ENTREVISTA COM RUI MANÉ ( Director de Bateria da Costa de Prata )



ENTREVISTA COM RUI MANÉ- DIRECTOR DA BATERIA DA BI-CAMPÊA DO CARNAVAL DE OVAR. ( Escola de Samba COSTA DE PRATA )






Nome e idade ?

Rui Miguel Rodrigues Mané, 35 Anos.

Como foi o teu início nestas andanças pelo samba?

Em terra de carnaval como é Ovar, inevitavelmente participei nos desfiles em grupos infantis desde muito cedo, mas o que realmente me atraia e fascinava era o som das baterias das Escolas de Samba. Desde muito cedo demonstrei interesse em participar, tinha familiares na E.S. Costa de Prata, aos quais pedi para poder ingressar, mas só me foi possível ingressar em 1994.

Qual o teu trajecto como sambista ?

Como referi anteriormente, comecei na E.S. Costa de Prata em 1994 (onde ainda permaneço). Comecei por tocar caixa, e fi-lo durante 10 anos! Ainda em 2003 a escola forma o Grupo de Pagode Costa de Prata, do qual fiz parte e onde toquei tan-tan. Em 2005 assumo o comando da bateria e passo para o surdo de terceira. Em 2010 ainda vou a tocar repique, mas a partir de 2011 passo apenas a dirigir a bateria.

Como vês o atual momento da Costa de Prata como bicampeã do Carnaval de Ovar e vencedora do Trofeu Nacional de Samba?

Vitórias trazem motivação, reconhecimento mas acima de tudo responsabilidade!
Como já referi em entrevista anterior, os títulos não são o meu foco principal! São sem dúvida o reconhecimento da dedicação e trabalho realizados pela direção, grupos de trabalho e de todos os elementos da escola, mas não são eles que definem a evolução da escola. Dou sempre como exemplo o ano de 2014, em que a escola não ganha o carnaval, fica em 3º Lugar, mas ganha sem dúvida o grupo, pois a escola uniu-se mais que nunca e até tem 40 novos elementos que entram para o ano seguinte.
A escola teve uma “injeçao” de sangue novo, com a entrada de uma nova direção, com um misto de juventude e experiência, com novas ideias e com muita vontade de fazer! Temos crescido nos últimos anos tanto quantitativa como qualitativamente! A abertura da escola à comunidade com a realização do concurso de destaques, o concurso de samba enredo, a Summer Week e agora também o concurso de maquetes, tem permitido a escola crescer. Crescemos como grupo, como escola e como associação! Atravessamos um bom momento, com um grupo bastante unido, somos uma verdadeira família e isso torna-nos ainda mais fortes. Vencemos o Troféu Nacional de Samba e sagrámo-nos bicampeões do Carnaval de Ovar, ambos marcos importantes para a escola, uma vez que foi algo nunca antes alcançado pela Costa de Prata. Mas isso não nos retira o foco nem a humildade! Cabe-nos a nós Direção, manter o crescimento sustentável da associação e o bem-estar de todos os nossos associados, para que possamos continuar a ser a grande família Costa de Prata. São as pessoas e o seu bem-estar que nos movem.


Quando assumiste a direção da bateria da Costa de Prata?

Assumi a direção de bateria da E.S. Costa de Prata em 2005.

Como vês o atual momento da bateria da tua escola?

Tal como toda a escola, também a bateria tem evoluído e atravessa um bom momento! Não é por acaso que vencemos o quesito bateria há três anos consecutivos! Temos evoluído tecnicamente a nível da execução, cadência e afinação. O aumento do número de elementos na bateria tem contribuído para que possamos consolidar os naipes existentes e também para a introdução de novos naipes como o chocalho e o agogô. Temos um misto de pessoas já experientes com pessoas muito jovens e que entraram para a escola sem saber tocar nenhum instrumento, o que tem sido um desafio para nós. No entanto, a amizade existente, a coesão do grupo, a vontade de aprender, de fazer mais e melhor tem-nos permitido superado todas as dificuldades. Somos um grupo de amigos e isso facilita em muito o nosso trabalho.

Quais ou qual a característica mais marcante da bateria da Costa de Prata?

Penso que a característica mais marcante da bateria da Costa de Prata é a sua coesão, uma bateria sem grandes individualidades, sem nenhum destaque em particular, mas forte como um todo. Admiro a evolução feita pela bateria na cadência, afinação e precisão na execução. Não posso deixar de destacar os chocalhos e os agogôs que muito influenciam a sonoridade da bateria no momento.


És "adepto" de que tipo de paradinhas( bossas ) em uma bateria ?

No geral gosto de paradinhas, desde que encaixem no samba e que não sejam demasiado exageradas, têm que permitir que o samba respire. É um gosto pessoal, mas não sou muito adepto de bossas com muitas batidas diretas de pergunta resposta, gosto mais de bossas cadenciadas, com variações rítmicas, com evidenciação do surdo de terceira e tamborins.

O que é para ti uma boa bateria de escola de samba?

Olho para uma bateria de escola de samba como uma orquestra, onde todos são importantes e onde cada um tem a sua função bem delineada. Gosto de sentir todos os naipes sem atropelos e com sonoridade suave. Para mim uma boa bateria é aquela que respira, que tem boa afinação, que executa na perfeição e sem agressividade e de preferência que arrisca no grau de dificuldade das suas bossas.

Normalmente em que altura iniciam os ensaios com vista ao Carnaval?

Os ensaios para o carnaval começam no início de Setembro, numa primeira fase para a preparação dos concursos de destaques e sambas enredos. Após os concursos, Outubro, ensaiamos todas as semanas até ao Carnaval.

Durante o período pós Carnaval ensaiam com que regularidade?

Logo após o Carnaval, se não existirem atuações agendadas, ensaiamos uma vez por mês. Entre Abril e Julho ensaiamos de 15 em 15 dias à sexta à noite e/ou sábado à tarde.



Quais as maiores dificuldades sentidas pela tua escola de samba ou/e em geral pelas escolas de Ovar?

Falando apenas pela minha escola, acho que a maior dificuldade é a disponibilidade da maioria dos elementos da escola para estarem presentes o ano inteiro. Muitos elementos apenas vivem a escola com intensidade nos meses pré carnaval, esmorecendo o interesse nos meses seguintes.
Em relação às escolas em geral, e dando apenas a minha opinião pessoal, a grande dificuldade está em captar os jovens para as escolas de samba. Ovar é uma cidade que respira carnaval, mas aqui o samba é uma parte muito pequena. O forte continuam a ser os grupos carnavalescos, onde a sua grande maioria apresenta qualidade, o que desperta o interesse dos mais jovens, aliado á maior descompressão existente, pois desfilar numa escola de samba exige mais esforço, muito mais ensaio, maior responsabilidade e muito menos “brincadeira”.

Como ves o actual momento do Carnaval de Ovar relativamente as escolas de samba ?

Neste momento vejo com alguma preocupação o panorama das escolas de samba em Ovar, pelo que já referi anteriormente e também por alguns acontecimentos que tem marcado algumas escolas em Ovar. A saída de muitos elementos das escolas faz-me temer a sua redução de qualidade ou até mesmo a sua extinção. Isso não seria bom nem para o samba nem para o Carnaval.


Relativamente ao concurso em Ovar no Carnaval que opinião tens sobre os critérios de avaliação, dos jurados e votação e justificativas dos mesmos?

Ser jurado é muito ingrato, não existe a figura daquele que irá conseguir agradar a todos, pois nunca será unânime, a opinião é sempre muito pessoal. É um pouco como as leis, se ela for clara e exata, é muito fácil, é só olhar e julgar de acordo. Mas não é assim, e em Ovar existe a agravante de não ser dada a justificativa da nota. Já foi sugerida inúmeras vezes mas não foi aceite.

Como tens visto a evolução das escolas de samba em Portugal?

Bem, não posso fazer juízos de valor sobre a evolução das escolas de samba em Portugal, pois não faço o acompanhamento de todos os carnavais do País para o poder fazer. No entanto, e dos poucos que acompanho, como escola de samba no seu todo, acho que todas elas têm evoluído positivamente, mas na minha opinião, as escolas de samba de Estarreja são as que têm dado passos maiores na evolução como escolas de samba, isto no aspeto de maior parecença com o Rio de Janeiro. Em Ovar, as escolas de samba apresentam uma evolução significativa nos vários quesitos, mas no que se refere a fantasias apresentam uma evolução diferente, pois não seguem tanto a linha do Carnaval Carioca, mantendo as linhas carnavalescas locais.



Para ti quais as escolas que mais tem evoluído em Portugal no geral de todos os quesitos?

Na minha opinião, Sócios da Mangueira, Vai Quem Quer, Trepa Coqueiro e Costa de Prata.

A nível de bateria quais as que mais tem evoluído na tua opinião? E quais as que mais admiras?

Para além da Costa de Prata, que tem apresentado uma evolução significativa, para mim a bateria que mais tem evoluído é a dos Sócios da Mangueira, sendo uma das que mais admiro, juntamente com a Vai Quem Quer e o Trepa Coqueiro.

No Brasil quais são as tuas preferidas?

No Brasil gosto de todas, cada uma com a sua característica. No entanto consigo destacar claramente das restantes a Salgueiro, Portela, Ilha, Grande Rio e Estácio de Sá.

A nível nacional que mudanças ou evoluções gostarias de ver acontecer para melhorar o nível das escolas de samba e dos seus desfiles?

Penso que a criação da Liga das Escolas de Samba de Portugal era de extrema importância para a evolução do samba em Portugal, existir um denominador comum entre todas, alinhar ideias e traçar o caminho para que todas possam evoluir e caminhar no mesmo sentido. Criar sistemas de votação iguais para todos os carnavais, para que todas as escolas possam seguir as mesmas diretrizes. Criar um evento nacional, à semelhança do Mega Samba, mas não virado só para as baterias, tentar a presença de personalidades do Carnaval Carioca e proporcionar workshops em várias áreas, por exemplo costura, alegorias, adereços, samba no pé, etc.

Concordas com os moldes em que é realizado é disputado (quesitos e jurados que estão a concurso) o TROFÉU Nacional em Estarreja?

Não concordo por vários motivos. O principal é sem dúvida as votações, não é por ter ganho o troféu no último ano que a minha opinião vai mudar! E aqui a criação da Liga das Escolas de Samba teria um papel fundamental conforme referi na questão anterior. Não devem ser as escolas participantes a escolher os jurados. Porque não pegar em pessoas de outras escolas que não estão a concurso e com conhecimentos em cada quesito e colocá-las como juradas?
Outra das injustiças prende-se com a realização do troféu sempre na mesma cidade, não estando à partida todas as escolas em pé de igualdade, pois estando mais perto é muito mais fácil colocar um número maior de elementos a desfilar, e isso faz toda a diferença.


Como analisas as rivalidades existentes entre as escolas de samba em Portugal? E como gostaria que fosse a ideal convivência entre elas?

Hoje em dia considero que já não existe rivalidade. A rivalidade que tem que prevalecer é aquela que considero saudável, nos dias dos desfiles onde todos querem dar o seu melhor. Passando a linha do fim de desfile, todos devemos ser amigos e respeitar o trabalho de cada um. A partilha de conhecimento é cada vez mais uma constante, o convívio entre escolas e a participação nos festivais de samba cultiva a aprendizagem e sobretudo a camaradagem entre todas as escolas. Se assim não for, não estamos cá a fazer nada.

Quais os teus momentos mais felizes no samba ? E os menos felizes?

Felizmente é muito difícil escolher os momentos mais felizes no samba, pois para mim todos os momentos passados no samba são momentos felizes. Consigo destacar o meu primeiro desfile, em 1995 e a minha entrada para a direção de bateria da Costa de Prata em 2005! Destaco também, talvez por ser o meu maior desafio e por isso também um dos momentos mais felizes, que foi pegar em 23 mulheres da escola e formar uma bateria feminina para fazer a abertura o espetáculo de apresentação dos sambas enredos no Espaço Tenda em Ovar (2010).
Momentos menos felizes, não me consigo recordar de nenhum.

Obrigado pela tua colaboração .Abraçaço e muitas felicidades para ti e para a Costa de Prata

ENTREVISTA- NUNO SARDINE-Março de 2016


ENTREVISTA COM NUNO SARDINE
( Carnavalesco em 2016 das Escolas de Samba VAI QUEM QUER e SÓCIOS DA MANGUEIRA )


Nuno foste na longa lista de entrevista que durante estes anos realizei para o meu blog ( que agora se transformou em site )a segunda personalidade do samba a ser entrevistada, corria o fim do ano de 2009. De lá para cá o que mais mudou em ti ?

NS:
Olá António. Se já na altura te agradeci o privilégio do convite, então agora passados 7 anos, friso o meu agradecimento por voltar a estar a ser convidado para conversar acerca de Carnaval. Mas antes deixo-te também uma palavra de felicitação pela transformação que o teu blog e trabalho sofreram ao longo destes anos, sempre em prol do samba. 
Ora bem... O que mais mudou em mim? 
Recordo-me que na altura falávamos sobre os meus primeiros passos nestas lides de Carnavalesco a solo e que começaram com "Eu vi Atlântida". 
Há 8 anos atrás, a única coisa que eu realmente sabia fazer para um projecto, era desenhar. 
Quando eu peguei num bloco de notas para escrever o enredo desse ano, eu estava convencido que fazer Carnaval passava tudo por escrever um enredo, desenhar e executar as fantasias e que todo este processo teria de ser levado pelo Carnavalesco. 
Recordo-me também que eu estava preso à esquelética de evolução do desfile característico de Estarreja em que as escolas se apresentavam. 
Assim me mantive durante os dois primeiros anos.
A minha mudança aconteceu quando eu vi um troféu nacional de samba de fora e que foi ganho merecidamente pelo Trepa de Estarreja. 
Nesse dia eu estava como espectador pseudo-entendido do assunto.
No final desse desfile deu-se-me um clique. Eu como espectador gostaria de ter visto mais diversidade nas escolas, mais competencia a desempenhar o enredo, algo impactante e sobretudo que houvesse um elo condutor entre todas as alas e que se notasse perfeitamente para fora. Não me bastou a alegria, a garra dos componentes nem as palmas para o público. Eu gostaria de ter visto mais.
Gostaria de visto mais diversidade, mais sectores com desempenho característico ao tema e sobretudo mais espectáculo.
E isso foi o que mais mudou em mim.
Deixei de me preocupar com o que as outras escolas faziam e concentrei-me somente naquilo que a minha escola poderia produzir. 
E essa produção não seria somente desenhar e fazer fantasias... Afinal comecei a pensar nos projectos como se de um espectáculo se tratasse. Quebraram-se barreiras, arriscou-se bastante em algumas situações, tentou-se inovar noutras...

E para poder produzir o que estava por detrás do projecto, fez-me falta quatro coisas que eu considerei fundamentais e que lutei por elas: 

1º Conhecimentos. Eu precisava de aprender mais sobre tudo o que abrangeria a "realização" desse espectáculo, como por exemplo tirar peso às fantasias para não impedir a competência do componente, entender a técnica de cada quesito ao detalhe, perceber de que forma a escola deveria evoluir, etc...

2º O que gosto e o que não gosto. Muitos deverão pensar que eu sou consumista de Carnaval. Quem me conhece sabe que eu consumo o mínimo e o mínimo é simplesmente ver os desfiles das escolas que eu gosto. E eu não me estou a referir a fantasias.
Eu aprendi a saber o que gosto de acordo com a realidade das escolas e do concurso em Estarreja, de acordo com esta dimensão. E de acordo com o que eu achei ser de maior valor acrescentado para a escola. Por exemplo, eu não gosto nada de ver quando uma Destaque-de-Chão desfila a querer evidenciar-se pessoalmente demonstrando uma competição com a(s) sua(s) companheira(s). Também não gosto por exemplo, de ver os componentes colocados à toa no desfile... 
O trabalho durante o desfile deverá ser em prol de um espectáculo que terá de ser apreciado como um todo. Cada pessoa terá o seu estilo próprio como é óbvio, mas terá de ter consciência de que o seu papel será representar uma parte desse espectáculo. Daí que eu insisti (não fui muito bem aceite ao princípio como é óbvio) que os componentes devem ser colocados onde eu acho (em conjunto com os coreógrafos) que podem acrescentar maior valor.

3º Equipa. Foi o maior desafio! Conseguir ter a capacidade de encontrar os talentos necessários para todos juntos, se construir um só caminho. E sim, eu acredito que num universo de mais de 150 pessoas, há sempre alguém que pode acrescentar valor nalguma área específica, e muitas das vezes essa própria pessoa nem sabe. É preciso potenciá-la.
E as pessoas que apareceram nestes últimos anos, fizeram um trabalho importantíssimo para o que a escola é hoje em dia. E a escola não poderá manter a sua qualidade sem essas pessoas, ou sem alguém similar a elas.

4º Ser auto-crítico. Deixei de me interessar por o que as outras escolas desenvolviam para me concentrar, com os meus, naquilo que nós tínhamos feito de mal para não voltar a repetir esse mesmo erro. E eu não falo daqueles detalhes que se podem resolver de um desfile para o outro. Falo de lacunas técnicas importantes para o desfile e que devem ser melhoradas durante o ano.
Por exemplo, sensações visuais, movimentos, enfim...

No fundo, o que mais mudou em mim foi isto mesmo... Do pouco que eu sabia ou do que eu pensava que sabia, ter crescido com a própria escola, pondo em prática as minhas ideias e convicções e conquistar o meu próprio espaço, respeitando sobretudo o emblema da escola. 
Passei de produzir muito com as mãos, a não produzir quase nada.


Nestes dois últimos anos um sonho que a escola de samba Vai Quem Quer tinha era juntar na feitura do Carnaval o Juan contigo. Como foi essa experiência ?

NS:
Não sei se era um sonho da escola. Foi sim um desejo pessoal nosso e que no devido momento foi concretizado.
A experiência foi precisamente de acordo com o que tantas vezes eu e o Juan já tínhamos conversado. Passámos a demorar mais tempo a criar o Carnaval porque as ideias multiplicaram-se, mas passámos a demorar menos tempo a concretizá-lo.
Hoje-em-dia e se eu pensasse num futuro, não me veria a fazer Carnaval para a VQQ sem ser com o Juan. Ele completa-me.


Sendo como dizes o teu ultimo ano como Carnavalesco da Escola quais os motivos para tal decisão que imagino não seja facil ?


NS:
Eu não vou dizer que este foi o meu último ano, porque "último" significa terminar e eu gosto demasiado disto para afirmar que foi o último. Vou parar sim. Vou parar durante o tempo que me apetecer e não é só na VQQ. Vou parar de fazer Carnaval. 
Poderei fazer alguma cabeça, ou algum adereço só para tirar a comichão dos dedos, mas não mais do que isso.
Estou farto!
Estou cansado... Não tenho mais paciência... 
Nem tenho tempo para poder dedicar-me da forma como me tenho dedicado nestes últimos anos. Esses são os principais motivos. 
E isto é dinâmico! Precisa de mudanças e de coisas novas!
Há por aí muitos talentos a despontar.
Eu quero ficar a apreciar as novas tendências.

Fica algum enredo que gostarias de ter desenvolvido na VQQ ?


NS:
Os enredos que eu apresento sempre me surgiram ao acaso.
E creio que só num ano é que houve algumas dúvidas se era aquilo ou não. E foi e ganhámos.
Individualmente e da minha parte, não fica nenhum enredo por desenvolver.
Fica sim "aquele" que eu e o Juan já teríamos em mente. Talvez fique em stand-by. Nunca saberemos.


Esse abandono de Carnavalesco na VQQ é apenas na VQQ ou ainda pensas fazer algum enredo em outra escola ?


NS:
Vou parar por completo! 


Qual o teu momento mais feliz no samba ?


NS:
Eu tenho dois momentos de extrema felicidade.
É quando a escola sai para a avenida e tu sabes que ela vai feliz.
E quando vês aquela explosão de alegria da tua escola quando tens a felicidade de ganhar.



E o menos feliz ?


NS:
O menos feliz foi este Carnaval...
Devido a vários motivos de extrema importância, falhei com os meus compromissos por ter abraço a feitura de dois Carnavais.
Falhei com os meus compromissos porque coisas que só dependiam de mim, eu não as concretizei como estavam projectadas e uma delas fez a VQQ ganhar menos pontos... Poderíamos ter ganho... Eu reconheço as minhas responsabilidades.
Para mim foi mais um ensinamento.


Quais as tuas influencias e quem mais admiras no mundo do samba ?


NS:
Se queres que te diga, sinceramente hoje-em-dia não me sinto influenciado por ninguém nem por nada em especial... Ao ponto de se perceber semelhanças em estilos... Sou Beija-Flor assumido, mas este ano torci pela Mangueira e aplaudi a sua vitória. Sou apreciador de arte... Gosto de ver uma coisa bem feita e surpreendente seja do Manel ou do Joaquim... 


Algum sonho de sambista por realizar ?


NS:
Completamente... Quero poder ter um dia o prazer de fazer o que o nosso amigo Jota fez por exemplo... Que inveja! 
E quero poder ter um dia o prazer de desfilar naquela avenida, nem que seja a empurrar uma alegoria.


Como vês o actual momento das escolas de samba a nivel de fantasias e adereços principalmente ?


NS:
As principais escolas, que serão as que se assumem como as querem mostrar qualidade, têm evoluído exponencialmente, apesar dos orçamentos serem cada vez mais reduzidos. Porém e na minha opinião pessoal, muitas delas cometem o erro de carregar as fantasias com adereços, plumas e LED e esquecem-se que por vezes, o pouco é muito e a beleza muita das vezes está nos pequenos detalhes e/ou na informação visual que se vai transmitir ao público, seja individualmente ou em conjunto.


Obrigado Nuno. Saudações sambistas




ENTREVISTA : PRISCILA PEIXOTO , A PRINCESINHA DO CAVACO DE APENAS 18 ANOS .

( entrevista retirada com autorização do blog : MUNDO DE THY- MUNDO DE THY
    
Fonte : Facebook/ Priscila Peixoto


Olá povo lindo beleza ?

Há alguns dias assisti um vídeo de uma princesa tocando cavaquinho e confesso que fiquei encantando com tamanho talento.
Toda meiga mas que faz o cavaco chorar , estou falando de Priscila Peixoto
Ela tem apenas 18 aninhos e engana-se você que ela toca somente cavaquinho.
Ela domina também  violão, guitarra, viola e até  violino , vai pensando que ela é fraca.
Seus vídeos tocando cavaco estão bombando cada vez mais na internet.
São muitas curtidas e compartilhamentos que fazem Priscila ficar cada vez mais conhecida.

Hoje ela conta um pouco da sua vida em uma deliciosa entrevista.
De Caraguatatuba, São Paulo, direto para o Mundo de Thy.



MdT - Há quanto tempo você toca ?

P.P. - Depende do instrumento rs.
Fiz aula de violão dos 4 aos 15 anos e nesse meio tempo também estudei guitarra, viola e violino.
Comecei a tocar cavaquinho e banjo somente depois dos 15 anos mas não fiz aula, estudei sozinha.

MdT - Quem te influenciou no início ?

P.P. - Comecei a tocar violão por influência do meu avô por parte de pai.
Minha família toda por parte de mãe é envolvida na música também.


MdT - Você vive da música ?

P.P. - Não.
Já fiz free lance , mas tenho meu trabalho e estou cursando o terceiro semestre da faculdade de administração.
Onde moro as condições não são as melhores para quem quer viver da música.
Fora o preconceito.

Fonte : Facebook/ Priscila Peixoto



MdT - Como assim preconceito ?

P.P. - Porque ninguém confia em uma mulher como confia nos homens, musicalmente falando.
Poucos botariam fé caso eu fosse gravar em um estúdio por exemplo.
Sempre olham com maus olhos.


MdT - Então já sofreu muito preconceito na música por ser mulher ?

P.P. - Sim , sempre rola piadinhas , ainda mais quando comecei .



Confira vídeo de Priscila Peixoto falando sobre o preconceito que as mulheres vivem no mundo da música.

Fonte: Youtube



MdT - Quais as piadinhas que mais te incomodam ?

P.P. - - Deixa eu ver se esse cavaco está ligado.
- Mulher serve para cuidar de casa, música é para homem.
- Isso não é coisa pra mulher.
Isso é só um exemplo do que já ouvi , já passei por muitas outras situações como essa.


MdT - Em quem você se espelha? Quem você curte ver tocar ?

P.P. - No choro curto muito Waldir de Azevedo.
Nos sambas antigos me amarro em Sombrinha e no Mauro Diniz.
Nos pagodinhos Lincoln de Lima.
Cada um com seu estilo.


Fonte : Facebook/ Priscila Peixoto


MdT - Rola muita cantada quando você vai tocar ?

P.P - Sou uma garota normal , mas por estar no palco, sempre rola.
Acho normal isso já.


MdT - Como começou essa onda dos seus vídeos bombando na internet ?

P.P. - Ha, nem eu entendi rs.
Havia alguns meses que não postava nada.
Estava um belo dia em casa curtindo um pagode , resolvi gravar e postar, quando vi já tinham rolado vários compartilhamentos.


MdT - Quais seus sonhos ?

P.P. - Meu sonho é tocar na banda de um grupo ou artista conceituado.
Sonho em viver exclusivamente da música e se um dia tiver essa oportunidade até mudo de cidade se for preciso.


Para quem está curioso para conferir o talento de Priscila , chegou a hora de ver a princesinha fazer o cavaco chorar.


FEITIÇO NO CAIS - GRUPO KATINGUELÊ

Fonte: Youtube



PEDACINHO DO CÉU ( CHORINHO )

Fonte: Youtube

BRASILEIRINHO NA GUITARRA ( VERSÃO PRÓPRIA AOS 14 ANOS DE IDADE).


Fonte: Youtube


Sensacional não é mesmo ?
Super nova e com um talento incrível.
Quero agradecer Priscila pela confiança, pelo carinho em que me atendeu.
Princesinha, você vai muito longe, continue estudando , se aperfeiçoando cada vez mais e o principal, não desista.
Deus não dá um dom para ninguém em vão.

Um segredo : 
Você toca mais que muitos marmanjos que te olha com maus olhos, essa é a grande verdade.

Gravem esse nome povo lindo, PRISCILA PEIXOTO .

ENTREVISTA COM O DIRECTOR DE BATERIA "SINFÓNICA NACIONAL DEL SAMBA "- CARUMBÉ ( ARGENTINA )

ENTREVISTA COM O DIRECTOR  DA BATERIA " SINFONICA DEL SAMBA "- CARUMBÉ ( ARGENTINA )- JULIÁN


- NOME E IDADE.
Julián Maiarello, 39 anos.
- NATURALIDADE
Argentino
- COMO COMEÇOU ESSA PAIXÃO PELO SAMBA ?
De criança, meu pai sempre escutava samba na minha casa e me levava na Carumbé frecuentar os ensaios, tambein na Cova da Onça na cidade de Uruguaiana Brasil fronteira com Paso de los Libres a cidade onde eu naci e moro.
- QUAL A SUA TRAJECTORIA NO SAMBA ?
Comecei de pequeno aos 6 anos na escola mirim da Carumbé, "CARUMBECITOS". Logo aos 14 anos comecei a tocar na Carumbé a té os 21 anos q ja pasei a comandar a batería.
- Á QUANTOS ANOS É DIRECTOR DA BATERIA CARUMBÉ ?
18 anos
- POR QUANTOS ELEMENTOS É COMPOSTA A BATERIA CARUMBÉ ?
A bateria esta composta por 160 ritmistas
- QUANTOS AUXILIARES TEM NA DIREÇÃO DA BATERIA ?
5 auxiliares
 
- QUANDO COMEÇAM OS SEUS ENSAIOS PARA O CARNAVAL ?
Começamos no mes de Julio
- QUAL A MÉDIA DE ENSAIOS SEMANAIS QUE FAZEM ?
A gente fas um ensaio semanal de Julio até Outubro e de Novembro até carnaval ensaiamos quasi todos os dias da semana.
 
- A ESCOLA TEM ESCOLINHA DE RITMISTAS ?
Do mes de Julio a te Outubro tentamos trabalhar com ritmistas novos, logo continuamos o trabalho com os mininos q aprenderao a tocar bem e os ritmistas q ja teim oficio.
- COMO SÃO DEFINIDOS OS VOSSOS DESENHOS DE TAMBORIM E AS VOSSAS BOSSAS E PARADINHAS ?
O trabalho de desenho de tamborim, bossa e paradinha eu o divido em duas partes, a primeira parte a gente fas uma secuencia de 4 ou 5 paradinhas para tocar só com bateria ou seja sem acompanhamento musical, a segunda parte a gente trabalha cuando chegar o samba sobre a melodia, si por si acaso alguma das paradinhas q a gente tiver encajar no samba utiliçamos do contrario trabalhamos rigurosamente sobre a melodia com desenhos, bossas e paradinhas.
- QUAL A SUA BATERIA FAVORITA NO BRASIL ?
Unidos da Tijuca
- QUE CARACTERISTICAS MAIS APRECIA NUMA BATERIA ?
Cadencia e presiçao, eu sou das pesoas que acreditam que a CADENCIA esta composta por tres peças fundamentais afinaçao, ecualizaçao e andamento. Referente a precisao hoje em dia com a versatilidade que teim as baterías teim bossas e paradinhas pra façer doce masi sao muito poucas q conseguem façelas em tempo e forma correta.
 
- PARA ALEM DA BATERIA CARUMBÉ VOCÊ DESFILA TAMBÉM EM ESCOLAS DE SAMBA NO RIO ?
Sim, graças a deus e a meu amigo e mestre Casagrande tenho o pracer e a felicidade de desfilar tocando na Unidos da Tijuca.
- TEM MAIS ARGENTINOS QUE O FAZEM TAMBÉM ?
Acho que nao, nao conheço ningueim a te hoje.
 
- QUANTAS ESCOLAS DE SAMBA FAZEM PARTE DO VOSSO CONCURSO ?
3 escolas

 

- COMO É A PAIXÃO DOS ARGENTINOS PELO SAMBA ?
 
A mesma q pelo futebol, o Argentino cuando gosta de alguma coisa ele se apaixona demais, Carnaval aqui na minha cidade pela influencia e aprosimidade com Brasil teim a mais de 80 anos, só a minha escola Carumbé teim 68 anos, ela é a mais antiga da Argentina. Ja fas muitos anos q o Samba esta façendo estragos por aqui nos Argentinos (rsrsrs) e a cada ano ele avança mais em todo o país, realmente é uma força q crece.
- QUANTOS TITULOS TEM A CARUMBÉ ?
Olha a Carumbé foi fundada no ano 1.948, nos primeros tempos nao tinha competencia e nao se levava neinhum registro de nada, o que temos em conhecimento é a partir do ano 1.985 até hoje q a Carumbé conta com 20 títulos, contra 9 da Zum Zum e 1 da tradiçao.
- QUAL A ESCOLA QUE MAIS RIVALIZA COM A VOSSA ?
Zum Zum


- Á QUANTOS ANOS EXISTEM DESFILES DE ESCOLAS DE SAMBA NA ARGENTINA ?
Começarom na década dos anos 60, mais nao tinha  a caracteritica do carnaval q a gente teim hoje que é igual q do Brasil

 

- COMO ANALISA O ACTUAL MOMENTO DAS ESCOLAS DE SAMBA NA ARGENTINA RELATIVAMENTE Á SUA QUALIDADE E EVOLUÇÃO ?
 
Estamos em transiçao em algums quesitos, precisamos profecionaliçar mais algums deles, mais teim outros quesitos como batería, samba enredo, comiçao de frente, mestre sala e porta bandera que teim um nivel muito bom. Mais em conjunto a gente pode dicer que temos um ótimo carnaval q da gosto viver ele.
- JÁ TEM DEFINIDO O ENREDO PARA 2015 ?
Sim, "Agentinos para imaginar o mundo, René Favaloro no coraçao do povo"
- A SUA BATERIA VAI TRABALHANDO ALGUMAS BOSSAS OU SÓ O FAZ DEPOIS DE TER O SAMBA DE ENREDO?
Sim comp eu ja respondí anteriormente, trabalhamos com varias bossas independentimente do samba.
- TEM CONCURSO DE SAMBA DE ENREDO ?
Tinha anteriormente, agora so façemos diretamente com André Diniz no Rio de janeiro (ele é o nosso Messi)
- QUE CONHECIMENTO TEM DO SAMBA NA EUROPA E MAIS PARTICULARMENTE DE PORTUGAL ?
Muito nao tenho, mais sei que teim samba por todo canto no mundo.
 
FELICIDADES PARA O SEU TRABALHO COM ESSA MARAVILHOSA BATERIA E OBRIGADO POR ESTA PEQUENA " CONVERSA " SOBRE SAMBA.
Obrigado pelo reconhecimento, meu mais sincero respeito para voçe ficando a sua inteira disposiçao para o que precisar, que Deus o abençoe.
CONFIRA ALGUNS VIDEOS:
http://youtu.be/QPUtY8x8n4I

ENTREVISTA COM MESTRE CAJU ( MANCHA VERDE- SÃO PAULO )

ENTREVISTA COM MESTRE CAJU ( MANCHA VERDE- SÃO PAULO) QUE PARTICIPOU DA MEGA-BATERIA EM SESIMBRA PORTUGAL

 Nome e idade?
Meu nome é Eduardo e no mundo do samba sou chamado de Mestre Caju tenho 39 anos

- Como foi seu inicio no samba?
Sempre tive referências bacanas na minha infância, vendo Senhor Juarez da Cruz e toda minha família participando da Mocidade Alegre, foi o que me apaixonou por esse mundo tão lindo do samba.

- Em que escolas de samba já participou?
Comecei no samba em uma escola de samba do meu bairro, a Mocidade Unida da Mooca, em seguida fui para a Mocidade Alegre, passando também por Águia de Ouro e sendo um dos fundadores do então Bloco Carnavalesco Mancha Verde e em 2000 uns dos fundadores da Escola de Samba Mancha Verde, no Rio de Janeiro desfila desde 2005 na União da Ilha do Governador, sendo que em 2013 desfilei como diretor de bateria.
 


- Em que ano se iniciou como mestre de bateria da Mancha Verde?
No ano de 2000, me tornei diretor de bateria, e no ano de 2003 o presidente Paulo Serdan me convidou para assumir como mestre de bateria da Mancha Verde, e durante alguns anos tive a parceria de outros mestres e continuo até hoje no comando da bateria.
 

 - Quantos ritmistas compõem a bateria da Mancha?
Já chegamos a desfilar com 300 ritmistas em 2009, mas hoje a opção é sair com uma bateria mais compacta, somente 220 ritmistas, pois assim só desfila quem de fato ensaiou, e assim tendo uma qualidade maior.

- Quando se iniciam os ensaios para o Carnaval 2015 da sua bateria?
Sempre começamos após a pascoa, mas como esse ano o carnaval foi em março, resolvemos começar um pouco mais tarde, até por conta da copa do mundo, dando ínicio em junho os ensaios de escolinha e também da bateria principal rumo ao carnaval 2015.

- Que principais diferenças vê entre as baterias do Rio e de São Paulo?
Como disse em entrevista à rádio Sesimbra, a principal diferença que vejo é cultural, mas em relação às baterias, vejo muitas baterias de São Paulo tão boas quanto às do Rio de Janeiro.
Tendo em vista que hoje muitos ritmistas do Rio também desfilam em São Paulo, assim como desfilamos lá.

- Como foi sua reação ao ser convidado para participar do evento do Mega- Samba 2014 em Sesimbra?
Eu fiquei extremamente feliz quando conversei com o Ricardo mais conhecido como Chora, pois seria uma boa oportunidade de conhecer novas culturas, além de poder mostrar meu trabalho em terras Europeias e o mais importante, que é representar meu país e minha escola de samba.

- Inicialmente o que previa ou sabia do samba em Portugal?
Eu sabia que em Portugal e em muitas partes do mundo existiam pessoas que gostam de samba e mantem escolas de samba, mas fiquei surpreso com o quanto se vivem o samba por aí, são pessoas se dedicam a fazer tudo dar certo.

- Qual a sua opinião sobre tudo o que viveu neste fim de semana junto com os sambistas portugueses?
 Em minha opinião, tudo que vi e convivi esses dias que estive aí, serviram para eu me apaixonar por esse país de meus ancestrais, os sambistas portugueses amam o samba tanto quanto os brasileiros e sabem tudo que acontece aqui, cantam, tocam e se divertem muito.

- Quais as coisas que mais o impressionaram?
O que sem dúvida mais me impressionou foi uma cidade com pouco mais de 8mil habitantes ter, seis escolas de samba atuantes e todas com muito samba na veia, sem contar as escolas do Norte do país que se fizeram presente.
Todos querendo um contato comigo para conhecer mais de como é, como funciona, como pensamos e todos os detalhes sobre o samba brasileiro, e isso é impressionante, o amor de todos pelo samba.
O povo europeu também é muito dedicado ao samba, posso citar o pessoal da Unidos de Geneve que são liderados pelo Cedric que sabe tudo de samba, a alegria do pessoal da França com o Romana, o astral dos Belgas liderados pelo Pascal que o chamei de mestre e ele ficou muito feliz, Alemanha, Lituânia e todos outros.

- Quais as maiores deficiências ou dificuldades que encontrou e para o qual os ritmistas portugueses devem se dedicar mais no aperfeiçoamento?
Percebi que o que falta mesmo não é amor ao samba, e sim um pouco mais de malandragem, um swing que pretendo todo ano levar um pouco, umas técnicas diferentes, outras levadas de caixa, um  desenho de surdo de terceira no contra tempo e com outras acentuações e arranjos em que naipes conversam entre si e com certeza tudo se fará fácil devido aos bons sambistas que temos em Portugal e em toda Europa.

- Alguma sugestão para que se possa melhorar ou aperfeiçoar ainda mais a exibição da mega-bateria?
Com certeza, não existe segredo para uma boa bateria a não serem ensaios e mais ensaios, porém percebi que teria pouquíssimo tempo para conhecer todos ritmistas, fazer somente um ensaio e já ir para o evento no dia seguinte.
 No dia do ensaio, eu prestei atenção na qualidade e deficiência de cada um, para no dia seguinte montar a bateria de acordo com as peças que tinha em mãos.
Eu já estou em contato com o pessoal da Bélgica e da França para fazermos o Workshop de bateria e quero me aproximar mais de todos para que nosso entrosamento seja percebido no próximo ano.
Dei a ideia de usar o samba da Mancha ano que vem que mandarei os vídeos de cada naipe gravados separadamente e receberei os vídeos de cada país, com isso vou corrigindo via Skipe e outros meios que podemos usar para nos aproximar e tentar ensaiar mais alguns dias antes do evento.

- Com que opinião ficou dos portugueses e do que viu na sua curta estadia em Portugal?
O povo português é extremamente receptivo e simpático, além de serem muito educados, fiquei impressionado com a alegria que se vive nessa cidade que estive, me senti em casa em todos os sentidos, hoje tenho muitos novos amigos e vejo todos me adicionando no facebook e entrando no meu site de workshop e deixando recados, esse carinho é o que nos motiva a estar sempre em frente representando nosso samba.

- Vai voltar em 2015 á Mega-Bateria ?
Não só pretendo voltar, como já tenho todo um cronograma para o evento continuar sendo um sucesso que é, vou fazer esse evento ser mais conhecido no Brasil, divulgando muito mais por aqui.
 
- Deixe um recado para os sambistas de Portugal.
Quero deixar um recado que ano que vem estarei de volta para passar mais tempo e curtindo mais com cada escola de samba daí, vamos continuar a curtir o samba juntos e fazer o melhor por nossa cultura.
Hoje posso afirmar que a Copa do mundo do samba foi em Sesimbra e ano que vem tem mais.
 
 
Um grande abraço para todos.
Mestre Caju
Bateria Puro Balanço.
O astral é aqui.

ENTREVISTA COM LUIZ ALEMÃO

ENTREVISTA COM O DIRECTOR DA ALA DE TAMBORINS DA MOCIDADE ALEGRE ( SÃO PAULO )- LUIZ ALEMÃO

Começo por lhe agradecer a disponibilidade para esta pequena conversa sobre samba.

- Nome
Luiz Carlos Santos de Jesus, sou conhecido no samba como Alemão

- Idade ?
Tenho 39 anos

- Onde nasceu e onde vive actualmente ?
Nasci cresci é moro no nesmo local, em São Paulo Bairro do Limão, próximo a quadra da Mocidade

- Como e quando, ou através de quem, você entrou para o mundo do samba?
Acompanhava o samba desde pequeno, mas comecei mesmo em 1988, desfilando em ala, como folião, e no ano seguinte na bateria, sob o comando do mestre Coca,( um dos grandes mestres de bateria), iniciei ja no tamborim.



 
-Nesses seus primeiros tempos tinha alguem como "idolo" ou alguem que lhe servisse como exemplo ?
Minhas referencias, foram o o Dinda, que era o diretor da ala na época e quem me ensinou tocar, e tambem um amigo chamado Paulinho Purituba, até hj ñ vi ninguem tocar igual

- Qual o seu percurso como ritimista ?
Comecei em 1989, sempre tocando tamborim, sempre na Mocidade, em 1990 comecei a fazer desenhos p ala, e em 1994 foi meu primeiro ano como diretor de tamborim, bateria era comandada pelo mestre Coca e mestre Sombra como segundo.



- E quando você assumiu pela primeira vez o cargo de diretor de tamborins da Mocidade Alegre?
Em 1995, assumiu a bateria o mestre sombra, a ala de tamborim ficou sem diretor de 95 a 97 sem diretor, eu montava os desenhos e colocava no samba, mas não tinho poder de diretor, em 98 e 99 uma dupla de amigos, um deles aluno meu, assumiu a ala, fazendo um trabalho muito bom, e em 2000 o mestre Sombra me convidou para ser diretor onde estou até hoje.

- O que é para si estar como director nessa gloriosa escola de samba ?
Ser diretor da ala de tamborins da Mocidade, é prazer e uma honra estar c ritmistas tão bons, em um ambiente de familia e união, aqui o respeito entre todos e o que prevalece -
 
- Em que mês começam os ensaios da bateria da Mocidade?
 Os ensaios começam um més apos o carnaval, primeiro c trabalho de escolinha depois integração, eliminiatorias do samba, e após o samba escolhido, começa pra valer, aos domingos, as quartas feira em novembro tbm de sexta, sempre as 20:00hrs

- Os ensaios tecnicos só da bateria são quantas vezes por semana ?
Os ensaios técnicos de bateria, é só uma vez por semana, as quartas feira, pois o de sexta feira e domingo é geral



- Que tipo ou estilo de desenhos de tamborim mais gosta ?
Gosto de bastante ritmo, deixo os desenhos p segunda parte do samba, os desenhos tem que ser narcante, e valorizar a melodia do samba, sempre buscando desenhos novos e ineditos.

- E o que menos aprecia ?
Não gosto de desenho sem sentido, apenas para descancar o ritmo, Tamborim tem q tocar e ajudar a bateria.

- Quantos tamborins leva habitualmente a bateria da Mocidade Alegre nos desfiles ?
A bateria da Mocidade desfila sempre c 36 tamborins -

- Espera pela eleição do samba de enredo campeão para fazer os desenhos ou já vai tendo alguns preparados para depois encaixar no samba eleito ?
Sim, espero o samba ficar pronto para fazer os desenhos!

- Qual a melhor ala de tamborins no Rio em sua opinião ? E em São Paulo ?
Não sou muito presente no Rio, nas tem muitas alas boas, no momento destaque p Portela, Tijuca, Salgueiro Beija Flor, e muitas outras alas muiti boas. Aqui em São Paulo também, o nivel melhorou muito, trabalhos muito bons. Gosto muito do Gilberto Vai Vai, Fabio X9, Marcio Tatuape, Bui Rosas, tem muita gente boa trabalhando, sinto falta de diretores como Zinho Peruche, muito bom diretor q esta parado, e agora temos duas promessas, Matheus Tucuruvi que é cria da Mocidade e i outro é o Otávio Perola Negra que tbm passom pela Mocidade.



- Que planos tem para futuro como director na bateria ?
Para o futuro, tentamos manter essa filosofia de união, familia, assim tudo acontece, e se eu falta, qualquer um da familia pode assumir e comandar a ala.

- Como vê o actual momento das baterias de S.Paulo ?
Eu vejo as baterias buscando um crescimento e sendo atrapalhadas pelo regulamento. Mas vamos superar isso



- Qual as principais diferenças entre as baterias do Rio e de S.Paulo ?
Pra mim, as baterias do Rio sãi sempre a referencia, é um ritmo romantico, nostálgico, em São Paulo a rivalidade é muito forte, isso atrapalha a real sentido samba.

- Qual o tipo de paradinhas e bossas que mais aprecia ?
Gosto de paradinha c resposta geral, e precisas, valorizando o samba, paradinha que cria uma expectativa no publico, e que quandi retoma, empolga a todos. Gosto de paradinhas diferentes, bem suingadas e precisas

- Que acha das paradinhas longas que a maior parte das baterias esta adotando ?
Paradinhas longas, só p disputar quem fica mais tempo parado, pra mim não tem sentido, paradinha silencio é legal, mas tem q voltar na hora certa

-Actualmente qual é para si a melhor bateria de São Paulo ?
Eu não vou falar da minha bateria, sou suspeito, então fora a bateria da Mocidade, pra mim, Imperio Camisa X9 Tambem gosto muito Mancha, Gaviões, Vila Maria, Rosas, Nene, Vai Vai e outr Bateria tem que ter santimento!

- Tem algum conhecimento do trabalho ao nivel de samba que é feito na Europa e mais em particular Portugal ?
Eu acompanho sim, aqui tem bateria em Uruguaiana (Brasil), Espirito Santo, tem baterias no Chile, Argentina, conheço o Carnaval do Japão, e ai em Portugal estou conhecendo agora atraves de vocês.


- Deixe um recado aos sambistas em geral e em particular aos de Portugal.
Amigos do ritmo, Samba é respeito, é igualdade, samba se faz com sentimento, Desejo a vocês muito ritmo, muito samba pra suas vidas, É só o que precisamos!

Obrigado . Felicidades para si e sua Mocidade Alegre.


CONFIRA  ALGUNS DOS DESENHOS DE TAMBORIM DA MOCIDADE ALEGRE.