiça, e sei que ouve outras razões para o Bota não ser convidado este ano, enfim… deixou-nos a todos muitos tristes, não merecíamos, depois do 2º lugar de 2008.

-Que recados gostarias de deixar para quem faz parte da comunidade de sambistas do nosso país ?

Com humildade conhece-se pessoas, tira-se duvidas, aprende-se e divide-se com outros, aprecia-se, choramos, rimo-nos… mas atenção a aprendizagem é uma vida, este processo de evolução e aperfeiçoamento não pode parar, muito menos no samba. Por vezes estamos á frente da bateria a dirigir, em outras ocasiões tem de se agarrar no reco-reco, chocalho, etc.., o importante é que o gosto de tocar não se transforme em gosto poder, gosto de mandar, de aparecer, de se autoproclamar, nada disso, saber sempre o nosso lugar nas diferentes situações e não se esqueçam, os directores de bateria são apenas ou deveriam de ser….batuqueiros. Pelo menos eu sou…tenho é um bocadinho mais de responsabilidade que todos os outros.

Um abraço para todos e se não referi o nome de alguns amigos, não levem a mal.

Obrigado companheiro por me dares o prazer de ser meu amigo. Muitas felicidades

ENTREVISTA COM JOÃO AZEVEDO-Carnavalesco da Charanguinha


Como começaste com a paixão pelo samba e em particular pelas escolas de samba?



Foi algo que apareceu naturalmente, o meu interesse começou com o interesse pelo carnaval, quando comecei os meus primeiros projectos de carnaval o samba foi algo que apareceu e despertou o meu interesse. Com o tempo este “bichinho” cresceu e só agora é que se esta a desenvolver a sério.



-Tens alguma formação artística?



Sou estudante do curso de Design Industrial na ESAD nas Caldas da Rainha e estudei Artes Visuais no secundário.



- Mais particularmente quando começou esse gosto e vontade de te dedicares a fazer desenhos de fantasias para Carnaval como idéias e pesquisas de enredos?



A Arte sempre fez parte e o gosto pelo desenho, mas aos 15 anos surgiu a oportunidade de com um grupo de amigos formar um pequeno grupo carnavalesco para desfilar no Carnaval das Termas, um pequeno carnaval de Santa Maria da Feira, inicialmente foi uma brincadeira que mais tarde passou a um hobbie levado com alguma dedicação.

Fui ao longo do tempo desenvolvendo alguns enredos e fantasias que ficaram guardados na gaveta.


- Como encaras este desafio de ser o responsavel em teu 1º ano pelo Carnaval de uma escola com um passado tremendo e muito habituada a vitórias?



Tento levar com a maior seriedade possível e ao mesmo tempo alguma descontracção. As inseguranças são mais do que muitas, têm sido diminuídas com o aparecimento dos resultados e com o meu envolvimento com a comunidade da Charanguinha que tem sido um enorme apoio.



-Qual o teu estilo preferido a nivel de fantasias e adereços para uma escola de samba?



Acho impossível determinar um estilo, em Portugal as escolas têm todas estilos muito distintos e sobre o que se faz no Brasil não deve haver comparações.

Aprecio o carnaval do Rio, encontramos fantasias fantásticas, mas admito que o são no contexto em que estão, em Portugal admiro o estilo apresentado em Ovar pela coragem de assumir características muito Portuguesas.



-Tens algum Carnavalesco que admires e até te sirva como modelo?



Sim, Paulo Barros é um modelo e inspiração. Admiro o carnaval contemporâneo, os enredos alternativos. Tem apresentado um conceito visual completamente alternativo, alegorias simples e controversas.






-Este ano com o enredo “ Madame et Monsier : Bienvenue à Paris” como vai ser o Carnaval da Charanguinha ?



Diferente acima de tudo, pretendo fazer Ovar viajar até Paris, apresento os elementos que mais caracterizam Paris, desde os ícones aos sentimentos. A Charanguinha vai levar um desfile heterogéneo, com alguns elementos que vão marcar pela diferença.





- Ápresentarás um estilo diferente ou vai manter-se o estilo de desfile e de trabalho que é caracteristico do Carnaval de Ovar ?



“Em Roma sê romano”, a Charanguinha vai manter a tradição de Ovar, apesar das diferenças e das surpresas. Como disse atrás admiro as características do Carnaval de Ovar, uma linguagem muito própria que merece ser preservada apesar de qualquer evolução que venha a ter.



- Que conhecimentos tens do que é feito em Portugal a nivel de trabalho de Carnavalescos ?



Além do observar o que tem saído para a rua nada, ainda não tive a oportunidade de tomar conhecimento mais aprofundado do trabalho desenvolvido pelos profissionais portugueses.



-Que ambicionas.. quais as tuas metas como carnavalesco dentro do panorama do samba em Portugal ?



Ambiciono acima de tudo deixar o meu contributo para o crescimento do samba e carnaval em Portugal, mostrar algo novo e diferente e mostrar que em Portugal podemos criar uma assinatura diferente para o samba, com tradições e características nossas mantendo o respeito pelas origens e tradições pelas origens do samba.



- Como tem visto a evolução das Escolas de Samba no Carnaval de Ovar ?



Penso que existe um desequilíbrio entre as escolas, algumas escolas precisam dar um salto para que nasça algum equilíbrio. Não posso falar muito mais pois pela primeira vez estou dentro das escolas.




- E a evolução das escolas de samba em Portugal .... principalmente a nivel de trabalho de Carnavalescos?



Tenho que assumir que não tenho um conhecimento de longo curso e muito aprofundado do se tem feito, mas dentro do que tenho observado penso que é preciso dar um salto em termos criativos a nível geral, ousar mais e trazer novidades. Talvez exista demasiada dependência do que se faz no Brasil.





- Que escolas portuguesas mais admiras numa analise geral e não só a nivel de fantasias ?



Além das escolas em Ovar, admiro muito as escolas de Estarreja.



-Que gostarias de ver acontecer no samba em Portugal e mais particularmente no Carnaval de Ovar ?



Gostaria de ver nascer essa tal assinatura para a cultura do samba português, uma linguagem heterogénea mas com características e tradições comuns.



Muito obrigado e muitas felicidades para o Carnaval 2010



Obrigado.

Entrevista com Alexandre Camões



Como começaste com a paixão pelo samba e em particular pelas escolas de samba?

Quando nasci já havia Carnaval em Estarreja e lembro-me de ir aos bailes com os meus pais e ouvir marchinhas de carnaval. As novelas dos anos 80 também ajudaram; as bandas sonoras tinham sambas muito bons. Ainda nos anos 80 apareceram as primeiras escolas de samba em Estarreja. Primeiro os Carecas e depois as outras. Em 89 o Trepa faz o primeiro desfile. Já não fui a tempo de desfilar nesse ano... Fiz o primeiro desfile em 90.



-Qual o teu trajecto como sambista ?

Sou Trepa e Mangueira desde sempre e para sempre!

Fiz sete carnavais a tocar tamborim e desde 97 que toco cavaco e canto, o que posso...

Durante os anos 90 toquei no Trepagode formado só por elementos do Trepa. Enquanto durou foi uma loucura. Aquelas 6 pessoas chegaram a representar 70% da facturação da escola. O grupo acabou devido à indisponibilidade dos elementos e à transferência milionária do Pirussas para o Samba-Lêlê .



-Mais particularmente quando começaste a ter o gosto e vontade de te dedicares á parte de interpretação de samba e por tocar cavaquinho ?

Comecei a estudar música em miúdo e na altura já tocava outros instrumentos. Foi uma passagem natural... o Trepa ficou sem cavaquinho e eu aprendi.



-Em que ano tiveste a responsabilidade de ser o interprete do Trepa?

97



- Como encaraste esse desafio ?

Sem stress nenhum. Sempre gostei de cantar. Inclusivé no primeiro ano em que o Trepa saiu a cantar eu ofereci-me mas na altura não fui aceite... os outros todos já deixaram a escola e o samba e eu ainda cá estou.



-Agora que já estas a compôr samba original (o que já acontece com a grande maioria das escolas portuguesas) o que dizes dessa mudança ?

Claro que acho bem. Durante alguns anos só o Trepa é que desfilava com originais em Estarreja. Não foi fácil, primeiro convencer o Trepa e depois a opinião pública. Fiz o primeiro samba em 96 mas só em 99 é que o Trepa desfilou com um samba original e mesmo assim depois disso ainda tivemos uns anos em que não levámos samba original.

Claro que os sambas do Brasil são melhores, mas esse argumento perdeu muita força quando ganhámos pela primeira vez um carnaval com samba original. Hoje é a tendência e os resultados estão à mostra. Só não vê quem não quer.



-Qual o teu estilo preferido de samba ?

Não sei. Sei que o que menos gosto é o samba de enredo... não é o que menos gosto mas é o que menos ouço. Ouço por fases. Agora ando a ouvir porque tenho samba para fazer...

Gosto muito de sambas antigos de cadência bem sincopada.



-Tens algum sambista que admires e até te sirva como modelo ?

Admiro muitos por diversos motivos mas não tenho nenhum como modelo.

À cabeça da lista e por tudo, Cartola seguido de perto pelo Paulinho Da Viola

O Zeca Pagodinhohttp por se manter fiel a si próprio e com isto ser talvez o único sambista vivo unanimemente respeitado por toda a classe musical do Brasil e o Bezerra da Silva pelas mesmas razões.

Gosto muito da dupla Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

Admiro a inteligência e a escrita do Nei Lopes.

Adoro o Roberto Ribeiro. Se não tivesse morrido tão cedo seria provavelmente o melhor cantor de samba. Os poucos discos que gravou estão repletos de sucessos que ainda hoje animam as rodas. Tinha um vozeirão. Uma das figuras maiores da história do Império Serrano.

Apesar de Mangueirense convicto tenho grande admiração pela Portela e pelos seus compositores de onde destaco Monarco, Candeia e mais recente Marquinhos de Oswaldo Cruz.

Dos novos sou fã do Marcos Sacramento, para mim o melhor dos novos cantores dono de uma voz maravilhosa. O Moysés Marques que tem para mim o melhor disco de samba do ano e o Diogo Nogueira. Já era fã do pai, João Nogueira e agora sou do filho.

Das mulheres sou fãzaço da Aracy de Almeida e da Elizeth Cardoso. Não posso deixar de referir a Clara Nunes a quem a aconteceu o mesmo que ao Roberto Ribeiro; morreu cedo...

Das sambistas novas a melhor é a Dorina e também adoro a Fabianna Cozza.

E por fim todas as Velhas Guardas, principalmente da Portela, Mangueira e Império Serrano

Não sendo só samba também respeito muito o trabalho do Monobloco , do Funk ‘n’ Lata grupo do actual presidente da Mangueira, Ivo Meireles, e também o Marcelo D2 (password: mandavir)

Ainda faltam muitos mas há mais perguntas para responder...

Em Portugal admiro várias pessoas que o sabem e como tal não vou referenciar ninguém.



- Qual o teu momento mais feliz no samba?

São tantos em 20 anos...

Os lugares que conheci e os amigos que fiz.

20 anos de Trepa.

A primeira vez que vi a Mangueira na quadra.

A primeira vez que vi o Jamelão a cantar na quadra da Mangueira. Antes já tinha visto em Alcobaça mas não é a mesma coisa...

A primeira vez que vi a Donna Yvonne Lara, o Fundo de Quintal, o Paulinho da Viola, o Zeca, a Velha Guarda da Portela e a Beth Carvalho

A participação em 99 no Encontro Europeu de Escolas de Samba, em França, com cerca de 1000 participantes. Uma semana inesquecível.

A minha viagem ao Rio com o Sanhudo.

Ter estado em em casa do Ubirany do Fundo de Quintal.

Ter tocado no final do show do Seu Jorge em Guimarães.

Depois há ainda aqueles pequenos prazeres como estar no Rio de Janeiro , meio ano depois de ter visto a Velha Guarda da Portela em Paris, à espera para ver um novo show e o Monarco passar e dizer “Eh Camões! Que sê tá fazendo aqui?”, ou ainda ler o comentário do JC Jacquin no MySpace do Trepa

Podia continuar eternamente... o samba só me trouxe e tráz coisas boas.


- Qual o mais triste... o menos feliz ?

A morte da Sara Castro. Era minha amiga de infância e de samba. Foi e será sempre uma figura importantíssima no Trepa. Criou alguns dos melhores carnavais do Trepa. Onde estiver está a olhar por nós.

- Que ambicionas....quais as tuas metas como sambista dentro do panorama do samba em Portugal ?

Não ambiciono nada. Se continuar assim é mais que bom.

Gostava que a minha escola fosse um bocadinho mais disciplinada, mas pouco senão estraga!



- Como tem visto a evolução das Escolas de Samba no Carnaval de Estarreja ?

Agora acho que agora estabilizou mas na última década foi a maior que aconteceu em Portugal. Em tudo; sambas, baterias, fantasias...



- E a evolução das escolas de samba em Portugal .... principalmente a nivel de sambas de enredo ?

Apesar do nosso país ser pequeno é dificil conhecer todas as escolas...

Se durante muito tempo as escolas do Sul davam prioridade às fantasias “esquecendo” um pouco o samba e a bateria e as do Norte mais ou menos o contrário, a tendência agora é para um maior equilíbrio.

Os sambas estão a evoluir e continuarão. De todos os que ouvi, há de tudo, do muito bom ao muito mau. Acho também que alguns sambas são prejudicados pelo desempenho das escolas e pelas gravações.



- Quais as 5 escolas portuguesas que colocarias num primeiro patamar numa analise geral de todos os quisitos ?

Em primeiro destacadíssimo o Trepa! Para mim será sempre a melhor, mesmo não sendo.

A Charanguinha pela consistência, pela bateria e pelo Xando. São os melhores. Se houvesse um desfile em t-shirt e calças de ganga a Charanga ganhava sempre!

O Vai Quem Quer, desde sempre pelo rigor nas fantasias e nos últimos anos pelo excelente trabalho do Nuno Bastos.

A Sul parece-me que a Bota no Rego segue isolada.

Não sou sócio mas nutro uma grande simpatia pelos Sócios da Mangueira da Mealhada.



- Concordas com os moldes em que é realizado o ENCONTRO NACIONAL de Escolas de samba em Estarreja e os seus criterios de avaliação ?

Não tenho opinião formada.

Como o Trepa já não ganha o Carnaval há uns anos nunca participei no Encontro e calhou estar sempre a trabalhar. Nunca vi nem nunca me envolvi nas discussões.

Parece-me bem o juri ser nomeado pelas escolas mas deveria haver outros jurís.



- Que gostarias de ver acontecer no samba em Portugal e mais particularmente no Carnaval de Estarreja ?

No Carnaval de Estarreja gostava que o Júri se empenhasse e soubesse o que está a julgar.

Aceito que não haja muita gente entendida no assunto mas a solução é mais ou menos fácil; transparência.

Há muito que defendo uma apresentação pública dos enredos com todos os júris presentes e com quem quiser assistir.

Eu, por exemplo, chego e digo: “Olá, sou o representante do Trepa. O nosso enredo é tal, vamos falar disto e disto, as fantasias são estas, o samba é este, etc, etc.”

Isto já ajudava muito!

O júri não pode chegar no dia, não ler as sinopses, não conhecer os sambas e votar. Depois acontece todo o tipo de situações; notas que não correspondem às justificações, notas trocadas, fantasias idênticas, etc.

Ninguém gosta de perder mas quando acontece por erros de julgamento é muito pior. E não foi só ao Trepa que isso aconteceu.

Nos Carnavais onde não há concurso, gostava que huvesse. Por muito que custe aceitar é a única forma de fazer as escolas evoluir.



- Queres deixar algum recado....alguma mensagem aos sambistas de Portugal ?

Gostava que a maior parte daqueles que se dizem sambistas deixassem de ser somente “Sambistas de enredo e carnaval”e descobrissem o “Mistério do Samba”. O samba de enredo existe para e por causa do Carnaval.

Samba é outra coisa...

Seguindo o exemplo do Xandinho também vou terminar com uma parte de um samba, mas que não é meu.

É do Noel Rosa, outro dos baluartes, e que não referenciei anteriormente.



Feitio de Oração

(Noel Rosa & Vadico)



Quem acha vive se perdendo

Por isso agora eu vou me defendendo

Da dor tão cruel desta saudade

Que, por infelicidade,

Meu pobre peito invade



Batuque é um privilégio

Ninguém aprende samba no colégio

Sambar é chorar de alegria

É sorrir de nostalgia

Dentro da melodia



Por isso agora lá na Penha

Vou mandar minha morena

Pra cantar com satisfação

E com harmonia

Esta triste melodia

Que é meu samba em feito de oração



O samba na realidade não vem do morro

Nem lá da cidade

E quem suportar uma paixão

Sentirá que o samba então

Nasce do coração.

Obrigado e muitas felicidades


LINKS REPRESENTATIVOS DA ENTREVISTA:


Cartola
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Paulinho da Viola

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Zeca Pagodinho

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Bezerra da Silva

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Nelson Cavaquinho

http://rapidshare.com/files/283243667/UQT2000_A_Musica_Brasileira_Vol_3_CD_06_Nelson_Cavaquinho.rar.html

Guilherme de Brito

http://rapidshare.com/files/306759298/UQT2003_A_Musica_Brasileira_Vol_7_CD_02_Guilherme_de_Brito.rar.html

Nei Lopes

http://www.mediafire.com/?8pxxsjwddgx

Roberto Ribeiro

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Monarco

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Candeia

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Marcos Sacramento

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Moyses Marques

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Diogo Nogueira

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João Nogueira

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Aracy de Almeida

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Elizeth Cardoso

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Clara Nunes

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Dorina

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Fabiana Cozza

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Velha Guarda da Portela

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Velha Guarda da Mangueira

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Velha Guarda do Império Serrano

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Monobloco

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Marcelo D2

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Jamelão

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Donna Yvonne Lara

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Grupo Fundo de Quintal

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Beth Carvalho

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Seu Jorge

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JC Jacquin

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Myspace do Trepa

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Sara Castro

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Noel Rosa

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O Mistério do Samba – filme sobre a velha guarda da Portela

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